Worldpackers: a sua viagem mais barata e cheia de aprendizado

Todo viajante sonha com promoções de passagens aéreas e descontos em hospedagens. Quanto mais viagens você faz, mais aprende a economizar para conhecer lugares novos e ganhar experiências inéditas. Pensando nisso, dois amigos amantes de viagens idealizaram uma empresa que possibilitasse a troca de serviços por hospedagem e outros benefícios. Parece um sonho? Sim, mas ele já é real e tem ganhado o mundo todo.

Como funciona?

O primeiro passo é se cadastrar no site: www.worldpackers.com. Você pode ser viajante ou anfitrião. Ou seja, pode procurar uma viagem ou oferecer. No caso do anfitrião, a pessoa interessada deve ter no mínimo um local para oferecer como hospedagem – na maioria das vezes são hostels. Como a empresa trabalha com trocas, os dois lados terão recompensas e obrigações. Basicamente o anfitrião poderá dar alimentação completa (café da manhã, almoço e jantar), parcial ou nenhuma, lavanderia, descontos em festas, tours pela cidade, opção de cozinhar a própria comida no local, etc. Resumindo são diversas as possibilidades. Alguns anfitriões oferecem muitos benefícios, outros quase nenhum.

Com relação às obrigações do viajante, são três os tipos de serviços: comunicação e marketing (fotografia, videomaker, desenvolvedor web, redes sociais), trabalho social (ONGs, escolas com crianças carentes, ensinar idiomas, etc.) e por fim, serviços gerais (recepção, ajudante de limpeza, consertar coisas, pintura, jardinagem, etc).  Na página do anfitrião também constará quantas horas deverão ser trabalhadas por dia ou por semana e quantos dias livres o viajante terá. Outra questão importante é o quarto, que na maioria das vezes é compartilhado. Alguns anfitriões oferecem dormitório privativo para o viajante, mas já adianto que esses são minoria.

O mais bacana é que é possível viajar o mundo todo ou receber pessoas de todas as nacionalidades através da Worldpackers. Se você possui um hostel, por exemplo, e precisa de uma ajuda na recepção, pode convidar viajantes para serem voluntários no seu negócio e conhecerem a sua cidade. De quebra ainda conhece outra cultura através da convivência diária com o viajante. Por outro lado, se você deseja viajar para a Índia, mas está meio sem grana e quer economizar em hospedagem e em outros itens, pode procurar por viagens no país e ver qual anfitrião tem mais a ver com você. Basta um clique para abrir o site e você passará algumas horinhas sonhando alto com tantas oportunidades.

Quanto custa?

A empresa cobra uma taxa que varia entre US$ 10 e US$ 50 (dez e cinquenta dólares) por viagem aplicada e o valor pago pelo viajante é feito através do site usando cartão de crédito. Com esse pagamento, a Worldpackers visa firmar um compromisso com o viajante, para que o mesmo não dê “um cano” no trabalho. Para participar, seja como anfitrião ou como viajante, é preciso preencher o cadastro com informações gerais como idiomas que fala, experiências, viagens já realizadas, etc. É como se fosse um currículo. Desta forma o viajante pode escolher seu anfitrião e vice-versa, salientando que ambos precisam aceitar um ao outro para confirmar a viagem.

Obs. importante: questões burocráticas como visto, passagens aéreas ou seguro de viagem ficam por conta do viajante, a Worldpackers não se responsabiliza por essas etapas da viagem.

É seguro?

No site da Worldpackers é possível conversar com viajantes e anfitriões que deixam seus depoimentos após as viagens realizadas. Recentemente, a empresa foi tema de uma matéria no Globo Repórter, programa transmitido às sextas-feiras na emissora Globo de televisão e afirma ter mais de 700 mil viajantes cadastrados em mais de 172 países de todo o mundo. Disponibiliza, também, um aplicativo e um sistema de avaliações que, assim como outras plataformas, serve de referências para quem está pensando em viajar ou contratar um viajante.

 

 

 

Na aldeia eu aprendi a SER e deixei de TER

Sempre sonhei em visitar uma aldeia indígena, e meu grande sonho ainda é conhecer os índios nativos da Amazônia. Aqueles que, por sorte, não são civilizados e não têm contato com essa sociedade consumista e capitalista em que vivemos. Mas o primeiro passo já foi dado e tive a oportunidade de ter contato com os indígenas de uma tribo do litoral sul de São Paulo, em Peruíbe.

Quem me acompanha sabe que de uns anos para cá passei a entregar minha vida ao Universo e confiar no que virá. Confesso que tenho sido muito grata pelo que tenho recebido. A vida não falha no quesito nos dar aquilo que precisamos receber, basta sabermos enxergar e usufruir da maneira correta. E mais uma vez foi o que aconteceu. Uma colega compartilhou no Facebook um evento que aconteceria no carnaval, um projeto de permacultura, bioconstrução e tradições indígenas, em Peruíbe. Mais precisamente na Aldeia Awa Porungawa Dju.

Passados todos os acontecidos até que eu sentisse que era para ir, comecei a pesquisar os ônibus que teria que pegar para chegar à Aldeia. E foi nesse ponto que as peças começaram a se juntar. Postei no evento que estava procurando uma carona saindo de São Paulo, pois iria de bus até lá e queria evitar ir sozinha até Peruíbe. Se encontrasse uma campainha que fosse, já estaria ótimo, afinal chegando lá eu nem fazia ideia de quanto teria que andar até chegar à tribo. Foi quando a Rafaela, uma menina ruiva linda que até então eu não conhecia, me chamou no inbox do Face e disse que tinha conseguido uma carona com um cara e perguntou se eu tinha interesse. Eles iriam de Kombi.

O quê? Meu coração até parou por alguns segundos. Cara, esse era meu segundo sonho: fazer uma trip de Kombi com desconhecidos. O Universo só podia estar de brincadeira comigo. Inacreditável! Já senti a sintonia na hora que a Rafa comemorou esse fato comigo. Era pra ser. A Vivência na Aldeia começava no sábado (25), às 10 horas da manhã. Saímos de Campinas na sexta-feira (24) à noite e é aí que começa nossa aventura cheia de energias positivas, encontros e reencontros.

Let´s go, Freeda

Partimos em quatro pessoas: eu, a Samanta, a Rafaela e o Luís com Z, que na verdade se chama Henrique, vulgo dono da Freeda, nossa Kombi preferida. Não nos conhecíamos, nunca havíamos nos visto ao menos uma vez e a partir do momento que a porta fechou e demos partida no motor, era como se já nos conhecêssemos há anos. Música, risadas, brincadeiras, comida, trânsito e muito amor foram os ingredientes da nossa trip até Peruíbe. No final da madrugada paramos para descansar em um posto de gasolina. Eu já estava no quinto sono quando o Henrique nos acordou dizendo que estavam montando uma feira em volta de nós. Acreditem! Acordamos e seguimos viagem.

Chegando na Aldeia

Por volta das 5:30am, chegamos em Peruíbe. Ainda estava escuro, mas o céu começava a clarear. Paramos a Freeda e andamos até a praia. Fomos recebidos com um nascer do sol maravilhoso e mágico. De um lado, o astro rei surgindo e do outro, um arco-íris trazendo cor ao nosso carnaval. Incrível! Quando o sol já estava alto, encontramos o Marquinhos da organização da Vivência que, graças aos encontros da vida, nos ajudou a desatolar a Freeda. Tentamos atravessar um trecho de areia fofa e o que já era previsto, aconteceu, atolamos. Mas com muita risada e força conseguimos tira-la dali.

Chegamos na Aldeia. Encontramos um lugar embaixo de uma árvore grande e montamos nossas barracas. Não muito tempo depois, chegaram mais duas meninas (sim, Renata, você é uma menina). Sugerimos que elas ficassem ali conosco, e assim surgiu mais uma conexão. Gessana vinha de Santa Catarina e a Renata, de São Paulo. Os índios nos receberam com muito amor e carinho. Logo de cara já fumamos o cachimbo do Pajé Guaíra. Durante a Vivência algumas famílias de outras aldeias ficaram conosco, incluindo muitas crianças.

