Worldpackers: a sua viagem mais barata e cheia de aprendizado

Todo viajante sonha com promoções de passagens aéreas e descontos em hospedagens. Quanto mais viagens você faz, mais aprende a economizar para conhecer lugares novos e ganhar experiências inéditas. Pensando nisso, dois amigos amantes de viagens idealizaram uma empresa que possibilitasse a troca de serviços por hospedagem e outros benefícios. Parece um sonho? Sim, mas ele já é real e tem ganhado o mundo todo.

Como funciona?

O primeiro passo é se cadastrar no site: www.worldpackers.com. Você pode ser viajante ou anfitrião. Ou seja, pode procurar uma viagem ou oferecer. No caso do anfitrião, a pessoa interessada deve ter no mínimo um local para oferecer como hospedagem – na maioria das vezes são hostels. Como a empresa trabalha com trocas, os dois lados terão recompensas e obrigações. Basicamente o anfitrião poderá dar alimentação completa (café da manhã, almoço e jantar), parcial ou nenhuma, lavanderia, descontos em festas, tours pela cidade, opção de cozinhar a própria comida no local, etc. Resumindo são diversas as possibilidades. Alguns anfitriões oferecem muitos benefícios, outros quase nenhum.

Com relação às obrigações do viajante, são três os tipos de serviços: comunicação e marketing (fotografia, videomaker, desenvolvedor web, redes sociais), trabalho social (ONGs, escolas com crianças carentes, ensinar idiomas, etc.) e por fim, serviços gerais (recepção, ajudante de limpeza, consertar coisas, pintura, jardinagem, etc).  Na página do anfitrião também constará quantas horas deverão ser trabalhadas por dia ou por semana e quantos dias livres o viajante terá. Outra questão importante é o quarto, que na maioria das vezes é compartilhado. Alguns anfitriões oferecem dormitório privativo para o viajante, mas já adianto que esses são minoria.

O mais bacana é que é possível viajar o mundo todo ou receber pessoas de todas as nacionalidades através da Worldpackers. Se você possui um hostel, por exemplo, e precisa de uma ajuda na recepção, pode convidar viajantes para serem voluntários no seu negócio e conhecerem a sua cidade. De quebra ainda conhece outra cultura através da convivência diária com o viajante. Por outro lado, se você deseja viajar para a Índia, mas está meio sem grana e quer economizar em hospedagem e em outros itens, pode procurar por viagens no país e ver qual anfitrião tem mais a ver com você. Basta um clique para abrir o site e você passará algumas horinhas sonhando alto com tantas oportunidades.

Quanto custa?

A empresa cobra uma taxa que varia entre US$ 10 e US$ 50 (dez e cinquenta dólares) por viagem aplicada e o valor pago pelo viajante é feito através do site usando cartão de crédito. Com esse pagamento, a Worldpackers visa firmar um compromisso com o viajante, para que o mesmo não dê “um cano” no trabalho. Para participar, seja como anfitrião ou como viajante, é preciso preencher o cadastro com informações gerais como idiomas que fala, experiências, viagens já realizadas, etc. É como se fosse um currículo. Desta forma o viajante pode escolher seu anfitrião e vice-versa, salientando que ambos precisam aceitar um ao outro para confirmar a viagem.

Obs. importante: questões burocráticas como visto, passagens aéreas ou seguro de viagem ficam por conta do viajante, a Worldpackers não se responsabiliza por essas etapas da viagem.

É seguro?

No site da Worldpackers é possível conversar com viajantes e anfitriões que deixam seus depoimentos após as viagens realizadas. Recentemente, a empresa foi tema de uma matéria no Globo Repórter, programa transmitido às sextas-feiras na emissora Globo de televisão e afirma ter mais de 700 mil viajantes cadastrados em mais de 172 países de todo o mundo. Disponibiliza, também, um aplicativo e um sistema de avaliações que, assim como outras plataformas, serve de referências para quem está pensando em viajar ou contratar um viajante.

 

 

 

Diário de Bordo: Dicas para uma trip pela Chapada Diamantina

Essa foi minha primeira viagem sozinha e minha primeira trip de trilha de montanha. Óbvio que cometi vários erros. Mas graças a isso agora tenho uma bagagem de experiências maior e posso compartilhar com vocês tudo o que sei sobre essa trip incrível.


1 – Planejando a  trip: 

Primeiro de tudo: quanto tempo você tem disponível para curtir a Chapada? Uma semana é pouco para conhecer aquele lugar mágico. Então, é preciso analisar com calma quais lugares serão visitados e dividir bem o seu time, caso ele seja curto. A melhor escolha é pernoitar sempre nas cidades mais próximas aos passeios do dia, isso não irá economizar apenas horas do seu dia, mas também disposição.

Exemplo:

1º dia – Lençóis – Pernoite em Lençóis (chegada). Leia mais AQUI!

2º dia – Remanso, Bacias do Roncador – Pernoite em Igatu. Leia mais AQUI!

