Diário de Bordo: Travessia do Guiné ao Capão

6:00 am

Acordei em Mucugê. Na noite anterior já tinha deixado minha mochila arrumada, então tomei banho e café da manhã. Levantei mais cedo que o normal, pois queria pegar o Cemitério Bizantino aberto antes de partir para o Capão.
7:30 am
O cemitério – para minha sorte – ficava atrás da minha pousada. Atrás mesmo, de lá de dentro dava para vê-lo. Rs. Em 1855 houve uma epidemia de cólera em Mucugê e muitas pessoas faleceram. A igreja, por medo da contaminação, não permitiu que os corpos fossem enterrados no cemitério comum. Por isso, em cima de uma montanha, no fim da cidade, foram construídos novos túmulos. O interessante é que eles foram feitos em cima de rochas. Os grandes barões do garimpo trouxeram arquitetos estrangeiros para a construção.
Não é comum o turista querer conhecer o cemitério da cidade, mas esse tem uma história interessante. E os túmulos são muito bonitos. Alguns parecem igrejas. (Fotos no meu Instagram: ma_santos7). Os corpos também não eram enterrados inteiros, provavelmente eram depositados ali só os ossos. Fiquei uns 30 minutos lá dentro
8:20 am
Partimos rumo à comunidade do Guiné. A van nos levou até o pé da montanha, de onde sairíamos para a travessia até o Vale do Capão, em um trekking de 18 km – 7 horas caminhando. Andamos aproximadamente 1 hora de carro até o nosso destino. Eu não tinha ideia de como iria ser esse dia.
Chegando na montanha, o primeiro 1,5 km já foi uma subida. E não pense que é na reta, por que é íngreme e pedra sob pedra. Embaixo do sol e do calor da Bahia, meu rei. Rs. “Rapaaaiz”, achei que eu não ia dar conta, não. Rs. Paramos diversas vezes até chegarmos ao topo. O coração vai a mil. Além de tudo, as pedras são desniveladas, uma é super alta, outra é baixa e assim vai. A perna queima. E a mochila começa a pesar nas costas.
Superada a subidona, chegamos ao topo da primeira montanha, e a visão do horizonte começou a aparecer. Essa é uma das recompensas do trilheiro. Você está esgotado, mas quando alcança seu primeiro objetivo e visualiza aquele paraíso, nem lembra mais do cansaço. E foi assim o trekking inteiro. Cada hora era um “uau” diferente. Nós estávamos no topo de um morro (mais de um), avistando outras centenas deles, em uma visão de 360ºC. LINDO!
Andamos muito. Paramos em diversos mirantes, cada um com uma visão diferente. Avistamos o Vale do Pati – conhecido mundialmente pela sua travessia de 5 dias. Com o calor excessivo nossa água ficou “intomável”. Parecia que tinha sido esquentada no fogo. Horrível! Paramos no riacho das Galinhas para encher nossas garrafas. Aproveitamos para descansar um pouco também. O legal da montanha é que você enfrenta percursos muito diferentes. Subidas, descidas, retas… Mata, vales, pedras! Sombra, sol, vento. Rs.
A travessia é linda. Achei incrível andar e explorar as montanhas. É você e a natureza. Sem ter para onde correr. Rs. O esforço é grande, não é qualquer pessoa que aguenta, mas vale muito a pena. É uma superação física, mental e pessoal. E ver os outros integrantes do grupo se superando também é muito bom. A coletividade faz toda a diferença e isso você leva para a sua vida fora daqui.
Andamos, andamos, andamos… Por 7 horas! Chegamos no Vale do Capão. Essa é a parte mais recompensadora. Seu corpo está exausto, mas sua mente e seu espírito estão tinindo. Quem nos viu chegando na pousada disse que estávamos muito felizes. E sim, a trilha nos fez um bem danado. Eu não imaginava como seria. Se eu iria aguentar ou não. E concluir mais esse desafio foi sensacional. Me deu uma sensação maravilhosa por dentro. Ele te mostra que você é capaz, sim! E te faz sentir vivo.
 
19:30 pm 
Jantamos na pousada e depois curtimos um pouco a fogueira. Eu dormi cedo, pois estava mega cansada! Amanhã tem a trilha até o topo da Cachoeira da Fumaça!
Até breve! 😊

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