Os índios dessa comunidade já são muito civilizados, até por estarem cercados pela civilização. A cidade está bem próxima e as crianças já frequentam escolas “normais” a partir do ensino fundamental. Então, é inevitável que sejam contaminados pelos nossos costumes. O Vitor, um indiozinho da aldeia, até me disse que adora Chiquititas. No entanto, é extremamente proibido levar bebida alcóolica para dentro da tribo, pois graças ao homem branco, que usa isso como moeda de troca, o alcoolismo se tornou comum entre os índios. Assim como o abuso do uso de drogas.

Na Aldeia não possui água encanada, então para a Vivência, a organização levou duas caixas d’água, que precisavam durar até o final. Era isso que garantia o banho de 25 pessoas mais os índios. Ou você aprende, ou aprende a economizar. O chuveiro de água gelada durou um dia. A partir daí tomávamos banho de uma torneira que saía da caixa e que alguém precisava ficar abrindo e fechando para controlar o consumo. Banho à noite só no escuro. Nós entrávamos no mar todos os dias, então precisava lavar o cabelo depois, mas só com shampoo para não desperdiçar água. O creme vinha depois, daquele jeitão.

Quanto a isso, para mim foi tranquilo. Estou acostumada com banho pior nos festivais que já fui. O banheiro foi uma novidade. Criaram duas casinhas com banheiro seco. Para quem não conhece, assim como eu não conhecia, nada mais é do que duas “privadas” sem água. E não é fossa. Todo dejeto despejado ali é reutilizado. O xixi é tratado e o cocô vira adubo. Como? Ao invés de dar descarga e liberá-lo no meio ambiente, ele fica depositado em um balde, onde você, após defecá-lo, joga serragem em cima. Isso ajuda a diminuir o odor e a iniciar o processo de compostagem. Ressaltando que cada item era feito em uma privada diferente. Xixi aqui! Cocô ali! O papel higiênico era jogado no balde das fezes, pois ajuda na compostagem.

Nossa alimentação foi toda vegetariana. Zero carne. Zero origem animal. Exceto pelo pão francês maravilhoso de todos os dias. Os alimentos eram levados todos os dias, pois a energia elétrica por lá é escassa. Duas mulheres maravilhosas cuidavam das nossas quatro refeições diárias e fazíamos fila para nos servirmos. Não senti a mínima falta da nossa comida, mas confesso que o chocolate e um suco qualquer vinham na minha mente no final. Lá só bebíamos água temperatura ambiente. Ambiente praia. Ah, e café e chá, que por sinal eram deliciosos. Pegávamos a comida e sentávamos na canga, no chão, embaixo da árvore. Sem correria, sem celular, sem televisão, apenas nós. Apenas conexões humanas.

Durante o dia fazíamos duas atividades: uma dinâmica em grupo e outra atividade manual. As dinâmicas foram incríveis, nos aproximaram dos índios e de nós mesmos. Utilizando barro, ajudamos a construir a Casa do Fogo da Aldeia. Através da bioconstrução, fizemos os bancos e o chão de barro. Com toda certeza foram momentos de muita união e satisfação. Durante toda construção, o Pajé tocava violão e cantava em Tupi Guarani. Pode parecer besteira, mas era muito emocionante. Todas as músicas são como orações para eles e todas falam de Deus e da Mãe Natureza.

Toda noite, os índios faziam uma fogueira no centro de um círculo de banquinhos improvisados com troncos de árvores. E ali jantávamos e passávamos algumas horas conversando sobre as tradições indígenas e cantando ao som do violão, que a Gessana toca como ninguém. Alegria pura e verdadeira. “Sem luz, sem energia. Sem carro, sem correria”. Vivemos tanta coisa em tão poucos dias, que eu precisaria escrever um livro para relatar cada momento e cada detalhe dessa Vivência. Só o coração e a alma irão saber e lembrar-se de tudo o que foi vivido.

No último dia cada grupo apresentou uma peça de teatro em silêncio, sem falas, contando alguma lenda indígena. E o outro grupo precisava adivinhar qual era, ou pelo menos explicar com clareza o que havia acontecido na cena. Os índios assistiram a tudo. Após as apresentações era hora de dizer até logo, pois adeus é muito tempo. Sentamos todos no centro da Casa do Fogo, de frente para o lado de fora e, nesse momento, a emoção bateu forte. Os índios andavam em círculo, nos rodeando, tocando e cantando uma canção linda que falava sobre os indígenas e a natureza. As lágrimas escorrem mais uma vez dos meus olhos agora. Não sei explicar exatamente o porquê, qual o motivo exato, só sei que a pureza, o amor, o cuidado e o respeito, realmente nos tocam.

Na hora, lembro que senti uma emoção muito forte crescer dentro de mim. Chorei não de tristeza, mas de alegria. Chorei com amor. Eu, que no primeiro dia não sabia como reagiria a tudo aquilo, não queria mais ir embora. Não lembrava mais de nada, do meu conforto, dos meus bens materiais, nada. Acho que essa emoção era meu ego se desconstruindo mais uma vez. Era meu SER falando mais alto. Estava livre de todo apego egótico e só sabia sentir o que verdadeiramente importa na vida: a essência. Sentia-me livre para ser.

Amizades e (re)encontros

A nossa intenção, viajantes da Freeda, era ficar na praia mais um dia, já que a Vivência terminava na segunda-feira de carnaval às 14 horas. Pretendíamos ficar dormindo na Kombi mesmo até terça-feira à noite, e aí, então, seguir viagem de volta à selva de pedra. Assim deixamos acontecer, sem planejar nada. E como o Universo faz tudo certinho, colocou nosso querido amigo, Andrey no nosso caminho. Ele ofereceu sua casa em Itanhaém para dormirmos e curtirmos a praia mais um tempinho. E, o grupo que era de quatro pessoas, passou a ser de sete. Sim, sete, a Gessana e a Renata ficaram conosco.

Sabe quando você encontra uma pessoa, a qual a conexão é tão grande, que parece que vocês já se conheciam há anos? Então, eu encontrei seis pessoas dessa, de uma vez. E a partir daí, eu prefiro deixar apenas nas nossas memórias tudo o que vivemos em um dia e meio de praias, picos e rolês na Freeda. A vida é mesmo foda quando quer colocar as pessoas certas, nos momentos certos, nos lugares certos. GRATIDÃO! Awete!

E… nos vemos em breve!

Diário de Bordo: Dicas para uma trip pela Chapada Diamantina

Essa foi minha primeira viagem sozinha e minha primeira trip de trilha de montanha. Óbvio que cometi vários erros. Mas graças a isso agora tenho uma bagagem de experiências maior e posso compartilhar com vocês tudo o que sei sobre essa trip incrível.


1 – Planejando a  trip: 

Primeiro de tudo: quanto tempo você tem disponível para curtir a Chapada? Uma semana é pouco para conhecer aquele lugar mágico. Então, é preciso analisar com calma quais lugares serão visitados e dividir bem o seu time, caso ele seja curto. A melhor escolha é pernoitar sempre nas cidades mais próximas aos passeios do dia, isso não irá economizar apenas horas do seu dia, mas também disposição.

Exemplo:

1º dia – Lençóis – Pernoite em Lençóis (chegada). Leia mais AQUI!

2º dia – Remanso, Bacias do Roncador – Pernoite em Igatu. Leia mais AQUI!

3º dia – Poço Encantado e Poço Azul  – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

4º dia – Cachoeira do Buracão – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

5º dia – Trekking Guiné ao Capão – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

6º dia – Cachoeira da Fumaça e Riachinho – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

7º dia – Torrinha, Grutas Azul e Pratinha, Morro do Pai Inácio, Lençóis – Pernoite em Lençóis. Leia mais AQUI!