3º dia – Poço Encantado e Poço Azul  – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

4º dia – Cachoeira do Buracão – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

5º dia – Trekking Guiné ao Capão – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

6º dia – Cachoeira da Fumaça e Riachinho – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

7º dia – Torrinha, Grutas Azul e Pratinha, Morro do Pai Inácio, Lençóis – Pernoite em Lençóis. Leia mais AQUI!

8º dia – LENÇÓIS (partida).

O roteiro acima foi o que eu fiz agora em dezembro. Vocês podem ver que pernoitei em quatro cidades diferentes. Partíamos de manhã para os passeios já com as malas – que ficavam na van – e no final do dia íamos para a próxima cidade. Sem muito sossego, mas menos cansativo do que viajar longas distâncias todos os dias. Fizemos o roteiro Volta ao Parque da Chapada Diamantina em 8 dias e achei ótima a divisão dos dias. Sem contar que cada dia era uma surpresa diferente, nenhum passeio foi igual ao outro.

OS GUIAS:

Durante a viagem eu vi algumas pessoas fazendo trilhas sozinhas. Porém, a não ser que você já conheça bem a Chapada, eu não aconselho. Eu contratei a agência de turismo Venturas para me conduzir por lá. Acho que minha viagem não teria sido a mesma sem os guias. Passávamos praticamente 12 horas ao lado deles todos os dias e recebíamos uma enxurrada de informações sobre a região. Algumas coisas eu tive que anotar para não perder no meio de tanto conhecimento adquirido. Por isso acho válido contratar um guia local.

Lembrando também da sua segurança, que é o mais importante. Qualquer problema, como um acidente de trilha – que é bem comum -, os guias irão resolver rapidamente. Eles conhecem a região, as trilhas, o clima e irão garantir que você não perca tempo e não passe perrengue – não muito, pelo menos. Sem contar que eles sabem os picos mais loucos e podem te garantir se são seguros ou não. Se você pode ou não pular de uma cachoeira, por exemplo. Opte por um guia e não irá se arrepender.

A LOCOMOÇÃO:

Dependendo da sua disponibilidade, você pode ir de carro ou não. Para quem mora perto, talvez seja viável ir com condução própria, pois você fica mais livre para rodar por lá. Contrata um guia local para ir no banco do passageiro e tudo certo. No aeroporto de Lençóis vi que o aluguel de um veículo sai por R$ 90 a diária. É uma opção para quem vai de aéreo e pensa em locar um carro por lá. E para quem não quer saber de dirigir, as agências de turismo oferecem todos os transfers inclusos nos pacotes. Ou seja: sem preocupações! As vans da Venturas são novas e com ar-condicionado.

A HOSPEDAGEM:

Geralmente as agências já oferecem as opções de hospedagens dentro dos pacotes dos roteiros. O legal é que elas têm parcerias com determinadas pousadas, o que acaba barateando um pouco o valor final das diárias. Eu pernoitei em quatro pousadas diferentes. Veja minhas avaliações sobre cada uma:

Pouso da Trilha (Lençóis): pousada com quartos mais simples. Sem TV, sem ar-condicionado. Apenas com ventilador. Dormi em dois quartos diferentes: o primeiro era muito pequeno, já o segundo, eu achei ótimo. O café da manhã é bem diversificado e em um ambiente muito agradável. O atendimento e recepção também são impecáveis. Pertinho do centro.

Pousada Pedras de Igatu (Igatu): é a única pousada da vila. Achei espaçosa e com uma vista linda. Jantar e café da manhã bons. Também não possui TV e ar-condicionado, apenas ventilador. Quartos espaçosos. Gostei bastante! Próxima de tudo, já que Igatu é mega pequena.

Pousada Monte Azul (Mucugê): minha segunda pousada favorita da Chapada. Café da manhã completo. Quarto bonito e grande. TV e ventilador. Ela fica situada em frente ao cemitério bizantino, a visão é linda. Também gostei da decoração. Ótimo atendimento. Bem próxima do centro.

Pousada do Capão (Vale do Capão): disparada a mais encantadora. Lamentei não ter conseguido curtir mais o lugar. A pousada é enorme. Tem riacho para banho, balanço, lago, área para fogueira, sauna, massagem, dentre muitas outras coisas. Sem contar que fica no meio dos morros e a visão é magnífica. Para quem curte natureza, com certeza vai amar. Café da manhã completo, também. Opções de quartos simples e com ar-condicionado (com visão para os morros do Capão). Ótimo atendimento. Mais ou menos 7 km da Vila.

A ALIMENTAÇÃO:

Dependendo do roteiro que você escolher, irá passar praticamente o dia todo nas trilhas. O café da manhã está incluso em todas as pousadas, ok. Agora você precisa pensar na sua comodidade para realizar as outras refeições, já que irá gastar muita energia e disposição curtindo os passeios. Confira a opção do roteiro que eu fiz com as refeições já inclusas:

1º dia – Aéreo (refeições livres).

2º dia – Café da manhã, Almoço, Jantar.

3º dia – Café da manhã e Almoço.

4º dia – Café da manhã e Lanche de Trilha.

5º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

6º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

7º dia – Café da manhã e Almoço.

