Diário de Bordo: Dicas para uma trip pela Chapada Diamantina

Essa foi minha primeira viagem sozinha e minha primeira trip de trilha de montanha. Óbvio que cometi vários erros. Mas graças a isso agora tenho uma bagagem de experiências maior e posso compartilhar com vocês tudo o que sei sobre essa trip incrível.


1 – Planejando a  trip: 

Primeiro de tudo: quanto tempo você tem disponível para curtir a Chapada? Uma semana é pouco para conhecer aquele lugar mágico. Então, é preciso analisar com calma quais lugares serão visitados e dividir bem o seu time, caso ele seja curto. A melhor escolha é pernoitar sempre nas cidades mais próximas aos passeios do dia, isso não irá economizar apenas horas do seu dia, mas também disposição.

Exemplo:

1º dia – Lençóis – Pernoite em Lençóis (chegada). Leia mais AQUI!

2º dia – Remanso, Bacias do Roncador – Pernoite em Igatu. Leia mais AQUI!

3º dia – Poço Encantado e Poço Azul  – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

4º dia – Cachoeira do Buracão – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

5º dia – Trekking Guiné ao Capão – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

6º dia – Cachoeira da Fumaça e Riachinho – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

7º dia – Torrinha, Grutas Azul e Pratinha, Morro do Pai Inácio, Lençóis – Pernoite em Lençóis. Leia mais AQUI!

8º dia – LENÇÓIS (partida).

O roteiro acima foi o que eu fiz agora em dezembro. Vocês podem ver que pernoitei em quatro cidades diferentes. Partíamos de manhã para os passeios já com as malas – que ficavam na van – e no final do dia íamos para a próxima cidade. Sem muito sossego, mas menos cansativo do que viajar longas distâncias todos os dias. Fizemos o roteiro Volta ao Parque da Chapada Diamantina em 8 dias e achei ótima a divisão dos dias. Sem contar que cada dia era uma surpresa diferente, nenhum passeio foi igual ao outro.

OS GUIAS:

Durante a viagem eu vi algumas pessoas fazendo trilhas sozinhas. Porém, a não ser que você já conheça bem a Chapada, eu não aconselho. Eu contratei a agência de turismo Venturas para me conduzir por lá. Acho que minha viagem não teria sido a mesma sem os guias. Passávamos praticamente 12 horas ao lado deles todos os dias e recebíamos uma enxurrada de informações sobre a região. Algumas coisas eu tive que anotar para não perder no meio de tanto conhecimento adquirido. Por isso acho válido contratar um guia local.

Lembrando também da sua segurança, que é o mais importante. Qualquer problema, como um acidente de trilha – que é bem comum -, os guias irão resolver rapidamente. Eles conhecem a região, as trilhas, o clima e irão garantir que você não perca tempo e não passe perrengue – não muito, pelo menos. Sem contar que eles sabem os picos mais loucos e podem te garantir se são seguros ou não. Se você pode ou não pular de uma cachoeira, por exemplo. Opte por um guia e não irá se arrepender.

A LOCOMOÇÃO:

Dependendo da sua disponibilidade, você pode ir de carro ou não. Para quem mora perto, talvez seja viável ir com condução própria, pois você fica mais livre para rodar por lá. Contrata um guia local para ir no banco do passageiro e tudo certo. No aeroporto de Lençóis vi que o aluguel de um veículo sai por R$ 90 a diária. É uma opção para quem vai de aéreo e pensa em locar um carro por lá. E para quem não quer saber de dirigir, as agências de turismo oferecem todos os transfers inclusos nos pacotes. Ou seja: sem preocupações! As vans da Venturas são novas e com ar-condicionado.

A HOSPEDAGEM:

Geralmente as agências já oferecem as opções de hospedagens dentro dos pacotes dos roteiros. O legal é que elas têm parcerias com determinadas pousadas, o que acaba barateando um pouco o valor final das diárias. Eu pernoitei em quatro pousadas diferentes. Veja minhas avaliações sobre cada uma:

Pouso da Trilha (Lençóis): pousada com quartos mais simples. Sem TV, sem ar-condicionado. Apenas com ventilador. Dormi em dois quartos diferentes: o primeiro era muito pequeno, já o segundo, eu achei ótimo. O café da manhã é bem diversificado e em um ambiente muito agradável. O atendimento e recepção também são impecáveis. Pertinho do centro.

Pousada Pedras de Igatu (Igatu): é a única pousada da vila. Achei espaçosa e com uma vista linda. Jantar e café da manhã bons. Também não possui TV e ar-condicionado, apenas ventilador. Quartos espaçosos. Gostei bastante! Próxima de tudo, já que Igatu é mega pequena.

Pousada Monte Azul (Mucugê): minha segunda pousada favorita da Chapada. Café da manhã completo. Quarto bonito e grande. TV e ventilador. Ela fica situada em frente ao cemitério bizantino, a visão é linda. Também gostei da decoração. Ótimo atendimento. Bem próxima do centro.

