Quem é sua maior frequência afetiva?

Outro dia navegando pela internet, eu me deparei com um termo até então novo para mim: “frequência afetiva”. Ele fazia parte do título de um texto escrito por um rapaz que não me recordo o nome agora. No primeiro momento, eu fiz a minha interpretação e posteriormente abri o link para ver qual era a visão do autor. De acordo com ele e com outros meios de comunicação que pesquisei, o termo é usado coloquialmente para definir o intervalo em que você se encontra com outras pessoas que gosta. Existem amigos e parentes que vemos sempre e outros nem tanto. Este período de “separação” entre cada encontro é denominado “frequência afetiva”.

No entanto, a minha interpretação não é essa. Ou, melhor dizendo, não é bem essa. No decorrer das nossas vidas, o nosso ciclo de relações mais próximas muda diversas vezes. Isso é normal, pois as pessoas estão em constante evolução e mudança. É difícil encontrar alguém que esteja com o mesmo estilo de vida até hoje. As pessoas mudam. Mudam de escola, de emprego, de cidade, de país, de namorado, etc. Portanto é natural que algumas coisas também mudem ao nosso redor. E é nesse giro do nosso ciclo de relações que aprendemos, crescemos e amadurecemos. Porém, algumas pessoas mesmo em meio a muitas chegadas e partidas, escolhem ficar.

Recentemente um amigo próximo me contou que “perdeu” muitos “amigos” após optar mudar alguns hábitos. “Quando eu decidi ir menos para festas, algumas pessoas simplesmente se afastaram”, disse ele. No dia que tive essa conversa com meu amigo, eu já havia começado este texto, o que me fez ter ainda mais certeza da importância do tema. Afinal, ter muitas pessoas presentes na nossa rotina, não significa ter muitas pessoas em nossa vida. E é nesse ponto que entra a frequência afetiva. Ao contrário do que o termo realmente significa, eu penso que ele define as vibrações afetivas que cada pessoa transmite para nós.

Todos nós temos amigos que topam qualquer farra. Eles estão sempre presentes nesses momentos. Da mesma forma que temos aquela amiga que namora ou o amigo que casou. Cada um se mantém presente como pode em nossas vidas. Quando escolhemos seguir um rumo diferente do nosso ciclo de relações acabamos por nos ausentarmos de encontros que antes eram se não diários, pelo menos semanais. Os intervalos entre cada reencontro ficam cada vez mais espaçados. No entanto, quando o sentimento de amizade é verdadeiro, a frequência afetiva se mantém. É na distância que conhecemos o amor. É quando nos afastamos que enxergamos a força do querer bem.

Não é fácil manter uma amizade ou um relacionamento quando a outra pessoa não se encaixa mais nos seus programas corriqueiros. É preciso um esforço mutuo para que a relação se mantenha. A frequência afetiva que exercemos na vida de quem gostamos é o adubo principal para que a relação floresça mesmo com a falta de presença física. O quanto você gosta dessa pessoa? Você está disposto (a) a vê-la mudar de fase? Ontem, ela te oferecia muito da sua companhia. Hoje, talvez, tenha bem menos a te oferecer. E aí, você consegue sustentar uma relação onde você receba menos do que tem a dar? Essas perguntas podem parecer bobas, mas muitas pessoas respondem negativamente através de atitudes.

Poucas pessoas conseguem responder: eu te entendo! Quando a outra diz que a vida está corrida e que não anda tendo muito tempo. Ou que as coisas no trabalho andam puxadas e que o casamento está exigindo muito. O ser humano é acostumado a cobrar, cobrar e cobrar. A minoria consegue se colocar no lugar do outro. “Mas, eu sinto muito a sua falta. Você deveria ser mais presente”. Será que estamos querendo o certo? Exemplo disso são os amigos mais chegados que nos decepcionam. “Mas ele (ela) vivia em casa e agora nem lembra que eu existo”, muitos de nós já dissemos isso.

A verdade é que quem nos deseja o bem consegue nos transmitir isso a quilómetros de distância. A preocupação e o carinho não são físicos. Sabe aquela ligação inesperada de um amigo que você não vê há meses? Ela te faz bem, não faz? Mesmo acontecendo apenas de tempos em tempos. E aquele convite para o casamento que você nem imaginava que seria convidado devido a grande ausência na vida daquela amiga? Quem torce por nós vai vibrar mesmo que em silencio com nossas vitórias. Essas pessoas não vão mais te mandar mensagem ou te ligar para fofocar sobre os acontecidos do final de semana. Porém irão entrar em contato com você para saber como você está e esses contatos não precisam mais ser constantes.

Entender que cada pessoa possui seu tempo, sua vida e seus ciclos de relações mais próximas é necessário. Respeitar a nova escolha do seu melhor amigo, também. Manter uma amizade baseada mais em frequências afetivas do que em presença física é difícil, mas recompensador. Ter um amigo fora do seu ciclo atual é ter um amigo verdadeiro. Afinal é muito mais simples e menos trabalhoso simplesmente deixar de lado. Se a pessoa “some”, você some também. E pronto! Aqueles que compreendem sua nova fase te chamam para programas onde você se encaixe agora. Não deixam que o tempo engula a sintonia que existe entre vocês.

A frequência afetiva mantém vivo o sentimento. Quando alguém é realmente importante para nós, sentimos falta não só da presença, mas também do poder energético que essa pessoa exerce sobre nós. Muitas vezes, o contato raro com algum amigo é mais reconfortante e renovador do que os contatos diários com outros. Com o tempo entendemos que o número de vezes que vemos uma determinada pessoa no mês ou no ano não define a importância e a profundidade dessa relação. O que realmente importa não é o tempo que dedicamos a quem gostamos, mas sim a qualidade dele. Agora te pergunto: Quem é a sua maior frequência afetiva?

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