8º dia – Café da manhã (dia de aéreo).

Todas as refeições citadas acima estavam inclusas no pacote. Os lanches de trilha eram completos: fruta, proteína, lanches, bolos, doces, barra de cereal, suco de fruta, etc. Dava para dividir entre almoço e lanche da tarde, por exemplo. Achei excelente. Os três almoços foram em restaurantes que ficam nos mesmos lugares dos passeios do dia. O primeiro, inclusive, foi na casa de uma nativa, com comida típica. Muito bom. Você chega com o guia e já está tudo pago, podendo comer a vontade. Apenas a bebida fica por sua conta. Os jantares são nas pousadas e também é permitido comer quanto quiser.

Nos dias que não têm determinadas refeições você pode conhecer os restaurantes da cidade em que estiver. Em Mucugê eu sugiro o Point da Chapada. A pizza e a moqueca são sensacionais. Vale experimentar. Porém, eu achei muito válida a ideia de já ter todas as refeições garantidas, pois tem dia que você chega tão cansado que não quer sair andar – mais do que já andou o dia todo. Poder comer e curtir a pousada sem se desgastar mais é uma ótima pedida. Portanto, fica a dica!

 

Valor total do roteiro “Volta ao Parque Nacional em 8 dias” com tudo o que foi citado acima: R$ 3.391 (para uma pessoa).

Incluso:

– Translados (durante toda a viagem);

– Hospedagens;

– Refeições mencionadas;

– Taxas (quando necessário);

– Guia;

– Seguro viagem.

* Aéreo não incluso.

2 – Escolhendo o roteiro:
Essa é uma das viagens mais procuradas do Brasil. Então, avalie bem os lugares que quer conhecer. Não leve em consideração apenas se o passeio é o mais visitado ou não. Analise o nível de dificuldade para chegar até ele e veja se condiz com seu preparo físico. Existem trilhas leves e pesadas. Nem todo mundo aguenta concluir todas. Não perca um dia de viagem. Monte um roteiro que você consiga concluir. E se você for daqueles iguais a mim, que encara tudo, opte pelos mais “uau” – pelo menos na primeira ida a Chapada. Uma semana por lá não é nada. Um mês não seria suficiente para conhecer tudo.
3 – O que levar:

COLOQUE NA MALA:
– Meias altas (as baixas podem causar bolhas nos seus pés);
– Protetor solar;
– Repelente;
– Capa de Chuva;
– Remédios para dor e alergia;
– Proteção para os pés (fitas adesivas);
– Cantil térmico (a água ferve na garrafa comum);
– Chapéu (você irá usar TODOS os dias);
– Bota de trilha (tênis comum escorrega muito);
– Calça confortável (de preferência aquelas larguinhas que viram shorts);
– Blusas de manga comprida e com proteção contra raios solares (especiais para isso);
– Bastão de trilha (ajuda demais nas subidas e principalmente nas decidas);
– Máquina fotográfica (invista em uma boa);
– Capinha de celular à prova d’Água (parece besteira, mas você vai querer uma lá);
– Roupas largas e confortáveis em geral;
– Roupa de banho;
– Lanterna;
– Chinelo;

– Uma blusa de frio.

 

4 – Sugestão a+:

Esqueça as noitadas, a Chapada é um destino de natureza. Você irá aproveitar muito mais o dia. À noite aproveite para descansar. Esqueça a dieta e experimente as comidas típicas da região. Desfrute dos guias, eles têm muitas histórias para compartilhar e muita informação sobre tudo. Converse, pergunte, absorva. Desencane de celular e tecnologias em geral (menos da sua máquina fotográfica). Olhe em volta, inspire a natureza.  Se for para Mucugê experimente a pizza do Point da Chapada.

Ande com cuidado pelas montanhas e evite pequenos acidentes que podem estragar sua viagem. Se hidrate! Tome cuidado com o “maçarico baiano” (sol). Rs. Ninguém quer pegar uma insolação. Coma bem no café da manhã, pois o dia é longo e puxado. Preserve a natureza, recolha TODO o seu lixo.

Diário de Bordo: O que a Chapada Diamantina deixou em mim

Eu sempre tive dentro de mim a vontade de me aventurar. De viajar sozinha. De conhecer o desconhecido. E sempre amei a natureza – hoje muito mais. Quando decidi que era a hora de dar um passo diferente na minha vida, a Chapada Diamantina caiu no meu colo. De cara não foi a minha primeira escolha de destino. Mas sinto que tudo aconteceu como era para ser. Tinha que ser ela.

Quando eu comecei a pesquisar sobre o lugar e vi as fotos – me conhecendo bem – sabia que iria me emocionar. Mas não tinha ideia da dimensão dessa emoção. Os meus amigos que leem meu blog e são da minha cidade, sabem que lá é bonito demais. Estou acostumada com a natureza. E a ver paisagens. Porém, o sentimento é totalmente diferente. O deslumbramento é outro.