8º dia – LENÇÓIS (partida).

O roteiro acima foi o que eu fiz agora em dezembro. Vocês podem ver que pernoitei em quatro cidades diferentes. Partíamos de manhã para os passeios já com as malas – que ficavam na van – e no final do dia íamos para a próxima cidade. Sem muito sossego, mas menos cansativo do que viajar longas distâncias todos os dias. Fizemos o roteiro Volta ao Parque da Chapada Diamantina em 8 dias e achei ótima a divisão dos dias. Sem contar que cada dia era uma surpresa diferente, nenhum passeio foi igual ao outro.

OS GUIAS:

Durante a viagem eu vi algumas pessoas fazendo trilhas sozinhas. Porém, a não ser que você já conheça bem a Chapada, eu não aconselho. Eu contratei a agência de turismo Venturas para me conduzir por lá. Acho que minha viagem não teria sido a mesma sem os guias. Passávamos praticamente 12 horas ao lado deles todos os dias e recebíamos uma enxurrada de informações sobre a região. Algumas coisas eu tive que anotar para não perder no meio de tanto conhecimento adquirido. Por isso acho válido contratar um guia local.

Lembrando também da sua segurança, que é o mais importante. Qualquer problema, como um acidente de trilha – que é bem comum -, os guias irão resolver rapidamente. Eles conhecem a região, as trilhas, o clima e irão garantir que você não perca tempo e não passe perrengue – não muito, pelo menos. Sem contar que eles sabem os picos mais loucos e podem te garantir se são seguros ou não. Se você pode ou não pular de uma cachoeira, por exemplo. Opte por um guia e não irá se arrepender.

A LOCOMOÇÃO:

Dependendo da sua disponibilidade, você pode ir de carro ou não. Para quem mora perto, talvez seja viável ir com condução própria, pois você fica mais livre para rodar por lá. Contrata um guia local para ir no banco do passageiro e tudo certo. No aeroporto de Lençóis vi que o aluguel de um veículo sai por R$ 90 a diária. É uma opção para quem vai de aéreo e pensa em locar um carro por lá. E para quem não quer saber de dirigir, as agências de turismo oferecem todos os transfers inclusos nos pacotes. Ou seja: sem preocupações! As vans da Venturas são novas e com ar-condicionado.

A HOSPEDAGEM:

Geralmente as agências já oferecem as opções de hospedagens dentro dos pacotes dos roteiros. O legal é que elas têm parcerias com determinadas pousadas, o que acaba barateando um pouco o valor final das diárias. Eu pernoitei em quatro pousadas diferentes. Veja minhas avaliações sobre cada uma:

Pouso da Trilha (Lençóis): pousada com quartos mais simples. Sem TV, sem ar-condicionado. Apenas com ventilador. Dormi em dois quartos diferentes: o primeiro era muito pequeno, já o segundo, eu achei ótimo. O café da manhã é bem diversificado e em um ambiente muito agradável. O atendimento e recepção também são impecáveis. Pertinho do centro.

Pousada Pedras de Igatu (Igatu): é a única pousada da vila. Achei espaçosa e com uma vista linda. Jantar e café da manhã bons. Também não possui TV e ar-condicionado, apenas ventilador. Quartos espaçosos. Gostei bastante! Próxima de tudo, já que Igatu é mega pequena.

Pousada Monte Azul (Mucugê): minha segunda pousada favorita da Chapada. Café da manhã completo. Quarto bonito e grande. TV e ventilador. Ela fica situada em frente ao cemitério bizantino, a visão é linda. Também gostei da decoração. Ótimo atendimento. Bem próxima do centro.

Pousada do Capão (Vale do Capão): disparada a mais encantadora. Lamentei não ter conseguido curtir mais o lugar. A pousada é enorme. Tem riacho para banho, balanço, lago, área para fogueira, sauna, massagem, dentre muitas outras coisas. Sem contar que fica no meio dos morros e a visão é magnífica. Para quem curte natureza, com certeza vai amar. Café da manhã completo, também. Opções de quartos simples e com ar-condicionado (com visão para os morros do Capão). Ótimo atendimento. Mais ou menos 7 km da Vila.

A ALIMENTAÇÃO:

Dependendo do roteiro que você escolher, irá passar praticamente o dia todo nas trilhas. O café da manhã está incluso em todas as pousadas, ok. Agora você precisa pensar na sua comodidade para realizar as outras refeições, já que irá gastar muita energia e disposição curtindo os passeios. Confira a opção do roteiro que eu fiz com as refeições já inclusas:

1º dia – Aéreo (refeições livres).

2º dia – Café da manhã, Almoço, Jantar.

3º dia – Café da manhã e Almoço.

4º dia – Café da manhã e Lanche de Trilha.

5º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

6º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

7º dia – Café da manhã e Almoço.

8º dia – Café da manhã (dia de aéreo).

Todas as refeições citadas acima estavam inclusas no pacote. Os lanches de trilha eram completos: fruta, proteína, lanches, bolos, doces, barra de cereal, suco de fruta, etc. Dava para dividir entre almoço e lanche da tarde, por exemplo. Achei excelente. Os três almoços foram em restaurantes que ficam nos mesmos lugares dos passeios do dia. O primeiro, inclusive, foi na casa de uma nativa, com comida típica. Muito bom. Você chega com o guia e já está tudo pago, podendo comer a vontade. Apenas a bebida fica por sua conta. Os jantares são nas pousadas e também é permitido comer quanto quiser.

Nos dias que não têm determinadas refeições você pode conhecer os restaurantes da cidade em que estiver. Em Mucugê eu sugiro o Point da Chapada. A pizza e a moqueca são sensacionais. Vale experimentar. Porém, eu achei muito válida a ideia de já ter todas as refeições garantidas, pois tem dia que você chega tão cansado que não quer sair andar – mais do que já andou o dia todo. Poder comer e curtir a pousada sem se desgastar mais é uma ótima pedida. Portanto, fica a dica!

 

Valor total do roteiro “Volta ao Parque Nacional em 8 dias” com tudo o que foi citado acima: R$ 3.391 (para uma pessoa).

Incluso:

– Translados (durante toda a viagem);

– Hospedagens;

– Refeições mencionadas;

– Taxas (quando necessário);

– Guia;

– Seguro viagem.

* Aéreo não incluso.

2 – Escolhendo o roteiro:
Essa é uma das viagens mais procuradas do Brasil. Então, avalie bem os lugares que quer conhecer. Não leve em consideração apenas se o passeio é o mais visitado ou não. Analise o nível de dificuldade para chegar até ele e veja se condiz com seu preparo físico. Existem trilhas leves e pesadas. Nem todo mundo aguenta concluir todas. Não perca um dia de viagem. Monte um roteiro que você consiga concluir. E se você for daqueles iguais a mim, que encara tudo, opte pelos mais “uau” – pelo menos na primeira ida a Chapada. Uma semana por lá não é nada. Um mês não seria suficiente para conhecer tudo.
3 – O que levar:

COLOQUE NA MALA:
– Meias altas (as baixas podem causar bolhas nos seus pés);
– Protetor solar;
– Repelente;
– Capa de Chuva;
– Remédios para dor e alergia;
– Proteção para os pés (fitas adesivas);
– Cantil térmico (a água ferve na garrafa comum);
– Chapéu (você irá usar TODOS os dias);
– Bota de trilha (tênis comum escorrega muito);
– Calça confortável (de preferência aquelas larguinhas que viram shorts);
– Blusas de manga comprida e com proteção contra raios solares (especiais para isso);
– Bastão de trilha (ajuda demais nas subidas e principalmente nas decidas);
– Máquina fotográfica (invista em uma boa);
– Capinha de celular à prova d’Água (parece besteira, mas você vai querer uma lá);
– Roupas largas e confortáveis em geral;
– Roupa de banho;
– Lanterna;
– Chinelo;

– Uma blusa de frio.

