Diário de Bordo: Pico da Cachoeira da Fumaça

7:00 am

Café da manhã na Pousada do Capão. Lugar lindo. O clima amanheceu gelado e úmido. Estava nublado para nossa alegria – aprendi que o sol é inimigo do trilheiro. Rs. Porém, na Bahia, o friozinho da manhã dura pouco. Bem pouco. Só as nuvens permaneceram para facilitar nossa trilha do dia.
8:30 am 
Partimos com apenas quatro dos nove integrantes do grupo. O restante preferiu fazer o plano B, pois a subida até a Cachoeira da Fumaça ia ser puxada. Fomos de van até o pé da montanha, o que demorou cerca de 20 min em estrada de chão. Para subir é preciso assinar um caderno, com seu nome, origem e o contato da sua pousada. Isso serve como controle, caso algum turista não retorne do pico.
Começamos a trilha. Logo de cara enfrentamos 2 km de subida íngreme. Pedra sob pedra – literalmente. Rs. Graças a Jah, o “maçarico baiano”, como diz nosso guia, não estava ligado e o céu permanecia nublado. O que facilitou muito, pois o sol desgasta demais. No caminho paramos em cinco mirantes para tomar água e recuperar o fôlego – e perdê-lo novamente ao avistar o horizonte. Rs.
Fim de subida. Os próximos 3 km (restantes) foram tranquilos. Apertamos o passo, mas o trajeto era mais plano, então não teve segredo. Fomos conversando sobre as histórias de aparições extraterrestres na Chapada. Durante nossas caminhadas – de todos os dias – recebemos muita informação dos nossos guias e de nós mesmos. Seria impossível transmitir tudo aqui. Algumas coisas só ficarão na mente. É muita bagagem intelectual.
Chegamos no pico da Fumaça, na parte de cima dela. Quando olhei para o horizonte já pensei: “Uau”. Estávamos em cima de um cânion. A cachoeira sai de um buraco no meio de um dos paredões (do que estávamos). Porém, o local da queda é tão alto que não dá tempo da água chegar nem na metade. O vento é tão forte que rebate a água para cima. Vez ou outra é possível sentir os pingos como se fossem da chuva. INCRÍVEL! Esse efeito das gotas subindo dá o efeito de uma fumaça mesmo, por isso o nome.
A parte mais surreal é deitar na pedra que parece um bico arredondado. Ela sai lá de cima do paredão e entra no meio do buraco do cânion em linha reta. Me arrastei até encostar minha mão na borda dela e conseguir olhar para baixo – enxergando o chão lá embaixo. Nesse momento, eu não tenho palavras para definir o turbilhão de sensações. É um misto de deslumbramento, adrenalina, medo, impotência… Enfim! Meu corpo tremia todo! As mãos suavam. Mas eu não queria sair dali de jeito nenhum. Mais uma vez fui surpreendida!
Quando você olha para baixo enxerga um pequeno – pelo menos visto lá de cima – lago rodeado por pedras em um tom de cinza escuro e muitas árvores. É uma imensidão. A queda da cachoeira possui 380 m de altitude. Então, eu calculo que a pedra em que deitamos deve ter cerca de 400 m. Venta demais. E o vento é muito forte. Meu óculos de sol quase saiu voando da minha cabeça quando eu estava em pé. É preciso ficar esperto, por que uma rajada pode até te derrubar.
Lá em cima tem vários mirantes em diferentes ângulos. Claro que essa pedra é a ” mais mais”. Paramos em mais alguns picos ali para contemplar e fotografar. Eu sentei “como índio” em uma pedra bem pertinho da lateral de um dos paredões. Ventava forte. Fechei meus olhos e agradeci por tudo o que estava vivenciando. Pela minha vida. Pela natureza. Agradeci por tudo o que não é material. Senti uma paz imensa invadir meu espírito. Aquele lugar é mágico. E não estou falando só do pico da Fumaça, mas da Chapada Diamantina inteira. Chorei novamente. De alegria e de satisfação. Me senti viva.
Porém, a permanência lá é rápida. Cerca de 1 hora mais ou menos. Pois são 4 horas de trilha, 2 para ir e 2 para voltar. Arriscar voltar à noite não é recomendado. Mas nós também queríamos visitar a cachoeira do Riachinho, então retornamos. Na decida o sol estava forte. Me dei conta disso quando vi que eu estava toda queimada. Com a marca do shorts, inclusive. Rs. Mas valeu cada esforço. Quando chegamos no “pé” da montanha, paramos para tomar caldo de cana. Delicioso.
Encontramos com o resto do grupo e fomos para o Riachinho. Lugar bonito e tranquilo. Ótimo para recuperar as energias da semana. Saindo de lá fomos para a Vila do Capão comer o tão famoso pastel de palmito de jaca. Eu detesto jaca, mas queria muito experimentar. Sempre ouvi falar que não tinha o gosto da fruta. Pensei: “Vamos ver qualé que é”. Paramos no Pastel da Dalva para comer e eu achei uma delicia. Realmente tem um gosto totalmente diferente. Bem temperadinho. Comi dois. Rs. E tomei uma Heineken. Comprei alguns presentes e fomos para a pousada.
20:00 pm
 
Jantamos comida típica na pousada mesmo. Eu estava exausta e dormi cedo. Foi a última noite no Capão. Lugar que ficará no meu coração.

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