Acredito que estar sozinha contribuiu para que tudo fosse como foi. Eu estava livre. Nada do que ficou em Botucatu me prendia. Era eu e o novo: pessoas e lugares. E por que não sentimentos? Me permiti viver e sentir. Me mantive aberta para receber o que viesse. Quando você viaja com alguém que já faz parte do seu ciclo, acaba se fechando ao mundo particular de vocês. Já quando está sozinho se abre para o mundo de quem se aproximar de você. E isso é incrível!

Cada pessoa que eu convivi nesses sete dias deixou um pouquinho de si comigo. Conheci pessoas muito diferentes de mim e aprendi a lidar com isso. A respeitar. A ajudar! Aprendi que a coletividade é essencial, principalmente na montanha. Tive a sorte de viajar com um grupo de pessoas sensacional. O que fez toda a diferença na minha viagem. Me senti em casa!

Viajar sozinha é também uma viagem para dentro de si. Me conheci ainda mais: meus sonhos e sentimentos. Me emocionei diversas vezes sozinha. Sorri e agradeci sozinha. Só eu, o Universo e a Mãe Natureza. Quando você está acompanhada não vive só as suas emoções, mas as da outra pessoa, também. Quando está só, as sensações são puras. Exclusivamente suas. E isso não é egoísmo, é nosso direito. E dever!

Lá na Chapada tudo é imenso e intenso. Pelo menos a maioria dos lugares. Os que mais me deixaram extasiada eram imponentes. A natureza te mostra que você não é nada. E foi isso que me deixou sem fôlego a viagem toda. Mesmo nos meus sonhos mais profundos, eu não imaginaria que seria como foi. Tentei por diversas vezes transmitir para as pessoas tudo o que vi e senti, mas desisti. Não tem como. Acredito que nunca fui para um lugar que me trouxe tanta paz, como lá. Simplesmente amei! Foi minha melhor viagem até agora.

Diário de Bordo: Travessia do Guiné ao Capão

6:00 am

Acordei em Mucugê. Na noite anterior já tinha deixado minha mochila arrumada, então tomei banho e café da manhã. Levantei mais cedo que o normal, pois queria pegar o Cemitério Bizantino aberto antes de partir para o Capão.
7:30 am
O cemitério – para minha sorte – ficava atrás da minha pousada. Atrás mesmo, de lá de dentro dava para vê-lo. Rs. Em 1855 houve uma epidemia de cólera em Mucugê e muitas pessoas faleceram. A igreja, por medo da contaminação, não permitiu que os corpos fossem enterrados no cemitério comum. Por isso, em cima de uma montanha, no fim da cidade, foram construídos novos túmulos. O interessante é que eles foram feitos em cima de rochas. Os grandes barões do garimpo trouxeram arquitetos estrangeiros para a construção.
Não é comum o turista querer conhecer o cemitério da cidade, mas esse tem uma história interessante. E os túmulos são muito bonitos. Alguns parecem igrejas. (Fotos no meu Instagram: ma_santos7). Os corpos também não eram enterrados inteiros, provavelmente eram depositados ali só os ossos. Fiquei uns 30 minutos lá dentro
8:20 am
Partimos rumo à comunidade do Guiné. A van nos levou até o pé da montanha, de onde sairíamos para a travessia até o Vale do Capão, em um trekking de 18 km – 7 horas caminhando. Andamos aproximadamente 1 hora de carro até o nosso destino. Eu não tinha ideia de como iria ser esse dia.
Chegando na montanha, o primeiro 1,5 km já foi uma subida. E não pense que é na reta, por que é íngreme e pedra sob pedra. Embaixo do sol e do calor da Bahia, meu rei. Rs. “Rapaaaiz”, achei que eu não ia dar conta, não. Rs. Paramos diversas vezes até chegarmos ao topo. O coração vai a mil. Além de tudo, as pedras são desniveladas, uma é super alta, outra é baixa e assim vai. A perna queima. E a mochila começa a pesar nas costas.
Superada a subidona, chegamos ao topo da primeira montanha, e a visão do horizonte começou a aparecer. Essa é uma das recompensas do trilheiro. Você está esgotado, mas quando alcança seu primeiro objetivo e visualiza aquele paraíso, nem lembra mais do cansaço. E foi assim o trekking inteiro. Cada hora era um “uau” diferente. Nós estávamos no topo de um morro (mais de um), avistando outras centenas deles, em uma visão de 360ºC. LINDO!
Andamos muito. Paramos em diversos mirantes, cada um com uma visão diferente. Avistamos o Vale do Pati – conhecido mundialmente pela sua travessia de 5 dias. Com o calor excessivo nossa água ficou “intomável”. Parecia que tinha sido esquentada no fogo. Horrível! Paramos no riacho das Galinhas para encher nossas garrafas. Aproveitamos para descansar um pouco também. O legal da montanha é que você enfrenta percursos muito diferentes. Subidas, descidas, retas… Mata, vales, pedras! Sombra, sol, vento. Rs.
A travessia é linda. Achei incrível andar e explorar as montanhas. É você e a natureza. Sem ter para onde correr. Rs. O esforço é grande, não é qualquer pessoa que aguenta, mas vale muito a pena. É uma superação física, mental e pessoal. E ver os outros integrantes do grupo se superando também é muito bom. A coletividade faz toda a diferença e isso você leva para a sua vida fora daqui.
Andamos, andamos, andamos… Por 7 horas! Chegamos no Vale do Capão. Essa é a parte mais recompensadora. Seu corpo está exausto, mas sua mente e seu espírito estão tinindo. Quem nos viu chegando na pousada disse que estávamos muito felizes. E sim, a trilha nos fez um bem danado. Eu não imaginava como seria. Se eu iria aguentar ou não. E concluir mais esse desafio foi sensacional. Me deu uma sensação maravilhosa por dentro. Ele te mostra que você é capaz, sim! E te faz sentir vivo.
 
