Voa mais alto quem não voa sozinho

“Em abril deste ano (2017), a Netflix lançou a série ’13 Reasons Why’, que gerou muita polêmica na época. Eu, que nunca consigo acompanhar nenhuma série até o final, assisti esta em dois dias. Fiquei abismada com a profundidade do tema. Como tudo o que vira assunto na internet, a produção recebeu críticas e elogios. Uma parcela do público afirmou que a história poderia incentivar o suicídio. No entanto, é sobre a mensagem que as treze primeiras temporadas tentaram nos passar, que iremos abordar hoje”.

No baixo dos meus 27 anos, não posso afirmar com certeza como eram as relações humanas há décadas e décadas. Acredito que eram mais complicadas do que atualmente. Entretanto, com a internet e a tecnologia cada dia mais fortes e presentes no nosso dia-a-dia, os problemas psicológicos aumentaram drasticamente. Antigamente, as pessoas conversavam mais pessoalmente, passavam mais tempo juntas, as crianças brincavam na rua, os pais trabalhavam menos e a vida era menos corrida.

As pessoas preocupavam-se menos com a aparência, e a aquisição de bens materiais era – em sua maioria – por necessidade e não por futilidade. O estilo de vida era mais calmo e simples. Porém, desde aquela época, o consumismo já existia. A indústria nasceu e com ela o capitalismo. O ser humano foi gradativamente sendo educado a buscar mais: mais dinheiro, mais beleza, mais bens, etc. O que antes era voltado para o todo, foi se tornando individual. Aos poucos, as pessoas passaram a olhar apenas para si. E viver passou a ser uma competição.

As crianças são incentivadas a serem as melhores da sala de aula. “Meu filho é o primeiro da classe”. Dentre os adolescentes de classe média e classe média alta, a disputa pelos melhores tênis e as melhores roupas dentro da escola é, muitas vezes, incentivada pelos próprios pais, que muitas vezes nem percebem o que estão fazendo.  Atitude essa que faz com que as crianças da periferia cresçam buscando por esse estilo de vida.  Posteriormente vem o vestibular. Os jovens lutam para conquistar uma vaga. Alguém precisa se dar mal para que o outro se dê bem. Os professores julgam a parcela problemática dos estudantes: “Não têm futuro”.

As meninas são criadas para competir entre si. Desde a adolescência disputam pela atenção dos meninos. E os garotos, competem qual é o mais “pegador”. Na faculdade, os jovens lutam para serem populares, aceitos e descolados. Não é fácil entrar em um lugar onde você se sente diferente e sozinho. É preciso fazer parte, assim fomos ensinados. A vida de estudante chega ao fim. Agora é hora de procurar um emprego: “Você precisa ser o (a) melhor. Precisa se destacar. Conquiste isso a qualquer custo”. Nem que para isso você precise deixar algumas coisas para trás – ou algumas pessoas.

Conseguiu um emprego? Bom, mas não pode ser qualquer trabalho, você precisa ser bem sucedido, ganhar bem e ter um carro legal. Caso contrário, não vale. Conquistou tudo isso? Chegou o momento de encontrar um (a) parceiro (a). No entanto, não basta amar alguém, é necessário casar e constituir família, pois “o ser humano nasceu para casar e ter filhos, é essa a ordem da vida”. Então, você casa, afinal a sociedade quer assim. Tenta uma, duas, três vezes e nada de engravidar. Você nem tinha certeza se queria ser mãe/pai, mas tenta mesmo assim. Porém, descobre que não é fértil. O mundo desaba: “As pessoas esperam que após o casamento eu tenha filhos”.

Percebe como é difícil se encaixar? Em um mundo com 7,2 bilhões de habitantes, é burrice achar que todas as pessoas têm os mesmos sonhos e ideais. Você pode ser mulher e não querer ter filhos. Pode ser homem, mas se sentir bem vestido com roupas femininas. E está tudo bem! Não estamos neste plano para agradar o sistema. O reflexo dos princípios impostos sobre nós desde pequenos estão aparecendo agora. Os índices de suicídio cresceram absurdamente.

De acordo com a BBC Brasil, entre 1980 e 2014, houve um crescimento de 27,2% no número de suicídios cometidos por pessoas na faixa etária entre 15 e 29 anos. É assustador pensar que tantas pessoas não viam mais razões para viver. Mais aterrorizante ainda é perceber que parte da culpa é minha e sua. Estamos tão focados nas nossas próprias metas e sonhos, que esquecemos de olhar para o outro. Olhamos muito e enxergamos pouco. A vida de aparências que todos nós mostramos tem bastado. Ninguém procura conhecer o outro a fundo.

As relações se tornaram tão superficiais que simplesmente não percebemos quando algo vai mal dentro de outra pessoa. É menos desgastante fingir que o sorriso forçado do outro é verdadeiro. Se aprofundar nos problemas alheios custa tempo, paciência e EMPATIA: “Minha vida é tão corrida, mal tenho tempo para mim, quanto mais para me preocupar com o problema do outro”. Apontar os defeitos de outra pessoa faz com que nos sintamos melhores, menos pecadores. O ego infla e machuca quem está de fora.

Eu poderia listar milhares de atitudes que cometemos diariamente e que colaboram para que as pessoas se sintam vazias e sozinhas. Por detrás das cortinas, todos somos iguais. Temos medos, dores, sonhos e vontades secretas. Erramos, acertamos e aprendemos. Se você é mais forte, use sua força para ajudar o outro que é mais fraco. Não seja o tipo de pessoa que derruba, ajude a levantar. Seja aquela pessoa que incentiva. Não estamos aqui para competir. Quando você levanta alguém, você não fica para trás e nem perde, você GANHA. E esta vitória não é física e nem palpável, se é que você me entende.

Ser uma pessoa FODA não é chegar lá no topo sozinha, mas conseguir levar o máximo de pessoas junto com você!