Diário de Bordo: Cachoeira do Buracão

6:57 am

O êxtase é tanto que acordei antes do despertador tocar. De novo! E eu sou daquelas que detesta acordar cedo. Mas aqui, se eu pudesse, nem dormiria. Meu desejo é aproveitar tudo ao máximo. Todos os minutos e segundos.
 
7:40 am
Sentei para tomar café da manhã, dessa vez sozinha. Fiquei escutando a conversa da mesa ao lado. Ontem eles tinham feito o mesmo passeio que eu faria hoje, a Cachoeira do Buracão. Confesso que nesse momento eu não fazia ideia do que me esperava. Terminei de comer e fui para o quarto terminar de arrumar minha mochila de trilha.
8:15 am
 
Saímos da pousada rumo ao Buracão. Percorremos 80 km de estrada de asfalto até Ibicoara. A vista era incrível nesse trajeto. As montanhas da Chapada embelezaram os dois lados do caminho em um vale magnífico. Paramos para ir ao banheiro e pegar o segundo guia. A partir dali rodamos mais 1 hora em estrada de chão. Sacolejando até. Rs. Esse foi o caminho mais longo de carro. Parecia que não ia chegar nunca. E minha bunda já estava doendo.
10:00 am
Chegamos na entrada do Parque – a cachoeira é protegida ambientalmente e por isso é cobrada e monitorada a entrada. Paramos o carro e seguidos a pé. É incrível, mas cada dia é uma surpresa diferente aqui. Nenhum dia é igual. Hoje a trilha foi totalmente diferente. A vegetação mudou para caatinga e enfrentamos muito “sobe e desce” por causa das pedras. Percorremos um trajeto beirando um rio lindo, que eles chamam aqui de “esparramado”, por ser bem largo e raso.
Seguimos descendo. No caminho paramos em três mirantes diferentes para ver as quedas do rio. Mais para frente contemplamos a cachoeira Recanto Verde. Ela também fica em uma espécie de buraco. Uma árvore enorme caiu em frente à queda d’Água, então é como se não existisse aquele lago que se forma embaixo da cachoeira. Só tem árvore e galhos. Diferente! Continuamos andando. Enfrentamos uma descida íngreme, com pedras e também duas escadas – muito retas – de madeira.
Finalmente chegamos! E agora começa a minha tentativa de descrever para vocês como foi o meu dia. O Buracão é um buraco enorme mesmo. Imagine uma montanha. Pense que houve um terremoto fortíssimo que provocou a abertura de uma fenda gigantesca no meio desta montanha inteira. E que por ela escapa aquele rio “esparramado” em uma queda de 100 metros. Embaixo se forma um lago enorme e muito fundo, escorrendo por entre as fendas como um rio novamente. INCRÍVEL!
O ponto que temos acesso pela trilha fica ao lado da cachoeira. Porém, existe um paredão enorme que impede a passagem. A única forma de chegar até lá é nadando. Pegamos os coletes salva-vidas – uso obrigatório – e seguimos nadando pelo rio escuro (mesma coloração do rio Roncador) entre as fendas. Essa experiência já foi surpreendente. Temos que nadar contra a correnteza, pois a água está descendo e nós, subindo para a cachoeira. Força nos braços e no corpo inteiro. Rs.
Eu quero muito conseguir explicar a visão que temos quando chegamos em frente a cachoeira. É SURREAL! São 100 metros de queda e como choveu ontem, tinha muita água caindo. Ali a Mãe Natureza mostrou a sua imponência. Realmente não somos nada. Meros serumaninhos. Pensa isso tudo dentro de um buraco com paredões imensos de pedras. A água cai com tanta força que provoca vento e ondas na água embaixo. Eu fiquei sem fôlego de tão encantada.
O guia Marcone que estava com a gente hoje era incrível. Nos levou até lá bem perto da queda, em uma caverninha. Tivemos que ir escalando as pedras, mas quanto mais perto chegávamos, mais forte ficava a força do vento e da água vindo em nossa direção. Chegou um ponto que eu mal conseguia abrir os olhos. Não estava enxergando quase nada. Mas valeu MUITO a pena todo o esforço. Ficamos deitados dentro da caverna com os pés para fora, sentindo toda aquela energia. Foi tão surreal que começamos a gritar. Meu coração estava a milhão. Alegria, deslumbramento e adrenalina, tudo misturado dentro de mim.
Ficamos nadando por horas. O Marcone me levou num ponto alto das pedras. Fui escalando mesmo. E aí, pulei na água. Que frio na barriga maravilhoso! Pulei de três alturas diferentes ali no lago da cachoeira. Foi incrível. Aquela água escura e funda te traz sensações surpreendentes. Eu estava tão em êxtase que sentei em um marimbondo – sim, eu fiz isso – e nem senti dor quase com a picada. Minha bunda está super inchada, mas na hora eu só queria mesmo curtir aquele lugar. Recebi tanta energia boa que não tenho como descrever. Aquela imensidão toda me deixou deslumbrada.
Antes de irmos embora pulamos de uma pontezinha de madeira que fica entre as fendas. Ali foi o ponto mais alto que pulamos. Parecia que a queda não ia terminar nunca. Rs. Foi sensacional. E o mais legal foi ver todo mundo se superando. Mesmo quem tinha medo se esforçou para viver esse momento. E valeu a pena!
Estava muito bom, mas precisávamos ir embora. Na volta paramos na cachoeira da Borboleta para comermos e descansarmos um pouco. Parece que não, mas nadar cansa mais do que o trekking da trilha. Hoje foi um dia que fiquei exausta. Ficamos um tempinho nesse ponto de descanso. Entrei na queda da cachu e fiquei um pouco no sol. Foi muito gostoso. Alguns aproveitaram para tirar um cochilo. E depois partimos em direção ao carro. A volta sempre é mais rápida. Acho que é por que a ansiedade já passou. Rs.
No carro eu dormi boa parte do trajeto. Ou pelo menos tentei com aquele sacolejo todo na estrada de chão. Quando pegamos o asfalto fomos presenteados com o nascer da lua. Ela estava maravilhosa, enorme e laranja surgindo por entre as montanhas. Ah, Chapada, por que ser tão abençoada assim? Desse jeito vai ser difícil te deixar! Mais do que já vai ser. Eu estou em um estado de êxtase hoje. Essa está sendo a melhor viagem da minha vida até agora. Para quem tinha dúvidas se viria para cá ou não. Eu te digo: já estou pensando quando voltarei para fazer a travessia do Vale do Pati. Rs.
Hoje eu não sai a noite para jantar. Estava muito cansada. Ao ponto de querer ficar quietinha aqui no quarto. Amanhã acordo cedíssimo, pois antes do passeio, que é as 8 horas, quero passar aqui no Cemitério Bizantino para conhecer (falo dele no próximo texto). Amanhã vamos fazer a travessia de Guiné para o Vale do Capão. São 18 km de trekking. Aproximadamente 7 horas de caminhada. Mais um dia diferente. E que eu tenho absoluta certeza de que vai ser incrível.
Nos vemos em breve, galera! 👋🏼
OBS: não estou conseguindo postar as fotos da viagem aqui no blog, pois estou fazendo tudo pelo celular. Então para quem acompanha só por aqui, vale seguir no insta para entender melhor sobre os lugares: ma_santos7.

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