19:30 pm 
Jantamos na pousada e depois curtimos um pouco a fogueira. Eu dormi cedo, pois estava mega cansada! Amanhã tem a trilha até o topo da Cachoeira da Fumaça!
Até breve! 😊

Diário de Bordo: Igatu, Poços Encantado e Azul

7:12 am

Acordei no susto em Igatu. Deixei meu celular carregando em uma mesinha perto da porta e não escutei o despertador. Mas nosso sexto sentido é mais forte e despertei sozinha. Fui olhar a hora e já dei um pulo. Rs. Joguei tudo dentro da mochila. Tomei um banho voando. Comi e as 8 horas em ponto estava pronta. Ufa! Dormi super mal essa noite. Senti muita coisa ruim naquele lugar. Sou sensitiva e senti que existe muita alma que não está em paz naquela cidade. Coisa que só fui entender no dia seguinte.
8:00 am
O guia Thiago nos levou para conhecer as ruínas de Igatu. A vila, que é distrito de Andaraí, foi um próspero povoado no alto da serra, na primeira fase do garimpo de diamantes. Porém, com a baixa na produção, a cidade foi abandonada, restando apenas casas fechadas, ruínas e poucos moradores – mais precisamente 360 habitantes. Acreditem!
A maioria dos garimpeiros construía suas casas utilizando as pedras abundantes no local, numa espécie de construção sem argamassa. Depois de abandonadas, as casas viraram ruínas que lembram as construções de civilizações remotas. Pouco se fala, mas muita coisa ruim aconteceu ali na época do coronelismo, como a escravidão. Na época do garimpo muitas pessoas eram escravizadas. Não
Foi então que entendi o que havia acontecido na noite anterior. O guia nos disse que muitas pessoas mais sensíveis se sentem mal em Igatu. Têm visões e sentem o sofrimento da população que ali viveu. Tudo explicado! Mas isso não diminui o encanto da cidade pequena. As ruínas são cativantes. É surreal pensar que os garimpeiros viviam em casas feitas apenas com pedras. Imagina no frio intenso? A maioria das residências tinha apenas um quarto.
O clima em Igatu é em sua maioria frio e úmido. Hoje estava nublado, o que aumentou ainda mais o ar sombrio. Os garimpeiros possuíam o sonho de encontrar um diamante valioso e mudar de vida. Porém, gastavam todo o dinheiro em pinga. O pouco dinheiro que os compradores pagavam pela pedra valiosa. Enganavam os homens que trabalhavam nos garimpos dizendo que aquilo valia bem menos do que eles imaginavam. Era um ciclo sem fim. Apesar de ter achado a vila bem triste, gostaria de ter ficado mais para conhecer também as pessoas que vivem lá.
9:00 am 
Partimos rumo o Poço Encantado e o Poço Azul. Hoje não teve caminhada. Percorremos todo o trajeto de carro. Cerca de 1h e meia de estrada de chão.   Chegando no Encantado descemos em uma vendinha, onde usamos o banheiro e pegamos os capacetes para entrarmos na caverna. Descemos uma escada estreita com 400 degraus. Chegando na porta da caverna conseguimos avistar a fenda por onde a luz do sol entra para iluminar o poço.
Eu nunca tinha entrado em uma caverna na minha vida. Era escuro e bem afunilada a entrada. Fomos caminhando segurando em uma corda até chegarmos ao poço. A princípio não conseguimos enxergar nitidamente, mas conforme o olho vai acostumando, a imagem vai surgindo. E que visão! O silêncio da caverna pode ser insuportável para uns e abençoado para outros. A paz invade você! Me emocionei. Chorei! Não tenho como descrever. É magnífico!