 

4 – Sugestão a+:

Esqueça as noitadas, a Chapada é um destino de natureza. Você irá aproveitar muito mais o dia. À noite aproveite para descansar. Esqueça a dieta e experimente as comidas típicas da região. Desfrute dos guias, eles têm muitas histórias para compartilhar e muita informação sobre tudo. Converse, pergunte, absorva. Desencane de celular e tecnologias em geral (menos da sua máquina fotográfica). Olhe em volta, inspire a natureza.  Se for para Mucugê experimente a pizza do Point da Chapada.

Ande com cuidado pelas montanhas e evite pequenos acidentes que podem estragar sua viagem. Se hidrate! Tome cuidado com o “maçarico baiano” (sol). Rs. Ninguém quer pegar uma insolação. Coma bem no café da manhã, pois o dia é longo e puxado. Preserve a natureza, recolha TODO o seu lixo.

Diário de Bordo: O que a Chapada Diamantina deixou em mim

Eu sempre tive dentro de mim a vontade de me aventurar. De viajar sozinha. De conhecer o desconhecido. E sempre amei a natureza – hoje muito mais. Quando decidi que era a hora de dar um passo diferente na minha vida, a Chapada Diamantina caiu no meu colo. De cara não foi a minha primeira escolha de destino. Mas sinto que tudo aconteceu como era para ser. Tinha que ser ela.

Quando eu comecei a pesquisar sobre o lugar e vi as fotos – me conhecendo bem – sabia que iria me emocionar. Mas não tinha ideia da dimensão dessa emoção. Os meus amigos que leem meu blog e são da minha cidade, sabem que lá é bonito demais. Estou acostumada com a natureza. E a ver paisagens. Porém, o sentimento é totalmente diferente. O deslumbramento é outro.

Acredito que estar sozinha contribuiu para que tudo fosse como foi. Eu estava livre. Nada do que ficou em Botucatu me prendia. Era eu e o novo: pessoas e lugares. E por que não sentimentos? Me permiti viver e sentir. Me mantive aberta para receber o que viesse. Quando você viaja com alguém que já faz parte do seu ciclo, acaba se fechando ao mundo particular de vocês. Já quando está sozinho se abre para o mundo de quem se aproximar de você. E isso é incrível!

Cada pessoa que eu convivi nesses sete dias deixou um pouquinho de si comigo. Conheci pessoas muito diferentes de mim e aprendi a lidar com isso. A respeitar. A ajudar! Aprendi que a coletividade é essencial, principalmente na montanha. Tive a sorte de viajar com um grupo de pessoas sensacional. O que fez toda a diferença na minha viagem. Me senti em casa!

Viajar sozinha é também uma viagem para dentro de si. Me conheci ainda mais: meus sonhos e sentimentos. Me emocionei diversas vezes sozinha. Sorri e agradeci sozinha. Só eu, o Universo e a Mãe Natureza. Quando você está acompanhada não vive só as suas emoções, mas as da outra pessoa, também. Quando está só, as sensações são puras. Exclusivamente suas. E isso não é egoísmo, é nosso direito. E dever!

Lá na Chapada tudo é imenso e intenso. Pelo menos a maioria dos lugares. Os que mais me deixaram extasiada eram imponentes. A natureza te mostra que você não é nada. E foi isso que me deixou sem fôlego a viagem toda. Mesmo nos meus sonhos mais profundos, eu não imaginaria que seria como foi. Tentei por diversas vezes transmitir para as pessoas tudo o que vi e senti, mas desisti. Não tem como. Acredito que nunca fui para um lugar que me trouxe tanta paz, como lá. Simplesmente amei! Foi minha melhor viagem até agora.

Diário de Bordo: Gruta da Lapa Doce, Pratinha e Morro do Pai Inácio

7:00 am

Café da manhã no Capão. Hora de arrumar a mala para o último passeio. O dia amanheceu com cara de segunda-feira. Rs. Estava com cara de despedida. Dessa vez o grupo estava completo. E às 8:30 partimos para as grutas. Alguns escolheram a gruta Torrinha e outros – inclusive eu – escolheram a da Lapa Doce. Eu optei por essa por ter uma dimensão maior. Queria sentir aquele “uau” com a grandiosidade.
Deixamos o pessoal na Torrinha e seguimos para a nossa. Chegando lá, recebemos uma lanterna cada um e descemos com o guia local. A gruta da Lapa Doce tem 42 km de extensão (mapeados), é a segunda maior do país. O Canal Off recentemente gravou um programa lá, que é possível acessar pela internet, no site deles.
Quando chegamos na entrada da gruta me senti minúscula. Atrás estava a luz e à frente um buraco negro. Era para lá que nós íamos. A entrada possui 72 m de altura. Seguimos caminhando. O chão era de areia, mas em alguns trechos víamos alguns montes de pedras. Segundo o guia, elas caíram do teto da gruta, devido a infiltração subterrânea. Pelo caminho fomos admirando as estalactites (no alto) e as estalagmites (no chão), que são como as “nuvens”, você consegue enxergar várias formas.
Para mim, a parte mais incrível foi quando chegamos no meio do trajeto e o guia pediu para desligarmos as lanternas. Eu nunca tinha visto aquilo na minha vida. Uma escuridão plena. Não enxergava absolutamente NADA. Nem um vulto. Nem a minha mão encostada no meu nariz. NADA! Todos ficaram em silêncio. Foi um momento assustador e encantador ao mesmo tempo. Foi como se eu tivesse mergulhado em uma tinta preta sólida, pois era isso que eu enxergava. Mil coisas passaram pela minha cabeça, uma delas, a vida de um cego. Imaginei perder a visão. E foi perturbador. Que experiência sensacional!
Acendemos as lanternas e seguimos. A saída estava logo à frente. Com as luzes desligadas eu também havia pensado se eu ou alguém se perdesse ali. Será IMPOSSÍVEL se mexer para tentar sair. Você perde a noção de tudo, de direção e de espaço. Quando andamos um pouco e avistamos a luz que apontava a saída, pensei: ela estava tão perto e não saberíamos nunca naquela escuridão. É, a natureza é mesmo poderosa!
14:30 pm
Almoçamos no restaurante da Lapa Doce. Sentei para comer embaixo de um umbuzeiro lindo. Sombra e brisa fresca. Que delícia! Todos alimentados, seguimos para a Fazenda da Pratinha. O lugar é como um parque. Tem tirolesa, flutuação, caiaque, pedalinho, etc. Você paga individualmente cada atividade, fora o valor da entrada. Eu fui só na tirolesa. Achei muito bonito o local, onde você cai é um lago de água cristalina. Visto de cima possui uma cor meio azul esverdeado. Porém, é de fácil acesso e tinha muita gente, principalmente por ser um sábado. Achei que perdeu o encanto. Vi pessoas tomando cerveja na água. Não curti. Virou um parque aquático, e na minha opinião, não é o intuito de quem está lá, né?!
16:30 pm
Partimos para o último passeio da trip. Não sei se eu estava feliz ou triste. Seguimos para o Morro do Pai Inácio. O tempo estava lindo. Para a nossa sorte. Chegando lá, comprei um suco de Mangaba – que eu conheci aqui na Chapada e amei – e uma cocada. Começamos a subir a montanha. Íngrime e cheia de pedras. Só para manter o padrão. Rs. Quando chegamos no topo soltei aquele “uau”de sempre. Rs. Pensa em uma visão 360ºC de todos os morros e vales em volta. Maravilhoso! Ventava absurdamente. Não dava para ficar “moscando”, por que uma rajada forte te derrubava. Lá de cima dava para ver o aeroporto. Bem pequenininho.
Esperamos para ver o pôr-do-sol lá de cima. E o Universo nos presenteou com um céu lindo. O incrível foi que só daquele lado o tempo estava bom, atrás de nós a chuva chegava sorrateira. Assistimos à despedida do astro Rei. E à nossa da Chapada Diamantina. Foi mágico!
Descemos correndo para o pé da montanha, pois a chuva estava chegando rápido. O tempo estava tão a nosso favor, que a água começou a cair assim que entramos no carro. Obrigada, Bahia! A partir dali seguimos de volta para Lençóis. Nosso ponto de chegada e partida. A vibe estava tão incrível que fomos todos cantando o trajeto todo.
18:40 pm
Chegamos em Lençóis. Ultima noite na Chapada. Eu saí apenas para comer um acarajé, que eu estava morta de vontade. Voltei rápido, pois estava chovendo. Inclusive foi o único dia que pegamos chuva. Acredito que ela veio para lavar a alma! Fiquei curtindo um pouco a pousada e depois dormi.
Fim de trip! 🙏🏼✈️
E nos vemos em breve. Até a próxima! 😘😊

