Diário de Bordo: Igatu, Poços Encantado e Azul

7:12 am

Acordei no susto em Igatu. Deixei meu celular carregando em uma mesinha perto da porta e não escutei o despertador. Mas nosso sexto sentido é mais forte e despertei sozinha. Fui olhar a hora e já dei um pulo. Rs. Joguei tudo dentro da mochila. Tomei um banho voando. Comi e as 8 horas em ponto estava pronta. Ufa! Dormi super mal essa noite. Senti muita coisa ruim naquele lugar. Sou sensitiva e senti que existe muita alma que não está em paz naquela cidade. Coisa que só fui entender no dia seguinte.
8:00 am
O guia Thiago nos levou para conhecer as ruínas de Igatu. A vila, que é distrito de Andaraí, foi um próspero povoado no alto da serra, na primeira fase do garimpo de diamantes. Porém, com a baixa na produção, a cidade foi abandonada, restando apenas casas fechadas, ruínas e poucos moradores – mais precisamente 360 habitantes. Acreditem!
A maioria dos garimpeiros construía suas casas utilizando as pedras abundantes no local, numa espécie de construção sem argamassa. Depois de abandonadas, as casas viraram ruínas que lembram as construções de civilizações remotas. Pouco se fala, mas muita coisa ruim aconteceu ali na época do coronelismo, como a escravidão. Na época do garimpo muitas pessoas eram escravizadas. Não
Foi então que entendi o que havia acontecido na noite anterior. O guia nos disse que muitas pessoas mais sensíveis se sentem mal em Igatu. Têm visões e sentem o sofrimento da população que ali viveu. Tudo explicado! Mas isso não diminui o encanto da cidade pequena. As ruínas são cativantes. É surreal pensar que os garimpeiros viviam em casas feitas apenas com pedras. Imagina no frio intenso? A maioria das residências tinha apenas um quarto.
O clima em Igatu é em sua maioria frio e úmido. Hoje estava nublado, o que aumentou ainda mais o ar sombrio. Os garimpeiros possuíam o sonho de encontrar um diamante valioso e mudar de vida. Porém, gastavam todo o dinheiro em pinga. O pouco dinheiro que os compradores pagavam pela pedra valiosa. Enganavam os homens que trabalhavam nos garimpos dizendo que aquilo valia bem menos do que eles imaginavam. Era um ciclo sem fim. Apesar de ter achado a vila bem triste, gostaria de ter ficado mais para conhecer também as pessoas que vivem lá.
9:00 am 
Partimos rumo o Poço Encantado e o Poço Azul. Hoje não teve caminhada. Percorremos todo o trajeto de carro. Cerca de 1h e meia de estrada de chão.   Chegando no Encantado descemos em uma vendinha, onde usamos o banheiro e pegamos os capacetes para entrarmos na caverna. Descemos uma escada estreita com 400 degraus. Chegando na porta da caverna conseguimos avistar a fenda por onde a luz do sol entra para iluminar o poço.
Eu nunca tinha entrado em uma caverna na minha vida. Era escuro e bem afunilada a entrada. Fomos caminhando segurando em uma corda até chegarmos ao poço. A princípio não conseguimos enxergar nitidamente, mas conforme o olho vai acostumando, a imagem vai surgindo. E que visão! O silêncio da caverna pode ser insuportável para uns e abençoado para outros. A paz invade você! Me emocionei. Chorei! Não tenho como descrever. É magnífico!
A caverna é alta e funda ao mesmo tempo. É como se fosse um “ovo” explicando de uma forma bem chula. A parte mais funda chega a 61m de profundidade, que é onde a água está. Ela é cristalina. Ao mesmo tempo temos a impressão de que é azul devido ao magnésio e o carbonato de cálcio. A luz do sol entra pela fenda e conseguimos enxergar o fundo (a parte mais rasa). Infelizmente a permanência no local só é permitida por 20 minutos. Mas valeu cada segundinho ali dentro. A natureza deu um show!
Subimos as escadas novamente e quando chegamos na vendinha fomos surpreendidos por uma família de macaquinhos. Eles subiram em cima de mim para pegar meu doce. Uns safadinhos! Tomamos água de côco e partimos para o Poço Azul. Andamos mais alguns km de carro em estrada de chão.
O Poço Azul também é protegido ambientalmente. Para entrar precisamos tomar banho de ducha para tirar todo resíduo de protetor, creme, etc. do corpo. Pegamos um colete e um  snorkel cada um e descemos mais uma escada rumo a caverna. Dessa vez, o banho é liberado e entramos na água para mergulhar. A água estava geladíssima. Fiquei tremendo o mergulho inteiro. Mas a magia daquele visual era maior que tudo. A profundidade era de 7 metros e flutuando conseguíamos enxergar o chão da caverna. INCRÍVEL!
Meu, não tem como descrever em palavras essa experiência. Foi muito lindo. Eu respirava fundo de emoção. Todo mundo instintivamente falava baixo. A paz é predominante. No fundo da água dava para ver os troncos das árvores que rolaram até lá. Em cima do poço tem uma fenda por onde entra a luz do sol. E através da água dava para ver os raios solares atravessando até o fundo. Lindo, lindo, lindo!
14:00 pm 
Saímos do poço e paramos no restaurante da Dona Alice, que fica em cima da caverna e serve comida caseira e típica. Mais uma vez não teve como, tive que comer a beça. Não teve jeito, não. Como dizem meus queridos baianos. Estava uma delicia, como sempre. Almoçamos e fomos embora para Mucugê (agora sim), nossa terceira parada. Percorremos quase 2 horas de estrada de chão. Dormi boa parte do caminho. Estava exausta.
16:35 pm
Chegamos em Mucugê. A cidade faz o estilo de Lençóis, pois tem mais infraestrutura. Estou hospedada em uma pousada em frente ao cemitério Bizantino. Nem acreditei! Estava e estou doida para conhecer. Hoje não deu tempo, quando cheguei lá já estava fechado. Mas só de ver por fora já me deu uma emoção. Amanhã conto melhor sobre ele.
O Thiago nosso guia disse que a cidade é conhecida pela boa pizza. Nos indicaram a Point da Chapada. Uma pizzaria muito bonitinha, feita de pedras e com uma carinha bem aconchegante. Paulista tem a mania de desconfiar da pizza de estados alheios. Mas decidi provar. Estou provando tudo de novo que me aparece por aqui. Rs. Tomei um banho e fui para lá, sozinha.
18:30 pm
Sentei à mesa. Pedi uma cerveja e uma pizza de lombo, catupiry e manjericão. E realmente é maravilhosa. A massa é fininha e o recheio no ponto. Aprovadíssima! Quando eu estava terminando de comer, o pessoal do grupo começou a chegar.
Nos juntamos todos em uma mesa grande e a conversa foi ótima. Conhecemos melhor uns aos outros. E foi uma troca de experiências incrível. Um é do RJ, outra de Brasília, outra de SP, alguns do interior de SP e um da Bahia que estava morando na Austrália e agora está indo para Nova Zelândia.
22:00 pm
Voltei para a pousada. Como de costume, estou cansadíssima e morrendo de sono. Amanhã vamos conhecer a cachoeira do Buracão. Dizem que é linda. Por ser um pouco longe, vamos sair cedo. Então, preciso dormir! Até breve, galera!
Pessoal, segue lá no IG (Instagram) para acompanhar as fotos: ma_santos7.

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