A caverna é alta e funda ao mesmo tempo. É como se fosse um “ovo” explicando de uma forma bem chula. A parte mais funda chega a 61m de profundidade, que é onde a água está. Ela é cristalina. Ao mesmo tempo temos a impressão de que é azul devido ao magnésio e o carbonato de cálcio. A luz do sol entra pela fenda e conseguimos enxergar o fundo (a parte mais rasa). Infelizmente a permanência no local só é permitida por 20 minutos. Mas valeu cada segundinho ali dentro. A natureza deu um show!
Subimos as escadas novamente e quando chegamos na vendinha fomos surpreendidos por uma família de macaquinhos. Eles subiram em cima de mim para pegar meu doce. Uns safadinhos! Tomamos água de côco e partimos para o Poço Azul. Andamos mais alguns km de carro em estrada de chão.
O Poço Azul também é protegido ambientalmente. Para entrar precisamos tomar banho de ducha para tirar todo resíduo de protetor, creme, etc. do corpo. Pegamos um colete e um  snorkel cada um e descemos mais uma escada rumo a caverna. Dessa vez, o banho é liberado e entramos na água para mergulhar. A água estava geladíssima. Fiquei tremendo o mergulho inteiro. Mas a magia daquele visual era maior que tudo. A profundidade era de 7 metros e flutuando conseguíamos enxergar o chão da caverna. INCRÍVEL!
Meu, não tem como descrever em palavras essa experiência. Foi muito lindo. Eu respirava fundo de emoção. Todo mundo instintivamente falava baixo. A paz é predominante. No fundo da água dava para ver os troncos das árvores que rolaram até lá. Em cima do poço tem uma fenda por onde entra a luz do sol. E através da água dava para ver os raios solares atravessando até o fundo. Lindo, lindo, lindo!
14:00 pm 
Saímos do poço e paramos no restaurante da Dona Alice, que fica em cima da caverna e serve comida caseira e típica. Mais uma vez não teve como, tive que comer a beça. Não teve jeito, não. Como dizem meus queridos baianos. Estava uma delicia, como sempre. Almoçamos e fomos embora para Mucugê (agora sim), nossa terceira parada. Percorremos quase 2 horas de estrada de chão. Dormi boa parte do caminho. Estava exausta.
16:35 pm
Chegamos em Mucugê. A cidade faz o estilo de Lençóis, pois tem mais infraestrutura. Estou hospedada em uma pousada em frente ao cemitério Bizantino. Nem acreditei! Estava e estou doida para conhecer. Hoje não deu tempo, quando cheguei lá já estava fechado. Mas só de ver por fora já me deu uma emoção. Amanhã conto melhor sobre ele.
O Thiago nosso guia disse que a cidade é conhecida pela boa pizza. Nos indicaram a Point da Chapada. Uma pizzaria muito bonitinha, feita de pedras e com uma carinha bem aconchegante. Paulista tem a mania de desconfiar da pizza de estados alheios. Mas decidi provar. Estou provando tudo de novo que me aparece por aqui. Rs. Tomei um banho e fui para lá, sozinha.
18:30 pm
Sentei à mesa. Pedi uma cerveja e uma pizza de lombo, catupiry e manjericão. E realmente é maravilhosa. A massa é fininha e o recheio no ponto. Aprovadíssima! Quando eu estava terminando de comer, o pessoal do grupo começou a chegar.
Nos juntamos todos em uma mesa grande e a conversa foi ótima. Conhecemos melhor uns aos outros. E foi uma troca de experiências incrível. Um é do RJ, outra de Brasília, outra de SP, alguns do interior de SP e um da Bahia que estava morando na Austrália e agora está indo para Nova Zelândia.
22:00 pm
Voltei para a pousada. Como de costume, estou cansadíssima e morrendo de sono. Amanhã vamos conhecer a cachoeira do Buracão. Dizem que é linda. Por ser um pouco longe, vamos sair cedo. Então, preciso dormir! Até breve, galera!
Pessoal, segue lá no IG (Instagram) para acompanhar as fotos: ma_santos7.

