Diário de Bordo: Marimbus e Roncador

7:00 am
Acordei! Tomei banho e fui tomar café da manhã na pousada em Lençóis. Que lugar aconchegante. Musiquinha ambiente e comida boa. Eu nunca tenho muita fome pela manhã, mas comi bastante para aguentar o dia. Optei por: pão vegetariano, tapioca de queijo, manjericão e tomate, cuscuz de tapioca, manga, mamão e granola com yogurte batido com manga + mel + chia + linhaça. E um café para finalizar. Enchi três garrafas de água de 500 ml e pronto!
8:30 am
 
Eu e meu grupo saímos de van com os guias para a comunidade do Remanso, onde vivem os quilombolas. Andamos aproximadamente 20 km em estrada de chão até chegar no local. A vila é bem simples. A população vive da pesca, que é vendida nas feiras de Lençóis. E também sobrevive graças ao turismo. Grande parte das casas são de taipa. Por todo lado tem pé de manga. As mais maduras caem aos montes no chão.
Fomos recebidos por três quilombolas, o Alex, o Getulio e o Van. Que eu achei que era Ivan e ele me disse: “Não, é Van mesmo. Sem o i”. Ok! Rs. Estávamos na região do Marimbus, que significa área alagada. Fomos de barco percorrendo todo o rio Santo Antônio. Em cada barco foram três pessoas, mais um quilombola remando. Fomos conversando tanto, que eu fico perdida quando penso no que contar primeiro aqui para vocês.
O Getúlio era um cara daqueles porreta. Pensa em um negão grandão, que ao mesmo tempo que rema – sozinho – fala sem parar. Sobre tudo! E se precisar que ele desça na água para empurrar o barco, ele faz também. Enquanto continua falando. O que você quiser saber sobre a Chapada e sobre os quilombolas, ele sabe te dizer. Fomos conversando e admirando a beleza daquele lugar. Plantas aquáticas como Vitória Régia e Baronesa embelezavam todo o trajeto. Incrível! O céu estava azul, e a água tranquila refletia tudo e todos. Como um espelho. Os pássaros cantavam. Magico! A vegetação predominante na Chapada é a caatinga. Podendo variar entre o cerrado, o pântano e a vegetação rasteira.
Chegamos no encontro do rio Santo Antônio com o Rio Remanso. Era hora de começar a caminhada. Fomos andando pelo rio até chegar na entrada da trilha. Eu estava de tênis e não queria molha-lo, afinal vou usá-lo mais 6 dias. Tive que ficar descalça e o chão nessa parte do trajeto é cheio de pedrinhas. Deu para sofrer um pouco. Continuamos caminhando pela trilha, agora calçada, até chegar na casa da Dona Val, uma nativa que abre as portas da sua casa – ex residência de um garimpeiro – para os turistas almoçarem.
Optamos por seguir a caminhada até as Bacias do Roncador e almoçar depois. Vimos muitas coisas diferentes no caminho. Como o cacto chique-chique que possui uma flor que se vira para o oeste, onde o sol se põe, e serve de bússola para quem está perdido. Comemos algumas frutinhas típicas, que agora não me recordo o nome. Finalmente chegamos no Roncador. E que lugar maravilhoso. As águas do rio caem pelas formações rochosas formando bacias naturais. O mais encantador é que a água é escura devido à presença de tanino, deixando os buracos escuros. Senti um friozinho na barriga ao entrar pela primeira vez. Mas foi incrível!
Aproveitei para pular de uma pedra em uma das bacias maiores. Senti uma sensação de liberdade misturada com medo. Afinal pulei em um buraco negro enorme e cheio de água. Ficamos por lá acredito que umas 2 horas no máximo. Retornamos para a casa da Dona Val cheios de fome. A comida típica é feita no fogão a lenha. O cardápio de hoje, era: arroz com açafrão, feijão, salada, farofa de banana, abóbora, carne de sol, peixe empanado, godó de banana e palma (espécie de cacto rico em ferro e vitamina A) – nas épocas de seca, os garimpos davam a palma para o gado comer. Posteriormente acabou servindo de alimento para eles também. Estava tudo maravilhoso! Comi um prato cheio e ainda repeti. Gratidão, Dona Val!
Partimos de volta para o local onde ficou a van. Andamos, andamos, andamos… Na volta é sempre mais cansativo. Minhas pernas estavam pesadas. Comecei a sentir a canseira. Os pés doeram muito mais nas pedrinhas do Remanso. Seguimos em frente passando novamente pela comunidade. Chegamos ao ponto final e dali partimos para Igatu. No último texto eu disse que hoje iríamos para Mucugê, mas acho que eu estava delirando de sono. Rs. Estou em Igatu, uma vila bem pequena, com no máximo 800 habitantes – mas falo dela no texto de amanhã.
19:30 pm
Jantamos na pousada, pois a cidade não tem muita infraestrutura.
21:40 pm
Estou mega cansada. Já estou deitada terminando esse texto. Amanhã acordamos ainda mais cedo, pois saímos mais cedo para conhecer as ruínas de Igatu e depois seguimos para o Poço Encantado e Poço Azul. Será demais! Até breve, galera!
Curiosidades:
– Lençóis nasceu através do garimpo. Foi sendo povoada e conquistou o posto de cidade. Porém, o garimpo estava acabando com as nascentes e prejudicando o rio Santo Antônio que abastece a Chapada Diamantina, considerada a caixa d’Água da Bahia. Por isso o garimpo foi proibido. E hoje Lençóis sobrevive do turismo. Segundo o Eugênio, nosso guia, os turistas são os novos diamantes da Chapada.
– O rio Paraguassu é a maior bacia hidrográfica da Chapada.
Obs: hoje conversamos sobre o incêndio de grandes proporções que atingiu a Chapada no final de 2015, início de 2016. Mas isso é assunto para outro texto.
 
DICA:
– Leve um cantil térmico com água. Por que ela esquenta muito e você acaba não bebendo. Quando chegamos, eu virei uma garrafinha de 500 ml gelada, em um minuto. Juro!
– Aqueles sapatinhos, que tem solado embaixo de borracha e é tipo uma meia de lycra em cima (não sei o nome) são uma ótima opção para esse passeio.
– Repelente e
muito protetor.
– Boné ou chapéu.

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