Diário de Bordo: Pico da Cachoeira da Fumaça

7:00 am

Café da manhã na Pousada do Capão. Lugar lindo. O clima amanheceu gelado e úmido. Estava nublado para nossa alegria – aprendi que o sol é inimigo do trilheiro. Rs. Porém, na Bahia, o friozinho da manhã dura pouco. Bem pouco. Só as nuvens permaneceram para facilitar nossa trilha do dia.
8:30 am 
Partimos com apenas quatro dos nove integrantes do grupo. O restante preferiu fazer o plano B, pois a subida até a Cachoeira da Fumaça ia ser puxada. Fomos de van até o pé da montanha, o que demorou cerca de 20 min em estrada de chão. Para subir é preciso assinar um caderno, com seu nome, origem e o contato da sua pousada. Isso serve como controle, caso algum turista não retorne do pico.
Começamos a trilha. Logo de cara enfrentamos 2 km de subida íngreme. Pedra sob pedra – literalmente. Rs. Graças a Jah, o “maçarico baiano”, como diz nosso guia, não estava ligado e o céu permanecia nublado. O que facilitou muito, pois o sol desgasta demais. No caminho paramos em cinco mirantes para tomar água e recuperar o fôlego – e perdê-lo novamente ao avistar o horizonte. Rs.
Fim de subida. Os próximos 3 km (restantes) foram tranquilos. Apertamos o passo, mas o trajeto era mais plano, então não teve segredo. Fomos conversando sobre as histórias de aparições extraterrestres na Chapada. Durante nossas caminhadas – de todos os dias – recebemos muita informação dos nossos guias e de nós mesmos. Seria impossível transmitir tudo aqui. Algumas coisas só ficarão na mente. É muita bagagem intelectual.
Chegamos no pico da Fumaça, na parte de cima dela. Quando olhei para o horizonte já pensei: “Uau”. Estávamos em cima de um cânion. A cachoeira sai de um buraco no meio de um dos paredões (do que estávamos). Porém, o local da queda é tão alto que não dá tempo da água chegar nem na metade. O vento é tão forte que rebate a água para cima. Vez ou outra é possível sentir os pingos como se fossem da chuva. INCRÍVEL! Esse efeito das gotas subindo dá o efeito de uma fumaça mesmo, por isso o nome.
A parte mais surreal é deitar na pedra que parece um bico arredondado. Ela sai lá de cima do paredão e entra no meio do buraco do cânion em linha reta. Me arrastei até encostar minha mão na borda dela e conseguir olhar para baixo – enxergando o chão lá embaixo. Nesse momento, eu não tenho palavras para definir o turbilhão de sensações. É um misto de deslumbramento, adrenalina, medo, impotência… Enfim! Meu corpo tremia todo! As mãos suavam. Mas eu não queria sair dali de jeito nenhum. Mais uma vez fui surpreendida!
Quando você olha para baixo enxerga um pequeno – pelo menos visto lá de cima – lago rodeado por pedras em um tom de cinza escuro e muitas árvores. É uma imensidão. A queda da cachoeira possui 380 m de altitude. Então, eu calculo que a pedra em que deitamos deve ter cerca de 400 m. Venta demais. E o vento é muito forte. Meu óculos de sol quase saiu voando da minha cabeça quando eu estava em pé. É preciso ficar esperto, por que uma rajada pode até te derrubar.
Lá em cima tem vários mirantes em diferentes ângulos. Claro que essa pedra é a ” mais mais”. Paramos em mais alguns picos ali para contemplar e fotografar. Eu sentei “como índio” em uma pedra bem pertinho da lateral de um dos paredões. Ventava forte. Fechei meus olhos e agradeci por tudo o que estava vivenciando. Pela minha vida. Pela natureza. Agradeci por tudo o que não é material. Senti uma paz imensa invadir meu espírito. Aquele lugar é mágico. E não estou falando só do pico da Fumaça, mas da Chapada Diamantina inteira. Chorei novamente. De alegria e de satisfação. Me senti viva.
Porém, a permanência lá é rápida. Cerca de 1 hora mais ou menos. Pois são 4 horas de trilha, 2 para ir e 2 para voltar. Arriscar voltar à noite não é recomendado. Mas nós também queríamos visitar a cachoeira do Riachinho, então retornamos. Na decida o sol estava forte. Me dei conta disso quando vi que eu estava toda queimada. Com a marca do shorts, inclusive. Rs. Mas valeu cada esforço. Quando chegamos no “pé” da montanha, paramos para tomar caldo de cana. Delicioso.
Encontramos com o resto do grupo e fomos para o Riachinho. Lugar bonito e tranquilo. Ótimo para recuperar as energias da semana. Saindo de lá fomos para a Vila do Capão comer o tão famoso pastel de palmito de jaca. Eu detesto jaca, mas queria muito experimentar. Sempre ouvi falar que não tinha o gosto da fruta. Pensei: “Vamos ver qualé que é”. Paramos no Pastel da Dalva para comer e eu achei uma delicia. Realmente tem um gosto totalmente diferente. Bem temperadinho. Comi dois. Rs. E tomei uma Heineken. Comprei alguns presentes e fomos para a pousada.
20:00 pm
 
Jantamos comida típica na pousada mesmo. Eu estava exausta e dormi cedo. Foi a última noite no Capão. Lugar que ficará no meu coração.