Diário de Bordo: Marimbus e Roncador

7:00 am
Acordei! Tomei banho e fui tomar café da manhã na pousada em Lençóis. Que lugar aconchegante. Musiquinha ambiente e comida boa. Eu nunca tenho muita fome pela manhã, mas comi bastante para aguentar o dia. Optei por: pão vegetariano, tapioca de queijo, manjericão e tomate, cuscuz de tapioca, manga, mamão e granola com yogurte batido com manga + mel + chia + linhaça. E um café para finalizar. Enchi três garrafas de água de 500 ml e pronto!
8:30 am
 
Eu e meu grupo saímos de van com os guias para a comunidade do Remanso, onde vivem os quilombolas. Andamos aproximadamente 20 km em estrada de chão até chegar no local. A vila é bem simples. A população vive da pesca, que é vendida nas feiras de Lençóis. E também sobrevive graças ao turismo. Grande parte das casas são de taipa. Por todo lado tem pé de manga. As mais maduras caem aos montes no chão.
Fomos recebidos por três quilombolas, o Alex, o Getulio e o Van. Que eu achei que era Ivan e ele me disse: “Não, é Van mesmo. Sem o i”. Ok! Rs. Estávamos na região do Marimbus, que significa área alagada. Fomos de barco percorrendo todo o rio Santo Antônio. Em cada barco foram três pessoas, mais um quilombola remando. Fomos conversando tanto, que eu fico perdida quando penso no que contar primeiro aqui para vocês.
O Getúlio era um cara daqueles porreta. Pensa em um negão grandão, que ao mesmo tempo que rema – sozinho – fala sem parar. Sobre tudo! E se precisar que ele desça na água para empurrar o barco, ele faz também. Enquanto continua falando. O que você quiser saber sobre a Chapada e sobre os quilombolas, ele sabe te dizer. Fomos conversando e admirando a beleza daquele lugar. Plantas aquáticas como Vitória Régia e Baronesa embelezavam todo o trajeto. Incrível! O céu estava azul, e a água tranquila refletia tudo e todos. Como um espelho. Os pássaros cantavam. Magico! A vegetação predominante na Chapada é a caatinga. Podendo variar entre o cerrado, o pântano e a vegetação rasteira.
Chegamos no encontro do rio Santo Antônio com o Rio Remanso. Era hora de começar a caminhada. Fomos andando pelo rio até chegar na entrada da trilha. Eu estava de tênis e não queria molha-lo, afinal vou usá-lo mais 6 dias. Tive que ficar descalça e o chão nessa parte do trajeto é cheio de pedrinhas. Deu para sofrer um pouco. Continuamos caminhando pela trilha, agora calçada, até chegar na casa da Dona Val, uma nativa que abre as portas da sua casa – ex residência de um garimpeiro – para os turistas almoçarem.
Optamos por seguir a caminhada até as Bacias do Roncador e almoçar depois. Vimos muitas coisas diferentes no caminho. Como o cacto chique-chique que possui uma flor que se vira para o oeste, onde o sol se põe, e serve de bússola para quem está perdido. Comemos algumas frutinhas típicas, que agora não me recordo o nome. Finalmente chegamos no Roncador. E que lugar maravilhoso. As águas do rio caem pelas formações rochosas formando bacias naturais. O mais encantador é que a água é escura devido à presença de tanino, deixando os buracos escuros. Senti um friozinho na barriga ao entrar pela primeira vez. Mas foi incrível!
Aproveitei para pular de uma pedra em uma das bacias maiores. Senti uma sensação de liberdade misturada com medo. Afinal pulei em um buraco negro enorme e cheio de água. Ficamos por lá acredito que umas 2 horas no máximo. Retornamos para a casa da Dona Val cheios de fome. A comida típica é feita no fogão a lenha. O cardápio de hoje, era: arroz com açafrão, feijão, salada, farofa de banana, abóbora, carne de sol, peixe empanado, godó de banana e palma (espécie de cacto rico em ferro e vitamina A) – nas épocas de seca, os garimpos davam a palma para o gado comer. Posteriormente acabou servindo de alimento para eles também. Estava tudo maravilhoso! Comi um prato cheio e ainda repeti. Gratidão, Dona Val!
Partimos de volta para o local onde ficou a van. Andamos, andamos, andamos… Na volta é sempre mais cansativo. Minhas pernas estavam pesadas. Comecei a sentir a canseira. Os pés doeram muito mais nas pedrinhas do Remanso. Seguimos em frente passando novamente pela comunidade. Chegamos ao ponto final e dali partimos para Igatu. No último texto eu disse que hoje iríamos para Mucugê, mas acho que eu estava delirando de sono. Rs. Estou em Igatu, uma vila bem pequena, com no máximo 800 habitantes – mas falo dela no texto de amanhã.
19:30 pm
Jantamos na pousada, pois a cidade não tem muita infraestrutura.
21:40 pm
Estou mega cansada. Já estou deitada terminando esse texto. Amanhã acordamos ainda mais cedo, pois saímos mais cedo para conhecer as ruínas de Igatu e depois seguimos para o Poço Encantado e Poço Azul. Será demais! Até breve, galera!
Curiosidades:
– Lençóis nasceu através do garimpo. Foi sendo povoada e conquistou o posto de cidade. Porém, o garimpo estava acabando com as nascentes e prejudicando o rio Santo Antônio que abastece a Chapada Diamantina, considerada a caixa d’Água da Bahia. Por isso o garimpo foi proibido. E hoje Lençóis sobrevive do turismo. Segundo o Eugênio, nosso guia, os turistas são os novos diamantes da Chapada.
– O rio Paraguassu é a maior bacia hidrográfica da Chapada.
Obs: hoje conversamos sobre o incêndio de grandes proporções que atingiu a Chapada no final de 2015, início de 2016. Mas isso é assunto para outro texto.
 
DICA:
– Leve um cantil térmico com água. Por que ela esquenta muito e você acaba não bebendo. Quando chegamos, eu virei uma garrafinha de 500 ml gelada, em um minuto. Juro!
– Aqueles sapatinhos, que tem solado embaixo de borracha e é tipo uma meia de lycra em cima (não sei o nome) são uma ótima opção para esse passeio.
– Repelente e
muito protetor.
– Boné ou chapéu.

Diário de Bordo: A chegada em Lençóis – BA

Acordei às 4:30 am deste domingo (11) e fui para o aeroporto. Meu voo estava marcado para as 6:35 am. Porém, atrasou e saímos às 7:10 am. Foram 30 minutos esperando dentro do avião e eu caindo de sono. Não conseguia ficar com o olho aberto. Tinha dormido super pouco na noite anterior e em todas as outras desta semana. Pessoa ansiosa não sabe o que é dormir quando tem algo bom ou ruim para acontecer. Essa é minha vida!