Pousada do Capão (Vale do Capão): disparada a mais encantadora. Lamentei não ter conseguido curtir mais o lugar. A pousada é enorme. Tem riacho para banho, balanço, lago, área para fogueira, sauna, massagem, dentre muitas outras coisas. Sem contar que fica no meio dos morros e a visão é magnífica. Para quem curte natureza, com certeza vai amar. Café da manhã completo, também. Opções de quartos simples e com ar-condicionado (com visão para os morros do Capão). Ótimo atendimento. Mais ou menos 7 km da Vila.

A ALIMENTAÇÃO:

Dependendo do roteiro que você escolher, irá passar praticamente o dia todo nas trilhas. O café da manhã está incluso em todas as pousadas, ok. Agora você precisa pensar na sua comodidade para realizar as outras refeições, já que irá gastar muita energia e disposição curtindo os passeios. Confira a opção do roteiro que eu fiz com as refeições já inclusas:

1º dia – Aéreo (refeições livres).

2º dia – Café da manhã, Almoço, Jantar.

3º dia – Café da manhã e Almoço.

4º dia – Café da manhã e Lanche de Trilha.

5º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

6º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

7º dia – Café da manhã e Almoço.

8º dia – Café da manhã (dia de aéreo).

Todas as refeições citadas acima estavam inclusas no pacote. Os lanches de trilha eram completos: fruta, proteína, lanches, bolos, doces, barra de cereal, suco de fruta, etc. Dava para dividir entre almoço e lanche da tarde, por exemplo. Achei excelente. Os três almoços foram em restaurantes que ficam nos mesmos lugares dos passeios do dia. O primeiro, inclusive, foi na casa de uma nativa, com comida típica. Muito bom. Você chega com o guia e já está tudo pago, podendo comer a vontade. Apenas a bebida fica por sua conta. Os jantares são nas pousadas e também é permitido comer quanto quiser.

Nos dias que não têm determinadas refeições você pode conhecer os restaurantes da cidade em que estiver. Em Mucugê eu sugiro o Point da Chapada. A pizza e a moqueca são sensacionais. Vale experimentar. Porém, eu achei muito válida a ideia de já ter todas as refeições garantidas, pois tem dia que você chega tão cansado que não quer sair andar – mais do que já andou o dia todo. Poder comer e curtir a pousada sem se desgastar mais é uma ótima pedida. Portanto, fica a dica!

 

Valor total do roteiro “Volta ao Parque Nacional em 8 dias” com tudo o que foi citado acima: R$ 3.391 (para uma pessoa).

Incluso:

– Translados (durante toda a viagem);

– Hospedagens;

– Refeições mencionadas;

– Taxas (quando necessário);

– Guia;

– Seguro viagem.

* Aéreo não incluso.

2 – Escolhendo o roteiro:
Essa é uma das viagens mais procuradas do Brasil. Então, avalie bem os lugares que quer conhecer. Não leve em consideração apenas se o passeio é o mais visitado ou não. Analise o nível de dificuldade para chegar até ele e veja se condiz com seu preparo físico. Existem trilhas leves e pesadas. Nem todo mundo aguenta concluir todas. Não perca um dia de viagem. Monte um roteiro que você consiga concluir. E se você for daqueles iguais a mim, que encara tudo, opte pelos mais “uau” – pelo menos na primeira ida a Chapada. Uma semana por lá não é nada. Um mês não seria suficiente para conhecer tudo.
3 – O que levar:

COLOQUE NA MALA:
– Meias altas (as baixas podem causar bolhas nos seus pés);
– Protetor solar;
– Repelente;
– Capa de Chuva;
– Remédios para dor e alergia;
– Proteção para os pés (fitas adesivas);
– Cantil térmico (a água ferve na garrafa comum);
– Chapéu (você irá usar TODOS os dias);
– Bota de trilha (tênis comum escorrega muito);
– Calça confortável (de preferência aquelas larguinhas que viram shorts);
– Blusas de manga comprida e com proteção contra raios solares (especiais para isso);
– Bastão de trilha (ajuda demais nas subidas e principalmente nas decidas);
– Máquina fotográfica (invista em uma boa);
– Capinha de celular à prova d’Água (parece besteira, mas você vai querer uma lá);
– Roupas largas e confortáveis em geral;
– Roupa de banho;
– Lanterna;
– Chinelo;

– Uma blusa de frio.

 

4 – Sugestão a+:

Esqueça as noitadas, a Chapada é um destino de natureza. Você irá aproveitar muito mais o dia. À noite aproveite para descansar. Esqueça a dieta e experimente as comidas típicas da região. Desfrute dos guias, eles têm muitas histórias para compartilhar e muita informação sobre tudo. Converse, pergunte, absorva. Desencane de celular e tecnologias em geral (menos da sua máquina fotográfica). Olhe em volta, inspire a natureza.  Se for para Mucugê experimente a pizza do Point da Chapada.

Ande com cuidado pelas montanhas e evite pequenos acidentes que podem estragar sua viagem. Se hidrate! Tome cuidado com o “maçarico baiano” (sol). Rs. Ninguém quer pegar uma insolação. Coma bem no café da manhã, pois o dia é longo e puxado. Preserve a natureza, recolha TODO o seu lixo.

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