Diário de Bordo: Travessia do Guiné ao Capão

6:00 am

Acordei em Mucugê. Na noite anterior já tinha deixado minha mochila arrumada, então tomei banho e café da manhã. Levantei mais cedo que o normal, pois queria pegar o Cemitério Bizantino aberto antes de partir para o Capão.
7:30 am
O cemitério – para minha sorte – ficava atrás da minha pousada. Atrás mesmo, de lá de dentro dava para vê-lo. Rs. Em 1855 houve uma epidemia de cólera em Mucugê e muitas pessoas faleceram. A igreja, por medo da contaminação, não permitiu que os corpos fossem enterrados no cemitério comum. Por isso, em cima de uma montanha, no fim da cidade, foram construídos novos túmulos. O interessante é que eles foram feitos em cima de rochas. Os grandes barões do garimpo trouxeram arquitetos estrangeiros para a construção.
Não é comum o turista querer conhecer o cemitério da cidade, mas esse tem uma história interessante. E os túmulos são muito bonitos. Alguns parecem igrejas. (Fotos no meu Instagram: ma_santos7). Os corpos também não eram enterrados inteiros, provavelmente eram depositados ali só os ossos. Fiquei uns 30 minutos lá dentro
8:20 am
Partimos rumo à comunidade do Guiné. A van nos levou até o pé da montanha, de onde sairíamos para a travessia até o Vale do Capão, em um trekking de 18 km – 7 horas caminhando. Andamos aproximadamente 1 hora de carro até o nosso destino. Eu não tinha ideia de como iria ser esse dia.
Chegando na montanha, o primeiro 1,5 km já foi uma subida. E não pense que é na reta, por que é íngreme e pedra sob pedra. Embaixo do sol e do calor da Bahia, meu rei. Rs. “Rapaaaiz”, achei que eu não ia dar conta, não. Rs. Paramos diversas vezes até chegarmos ao topo. O coração vai a mil. Além de tudo, as pedras são desniveladas, uma é super alta, outra é baixa e assim vai. A perna queima. E a mochila começa a pesar nas costas.
Superada a subidona, chegamos ao topo da primeira montanha, e a visão do horizonte começou a aparecer. Essa é uma das recompensas do trilheiro. Você está esgotado, mas quando alcança seu primeiro objetivo e visualiza aquele paraíso, nem lembra mais do cansaço. E foi assim o trekking inteiro. Cada hora era um “uau” diferente. Nós estávamos no topo de um morro (mais de um), avistando outras centenas deles, em uma visão de 360ºC. LINDO!
Andamos muito. Paramos em diversos mirantes, cada um com uma visão diferente. Avistamos o Vale do Pati – conhecido mundialmente pela sua travessia de 5 dias. Com o calor excessivo nossa água ficou “intomável”. Parecia que tinha sido esquentada no fogo. Horrível! Paramos no riacho das Galinhas para encher nossas garrafas. Aproveitamos para descansar um pouco também. O legal da montanha é que você enfrenta percursos muito diferentes. Subidas, descidas, retas… Mata, vales, pedras! Sombra, sol, vento. Rs.
A travessia é linda. Achei incrível andar e explorar as montanhas. É você e a natureza. Sem ter para onde correr. Rs. O esforço é grande, não é qualquer pessoa que aguenta, mas vale muito a pena. É uma superação física, mental e pessoal. E ver os outros integrantes do grupo se superando também é muito bom. A coletividade faz toda a diferença e isso você leva para a sua vida fora daqui.
Andamos, andamos, andamos… Por 7 horas! Chegamos no Vale do Capão. Essa é a parte mais recompensadora. Seu corpo está exausto, mas sua mente e seu espírito estão tinindo. Quem nos viu chegando na pousada disse que estávamos muito felizes. E sim, a trilha nos fez um bem danado. Eu não imaginava como seria. Se eu iria aguentar ou não. E concluir mais esse desafio foi sensacional. Me deu uma sensação maravilhosa por dentro. Ele te mostra que você é capaz, sim! E te faz sentir vivo.
 
19:30 pm 
Jantamos na pousada e depois curtimos um pouco a fogueira. Eu dormi cedo, pois estava mega cansada! Amanhã tem a trilha até o topo da Cachoeira da Fumaça!
Até breve! 😊

Diário de Bordo: Cachoeira do Buracão

6:57 am

O êxtase é tanto que acordei antes do despertador tocar. De novo! E eu sou daquelas que detesta acordar cedo. Mas aqui, se eu pudesse, nem dormiria. Meu desejo é aproveitar tudo ao máximo. Todos os minutos e segundos.
 
7:40 am
Sentei para tomar café da manhã, dessa vez sozinha. Fiquei escutando a conversa da mesa ao lado. Ontem eles tinham feito o mesmo passeio que eu faria hoje, a Cachoeira do Buracão. Confesso que nesse momento eu não fazia ideia do que me esperava. Terminei de comer e fui para o quarto terminar de arrumar minha mochila de trilha.
8:15 am
 
Saímos da pousada rumo ao Buracão. Percorremos 80 km de estrada de asfalto até Ibicoara. A vista era incrível nesse trajeto. As montanhas da Chapada embelezaram os dois lados do caminho em um vale magnífico. Paramos para ir ao banheiro e pegar o segundo guia. A partir dali rodamos mais 1 hora em estrada de chão. Sacolejando até. Rs. Esse foi o caminho mais longo de carro. Parecia que não ia chegar nunca. E minha bunda já estava doendo.
10:00 am
Chegamos na entrada do Parque – a cachoeira é protegida ambientalmente e por isso é cobrada e monitorada a entrada. Paramos o carro e seguidos a pé. É incrível, mas cada dia é uma surpresa diferente aqui. Nenhum dia é igual. Hoje a trilha foi totalmente diferente. A vegetação mudou para caatinga e enfrentamos muito “sobe e desce” por causa das pedras. Percorremos um trajeto beirando um rio lindo, que eles chamam aqui de “esparramado”, por ser bem largo e raso.
Seguimos descendo. No caminho paramos em três mirantes diferentes para ver as quedas do rio. Mais para frente contemplamos a cachoeira Recanto Verde. Ela também fica em uma espécie de buraco. Uma árvore enorme caiu em frente à queda d’Água, então é como se não existisse aquele lago que se forma embaixo da cachoeira. Só tem árvore e galhos. Diferente! Continuamos andando. Enfrentamos uma descida íngreme, com pedras e também duas escadas – muito retas – de madeira.
Finalmente chegamos! E agora começa a minha tentativa de descrever para vocês como foi o meu dia. O Buracão é um buraco enorme mesmo. Imagine uma montanha. Pense que houve um terremoto fortíssimo que provocou a abertura de uma fenda gigantesca no meio desta montanha inteira. E que por ela escapa aquele rio “esparramado” em uma queda de 100 metros. Embaixo se forma um lago enorme e muito fundo, escorrendo por entre as fendas como um rio novamente. INCRÍVEL!
O ponto que temos acesso pela trilha fica ao lado da cachoeira. Porém, existe um paredão enorme que impede a passagem. A única forma de chegar até lá é nadando. Pegamos os coletes salva-vidas – uso obrigatório – e seguimos nadando pelo rio escuro (mesma coloração do rio Roncador) entre as fendas. Essa experiência já foi surpreendente. Temos que nadar contra a correnteza, pois a água está descendo e nós, subindo para a cachoeira. Força nos braços e no corpo inteiro. Rs.
Eu quero muito conseguir explicar a visão que temos quando chegamos em frente a cachoeira. É SURREAL! São 100 metros de queda e como choveu ontem, tinha muita água caindo. Ali a Mãe Natureza mostrou a sua imponência. Realmente não somos nada. Meros serumaninhos. Pensa isso tudo dentro de um buraco com paredões imensos de pedras. A água cai com tanta força que provoca vento e ondas na água embaixo. Eu fiquei sem fôlego de tão encantada.
O guia Marcone que estava com a gente hoje era incrível. Nos levou até lá bem perto da queda, em uma caverninha. Tivemos que ir escalando as pedras, mas quanto mais perto chegávamos, mais forte ficava a força do vento e da água vindo em nossa direção. Chegou um ponto que eu mal conseguia abrir os olhos. Não estava enxergando quase nada. Mas valeu MUITO a pena todo o esforço. Ficamos deitados dentro da caverna com os pés para fora, sentindo toda aquela energia. Foi tão surreal que começamos a gritar. Meu coração estava a milhão. Alegria, deslumbramento e adrenalina, tudo misturado dentro de mim.
Ficamos nadando por horas. O Marcone me levou num ponto alto das pedras. Fui escalando mesmo. E aí, pulei na água. Que frio na barriga maravilhoso! Pulei de três alturas diferentes ali no lago da cachoeira. Foi incrível. Aquela água escura e funda te traz sensações surpreendentes. Eu estava tão em êxtase que sentei em um marimbondo – sim, eu fiz isso – e nem senti dor quase com a picada. Minha bunda está super inchada, mas na hora eu só queria mesmo curtir aquele lugar. Recebi tanta energia boa que não tenho como descrever. Aquela imensidão toda me deixou deslumbrada.
Antes de irmos embora pulamos de uma pontezinha de madeira que fica entre as fendas. Ali foi o ponto mais alto que pulamos. Parecia que a queda não ia terminar nunca. Rs. Foi sensacional. E o mais legal foi ver todo mundo se superando. Mesmo quem tinha medo se esforçou para viver esse momento. E valeu a pena!
Estava muito bom, mas precisávamos ir embora. Na volta paramos na cachoeira da Borboleta para comermos e descansarmos um pouco. Parece que não, mas nadar cansa mais do que o trekking da trilha. Hoje foi um dia que fiquei exausta. Ficamos um tempinho nesse ponto de descanso. Entrei na queda da cachu e fiquei um pouco no sol. Foi muito gostoso. Alguns aproveitaram para tirar um cochilo. E depois partimos em direção ao carro. A volta sempre é mais rápida. Acho que é por que a ansiedade já passou. Rs.
No carro eu dormi boa parte do trajeto. Ou pelo menos tentei com aquele sacolejo todo na estrada de chão. Quando pegamos o asfalto fomos presenteados com o nascer da lua. Ela estava maravilhosa, enorme e laranja surgindo por entre as montanhas. Ah, Chapada, por que ser tão abençoada assim? Desse jeito vai ser difícil te deixar! Mais do que já vai ser. Eu estou em um estado de êxtase hoje. Essa está sendo a melhor viagem da minha vida até agora. Para quem tinha dúvidas se viria para cá ou não. Eu te digo: já estou pensando quando voltarei para fazer a travessia do Vale do Pati. Rs.
Hoje eu não sai a noite para jantar. Estava muito cansada. Ao ponto de querer ficar quietinha aqui no quarto. Amanhã acordo cedíssimo, pois antes do passeio, que é as 8 horas, quero passar aqui no Cemitério Bizantino para conhecer (falo dele no próximo texto). Amanhã vamos fazer a travessia de Guiné para o Vale do Capão. São 18 km de trekking. Aproximadamente 7 horas de caminhada. Mais um dia diferente. E que eu tenho absoluta certeza de que vai ser incrível.
Nos vemos em breve, galera! 👋🏼
OBS: não estou conseguindo postar as fotos da viagem aqui no blog, pois estou fazendo tudo pelo celular. Então para quem acompanha só por aqui, vale seguir no insta para entender melhor sobre os lugares: ma_santos7.