Decolamos! Cheguei no aeroporto de Salvador às 9:30 am, mas na verdade era 8:30, por que aqui na Bahia não tem horário de verão. Meu segundo voo para Lençóis estava marcado para as 11:55 am, ou seja, tinha tempo pra cacete ainda. Dei um role e comi um kibe minúsculo que custou R$ 3,50. Quando você é mochileiro cada centavo é importante e comecei a aprender isso logo no primeiro dia. O preço das coisas no aeroporto é quase um assalto à mão armada. Quando o dinheiro é curto você começa a reparar. E eu fiquei chocada!

A única coisa que eu não resisti e tive que comprar foi um livro. “O ano mais revolucionário da música – 1965”. Pensa em um livro foda. Nele o autor não fala só sobre a influência musical na época, mas também sobre questões raciais, políticas, sexuais e espirituais. Questões como o feminismo, a pílula anticoncepcional, as drogas e o LSD também são abordadas. Enfim, tudo o que envolveu esse ano, que foi essencial para que tivéssemos tudo o que temos hoje com relação a diversas áreas das nossas vidas.

Depois de comprar o livro sentei em frente ao portão de embarque. Ainda faltava mais de 2 horas para meu voo. Entre as páginas que eu lia, comecei a reparar nas pessoas que entravam para embarcar. Vi pessoas se despedindo e chorando. Algumas ficavam e outras iam embora. Olhando aquelas cenas compreendi que por mais que a dor da separação seja grande, ela nunca será maior do que a nossa ânsia por novos horizontes. Ali eu vi pessoas livres. De alguma forma elas são.

11:55 am. O avião decola sentido Lençóis, na Chapada Diamantina. Me sinto entrando de verdade na viagem. Quando começamos a sobrevoar a região da Chapada senti um frio na barriga e uma emoção enorme em ver uma área enorme de natureza. Cara, era muito verde! Muita árvore! Fiquei encantada. Pousamos no aeroporto. Vim com os guias para a cidade e me hospedei na pousada Pouso da Trilha. Aqui tudo é simples e rústico. Mas o lugar é aconchegante e acolhedor. A dona já me recebeu com um suco de tamarindo maravilhoso. Foi a primeira vez que experimentei.

Tomei um banho e sai dar uma volta pela cidade. Lençóis é pequena, tem cerca de 7 mil habitantes, podendo chegar a 12 se somarmos a população dos distritos. Dei umas três voltas pelo centro histórico. Estava um sol de rachar. Aqui as ruas são todas de pedras. As calçadas são estreitas e altas. As arquiteturas das casas são todas típicas e com cara de Bahia. Tudo muito colorido. Visitei a igreja do Senhor dos Passos, o padroeiro dos garimpeiros. A Chapada Diamantina já foi um garimpo, onde eram extraídos diamantes da região.

Enfim, a tarde conversei com algumas pessoas, como o Negão, um homem que veio puxar papo comigo e me contou algumas curiosidades sobre a cidade. Como a história de que em uma das ruas de Lençóis havia um cabaré. Até hoje mulheres casadas evitam passar por esse local, pois sentem vergonha do que acontecia ali. Ele me disse também que o rio que corta o município já foi tão cheio ao ponto de inundar a Praça das Lagoas – lugar que abriga o rio.

Hoje o dia foi cansativo. No final da tarde dormi um pouco e depois sai para jantar. Escolhi um restaurante não muito caro e que oferecesse alguma refeição típica. Não queria comer pratos que eu como em SP. Escolhi o Restaurante Comida Nativa e pedi o prato de godó de banana com carne seca. Confesso que esperava algo mais saboroso, mas estava bom. Comi tudo! Tomei uma cerveja e fui dar um rolezinho. Achei o máximo ver os cachorros parados cada um em uma mesa esperando para ganhar algum petisco. Aqui tem muito dog.

Fui ao mercado municipal, onde fiquei sabendo que toda noite tem artesanatos para vender. Me identifiquei com a barriquinha do Evandro. Comprei algumas coisas e ganhei uma pulseira. Conversando descobri que ele é de Sergipe e está morando na Bahia há 16 anos. Não sabemos por que, mas concordamos que esse estado tem uma magia única. Ele me disse que os paulistas sabem valorizar a arte e que nós somos seus melhores clientes. Seja aqui nas terras baianas, ou lá no sul.

Depois de comprar os artesanatos fui caminhando e sentei em uma pracinha que fica no caminho para a minha pousada. Fiquei ali um tempo escrevendo no meu Diário de Bordo de mão. Aqui é muito tranquilo. Me senti segura o tempo todo. Seja de dia ou à noite. Por volta das 21 horas voltei para tomar banho. Agora, 23:38 pm estou terminando de escrever esse texto. Preciso urgente dormir. Por que, além de eu estar exausta, amanhã começam os passeios pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina. Levanto às 7 horas da matina e já sigo com as malas, pois a segunda parada é a cidade de Mucugê!

Nos vemos em breve! 😉