Diário de Bordo: Igatu, Poços Encantado e Azul

7:12 am

Acordei no susto em Igatu. Deixei meu celular carregando em uma mesinha perto da porta e não escutei o despertador. Mas nosso sexto sentido é mais forte e despertei sozinha. Fui olhar a hora e já dei um pulo. Rs. Joguei tudo dentro da mochila. Tomei um banho voando. Comi e as 8 horas em ponto estava pronta. Ufa! Dormi super mal essa noite. Senti muita coisa ruim naquele lugar. Sou sensitiva e senti que existe muita alma que não está em paz naquela cidade. Coisa que só fui entender no dia seguinte.
8:00 am
O guia Thiago nos levou para conhecer as ruínas de Igatu. A vila, que é distrito de Andaraí, foi um próspero povoado no alto da serra, na primeira fase do garimpo de diamantes. Porém, com a baixa na produção, a cidade foi abandonada, restando apenas casas fechadas, ruínas e poucos moradores – mais precisamente 360 habitantes. Acreditem!
A maioria dos garimpeiros construía suas casas utilizando as pedras abundantes no local, numa espécie de construção sem argamassa. Depois de abandonadas, as casas viraram ruínas que lembram as construções de civilizações remotas. Pouco se fala, mas muita coisa ruim aconteceu ali na época do coronelismo, como a escravidão. Na época do garimpo muitas pessoas eram escravizadas. Não
Foi então que entendi o que havia acontecido na noite anterior. O guia nos disse que muitas pessoas mais sensíveis se sentem mal em Igatu. Têm visões e sentem o sofrimento da população que ali viveu. Tudo explicado! Mas isso não diminui o encanto da cidade pequena. As ruínas são cativantes. É surreal pensar que os garimpeiros viviam em casas feitas apenas com pedras. Imagina no frio intenso? A maioria das residências tinha apenas um quarto.
O clima em Igatu é em sua maioria frio e úmido. Hoje estava nublado, o que aumentou ainda mais o ar sombrio. Os garimpeiros possuíam o sonho de encontrar um diamante valioso e mudar de vida. Porém, gastavam todo o dinheiro em pinga. O pouco dinheiro que os compradores pagavam pela pedra valiosa. Enganavam os homens que trabalhavam nos garimpos dizendo que aquilo valia bem menos do que eles imaginavam. Era um ciclo sem fim. Apesar de ter achado a vila bem triste, gostaria de ter ficado mais para conhecer também as pessoas que vivem lá.
9:00 am 
Partimos rumo o Poço Encantado e o Poço Azul. Hoje não teve caminhada. Percorremos todo o trajeto de carro. Cerca de 1h e meia de estrada de chão.   Chegando no Encantado descemos em uma vendinha, onde usamos o banheiro e pegamos os capacetes para entrarmos na caverna. Descemos uma escada estreita com 400 degraus. Chegando na porta da caverna conseguimos avistar a fenda por onde a luz do sol entra para iluminar o poço.
Eu nunca tinha entrado em uma caverna na minha vida. Era escuro e bem afunilada a entrada. Fomos caminhando segurando em uma corda até chegarmos ao poço. A princípio não conseguimos enxergar nitidamente, mas conforme o olho vai acostumando, a imagem vai surgindo. E que visão! O silêncio da caverna pode ser insuportável para uns e abençoado para outros. A paz invade você! Me emocionei. Chorei! Não tenho como descrever. É magnífico!
A caverna é alta e funda ao mesmo tempo. É como se fosse um “ovo” explicando de uma forma bem chula. A parte mais funda chega a 61m de profundidade, que é onde a água está. Ela é cristalina. Ao mesmo tempo temos a impressão de que é azul devido ao magnésio e o carbonato de cálcio. A luz do sol entra pela fenda e conseguimos enxergar o fundo (a parte mais rasa). Infelizmente a permanência no local só é permitida por 20 minutos. Mas valeu cada segundinho ali dentro. A natureza deu um show!
Subimos as escadas novamente e quando chegamos na vendinha fomos surpreendidos por uma família de macaquinhos. Eles subiram em cima de mim para pegar meu doce. Uns safadinhos! Tomamos água de côco e partimos para o Poço Azul. Andamos mais alguns km de carro em estrada de chão.
O Poço Azul também é protegido ambientalmente. Para entrar precisamos tomar banho de ducha para tirar todo resíduo de protetor, creme, etc. do corpo. Pegamos um colete e um  snorkel cada um e descemos mais uma escada rumo a caverna. Dessa vez, o banho é liberado e entramos na água para mergulhar. A água estava geladíssima. Fiquei tremendo o mergulho inteiro. Mas a magia daquele visual era maior que tudo. A profundidade era de 7 metros e flutuando conseguíamos enxergar o chão da caverna. INCRÍVEL!
Meu, não tem como descrever em palavras essa experiência. Foi muito lindo. Eu respirava fundo de emoção. Todo mundo instintivamente falava baixo. A paz é predominante. No fundo da água dava para ver os troncos das árvores que rolaram até lá. Em cima do poço tem uma fenda por onde entra a luz do sol. E através da água dava para ver os raios solares atravessando até o fundo. Lindo, lindo, lindo!
14:00 pm 
Saímos do poço e paramos no restaurante da Dona Alice, que fica em cima da caverna e serve comida caseira e típica. Mais uma vez não teve como, tive que comer a beça. Não teve jeito, não. Como dizem meus queridos baianos. Estava uma delicia, como sempre. Almoçamos e fomos embora para Mucugê (agora sim), nossa terceira parada. Percorremos quase 2 horas de estrada de chão. Dormi boa parte do caminho. Estava exausta.
16:35 pm
Chegamos em Mucugê. A cidade faz o estilo de Lençóis, pois tem mais infraestrutura. Estou hospedada em uma pousada em frente ao cemitério Bizantino. Nem acreditei! Estava e estou doida para conhecer. Hoje não deu tempo, quando cheguei lá já estava fechado. Mas só de ver por fora já me deu uma emoção. Amanhã conto melhor sobre ele.
O Thiago nosso guia disse que a cidade é conhecida pela boa pizza. Nos indicaram a Point da Chapada. Uma pizzaria muito bonitinha, feita de pedras e com uma carinha bem aconchegante. Paulista tem a mania de desconfiar da pizza de estados alheios. Mas decidi provar. Estou provando tudo de novo que me aparece por aqui. Rs. Tomei um banho e fui para lá, sozinha.
18:30 pm
Sentei à mesa. Pedi uma cerveja e uma pizza de lombo, catupiry e manjericão. E realmente é maravilhosa. A massa é fininha e o recheio no ponto. Aprovadíssima! Quando eu estava terminando de comer, o pessoal do grupo começou a chegar.
Nos juntamos todos em uma mesa grande e a conversa foi ótima. Conhecemos melhor uns aos outros. E foi uma troca de experiências incrível. Um é do RJ, outra de Brasília, outra de SP, alguns do interior de SP e um da Bahia que estava morando na Austrália e agora está indo para Nova Zelândia.
22:00 pm
Voltei para a pousada. Como de costume, estou cansadíssima e morrendo de sono. Amanhã vamos conhecer a cachoeira do Buracão. Dizem que é linda. Por ser um pouco longe, vamos sair cedo. Então, preciso dormir! Até breve, galera!
Pessoal, segue lá no IG (Instagram) para acompanhar as fotos: ma_santos7.

Diário de Bordo: Marimbus e Roncador

7:00 am
Acordei! Tomei banho e fui tomar café da manhã na pousada em Lençóis. Que lugar aconchegante. Musiquinha ambiente e comida boa. Eu nunca tenho muita fome pela manhã, mas comi bastante para aguentar o dia. Optei por: pão vegetariano, tapioca de queijo, manjericão e tomate, cuscuz de tapioca, manga, mamão e granola com yogurte batido com manga + mel + chia + linhaça. E um café para finalizar. Enchi três garrafas de água de 500 ml e pronto!
8:30 am
 
Eu e meu grupo saímos de van com os guias para a comunidade do Remanso, onde vivem os quilombolas. Andamos aproximadamente 20 km em estrada de chão até chegar no local. A vila é bem simples. A população vive da pesca, que é vendida nas feiras de Lençóis. E também sobrevive graças ao turismo. Grande parte das casas são de taipa. Por todo lado tem pé de manga. As mais maduras caem aos montes no chão.
Fomos recebidos por três quilombolas, o Alex, o Getulio e o Van. Que eu achei que era Ivan e ele me disse: “Não, é Van mesmo. Sem o i”. Ok! Rs. Estávamos na região do Marimbus, que significa área alagada. Fomos de barco percorrendo todo o rio Santo Antônio. Em cada barco foram três pessoas, mais um quilombola remando. Fomos conversando tanto, que eu fico perdida quando penso no que contar primeiro aqui para vocês.
O Getúlio era um cara daqueles porreta. Pensa em um negão grandão, que ao mesmo tempo que rema – sozinho – fala sem parar. Sobre tudo! E se precisar que ele desça na água para empurrar o barco, ele faz também. Enquanto continua falando. O que você quiser saber sobre a Chapada e sobre os quilombolas, ele sabe te dizer. Fomos conversando e admirando a beleza daquele lugar. Plantas aquáticas como Vitória Régia e Baronesa embelezavam todo o trajeto. Incrível! O céu estava azul, e a água tranquila refletia tudo e todos. Como um espelho. Os pássaros cantavam. Magico! A vegetação predominante na Chapada é a caatinga. Podendo variar entre o cerrado, o pântano e a vegetação rasteira.
Chegamos no encontro do rio Santo Antônio com o Rio Remanso. Era hora de começar a caminhada. Fomos andando pelo rio até chegar na entrada da trilha. Eu estava de tênis e não queria molha-lo, afinal vou usá-lo mais 6 dias. Tive que ficar descalça e o chão nessa parte do trajeto é cheio de pedrinhas. Deu para sofrer um pouco. Continuamos caminhando pela trilha, agora calçada, até chegar na casa da Dona Val, uma nativa que abre as portas da sua casa – ex residência de um garimpeiro – para os turistas almoçarem.
Optamos por seguir a caminhada até as Bacias do Roncador e almoçar depois. Vimos muitas coisas diferentes no caminho. Como o cacto chique-chique que possui uma flor que se vira para o oeste, onde o sol se põe, e serve de bússola para quem está perdido. Comemos algumas frutinhas típicas, que agora não me recordo o nome. Finalmente chegamos no Roncador. E que lugar maravilhoso. As águas do rio caem pelas formações rochosas formando bacias naturais. O mais encantador é que a água é escura devido à presença de tanino, deixando os buracos escuros. Senti um friozinho na barriga ao entrar pela primeira vez. Mas foi incrível!
Aproveitei para pular de uma pedra em uma das bacias maiores. Senti uma sensação de liberdade misturada com medo. Afinal pulei em um buraco negro enorme e cheio de água. Ficamos por lá acredito que umas 2 horas no máximo. Retornamos para a casa da Dona Val cheios de fome. A comida típica é feita no fogão a lenha. O cardápio de hoje, era: arroz com açafrão, feijão, salada, farofa de banana, abóbora, carne de sol, peixe empanado, godó de banana e palma (espécie de cacto rico em ferro e vitamina A) – nas épocas de seca, os garimpos davam a palma para o gado comer. Posteriormente acabou servindo de alimento para eles também. Estava tudo maravilhoso! Comi um prato cheio e ainda repeti. Gratidão, Dona Val!
Partimos de volta para o local onde ficou a van. Andamos, andamos, andamos… Na volta é sempre mais cansativo. Minhas pernas estavam pesadas. Comecei a sentir a canseira. Os pés doeram muito mais nas pedrinhas do Remanso. Seguimos em frente passando novamente pela comunidade. Chegamos ao ponto final e dali partimos para Igatu. No último texto eu disse que hoje iríamos para Mucugê, mas acho que eu estava delirando de sono. Rs. Estou em Igatu, uma vila bem pequena, com no máximo 800 habitantes – mas falo dela no texto de amanhã.
19:30 pm
Jantamos na pousada, pois a cidade não tem muita infraestrutura.
21:40 pm
Estou mega cansada. Já estou deitada terminando esse texto. Amanhã acordamos ainda mais cedo, pois saímos mais cedo para conhecer as ruínas de Igatu e depois seguimos para o Poço Encantado e Poço Azul. Será demais! Até breve, galera!
Curiosidades:
– Lençóis nasceu através do garimpo. Foi sendo povoada e conquistou o posto de cidade. Porém, o garimpo estava acabando com as nascentes e prejudicando o rio Santo Antônio que abastece a Chapada Diamantina, considerada a caixa d’Água da Bahia. Por isso o garimpo foi proibido. E hoje Lençóis sobrevive do turismo. Segundo o Eugênio, nosso guia, os turistas são os novos diamantes da Chapada.
– O rio Paraguassu é a maior bacia hidrográfica da Chapada.
Obs: hoje conversamos sobre o incêndio de grandes proporções que atingiu a Chapada no final de 2015, início de 2016. Mas isso é assunto para outro texto.
 
DICA:
– Leve um cantil térmico com água. Por que ela esquenta muito e você acaba não bebendo. Quando chegamos, eu virei uma garrafinha de 500 ml gelada, em um minuto. Juro!
– Aqueles sapatinhos, que tem solado embaixo de borracha e é tipo uma meia de lycra em cima (não sei o nome) são uma ótima opção para esse passeio.
– Repelente e
muito protetor.
– Boné ou chapéu.