Diário de Bordo: A chegada em Lençóis – BA

Acordei às 4:30 am deste domingo (11) e fui para o aeroporto. Meu voo estava marcado para as 6:35 am. Porém, atrasou e saímos às 7:10 am. Foram 30 minutos esperando dentro do avião e eu caindo de sono. Não conseguia ficar com o olho aberto. Tinha dormido super pouco na noite anterior e em todas as outras desta semana. Pessoa ansiosa não sabe o que é dormir quando tem algo bom ou ruim para acontecer. Essa é minha vida!

Decolamos! Cheguei no aeroporto de Salvador às 9:30 am, mas na verdade era 8:30, por que aqui na Bahia não tem horário de verão. Meu segundo voo para Lençóis estava marcado para as 11:55 am, ou seja, tinha tempo pra cacete ainda. Dei um role e comi um kibe minúsculo que custou R$ 3,50. Quando você é mochileiro cada centavo é importante e comecei a aprender isso logo no primeiro dia. O preço das coisas no aeroporto é quase um assalto à mão armada. Quando o dinheiro é curto você começa a reparar. E eu fiquei chocada!

A única coisa que eu não resisti e tive que comprar foi um livro. “O ano mais revolucionário da música – 1965”. Pensa em um livro foda. Nele o autor não fala só sobre a influência musical na época, mas também sobre questões raciais, políticas, sexuais e espirituais. Questões como o feminismo, a pílula anticoncepcional, as drogas e o LSD também são abordadas. Enfim, tudo o que envolveu esse ano, que foi essencial para que tivéssemos tudo o que temos hoje com relação a diversas áreas das nossas vidas.

Depois de comprar o livro sentei em frente ao portão de embarque. Ainda faltava mais de 2 horas para meu voo. Entre as páginas que eu lia, comecei a reparar nas pessoas que entravam para embarcar. Vi pessoas se despedindo e chorando. Algumas ficavam e outras iam embora. Olhando aquelas cenas compreendi que por mais que a dor da separação seja grande, ela nunca será maior do que a nossa ânsia por novos horizontes. Ali eu vi pessoas livres. De alguma forma elas são.

11:55 am. O avião decola sentido Lençóis, na Chapada Diamantina. Me sinto entrando de verdade na viagem. Quando começamos a sobrevoar a região da Chapada senti um frio na barriga e uma emoção enorme em ver uma área enorme de natureza. Cara, era muito verde! Muita árvore! Fiquei encantada. Pousamos no aeroporto. Vim com os guias para a cidade e me hospedei na pousada Pouso da Trilha. Aqui tudo é simples e rústico. Mas o lugar é aconchegante e acolhedor. A dona já me recebeu com um suco de tamarindo maravilhoso. Foi a primeira vez que experimentei.

Tomei um banho e sai dar uma volta pela cidade. Lençóis é pequena, tem cerca de 7 mil habitantes, podendo chegar a 12 se somarmos a população dos distritos. Dei umas três voltas pelo centro histórico. Estava um sol de rachar. Aqui as ruas são todas de pedras. As calçadas são estreitas e altas. As arquiteturas das casas são todas típicas e com cara de Bahia. Tudo muito colorido. Visitei a igreja do Senhor dos Passos, o padroeiro dos garimpeiros. A Chapada Diamantina já foi um garimpo, onde eram extraídos diamantes da região.

Enfim, a tarde conversei com algumas pessoas, como o Negão, um homem que veio puxar papo comigo e me contou algumas curiosidades sobre a cidade. Como a história de que em uma das ruas de Lençóis havia um cabaré. Até hoje mulheres casadas evitam passar por esse local, pois sentem vergonha do que acontecia ali. Ele me disse também que o rio que corta o município já foi tão cheio ao ponto de inundar a Praça das Lagoas – lugar que abriga o rio.

Hoje o dia foi cansativo. No final da tarde dormi um pouco e depois sai para jantar. Escolhi um restaurante não muito caro e que oferecesse alguma refeição típica. Não queria comer pratos que eu como em SP. Escolhi o Restaurante Comida Nativa e pedi o prato de godó de banana com carne seca. Confesso que esperava algo mais saboroso, mas estava bom. Comi tudo! Tomei uma cerveja e fui dar um rolezinho. Achei o máximo ver os cachorros parados cada um em uma mesa esperando para ganhar algum petisco. Aqui tem muito dog.

Fui ao mercado municipal, onde fiquei sabendo que toda noite tem artesanatos para vender. Me identifiquei com a barriquinha do Evandro. Comprei algumas coisas e ganhei uma pulseira. Conversando descobri que ele é de Sergipe e está morando na Bahia há 16 anos. Não sabemos por que, mas concordamos que esse estado tem uma magia única. Ele me disse que os paulistas sabem valorizar a arte e que nós somos seus melhores clientes. Seja aqui nas terras baianas, ou lá no sul.

Depois de comprar os artesanatos fui caminhando e sentei em uma pracinha que fica no caminho para a minha pousada. Fiquei ali um tempo escrevendo no meu Diário de Bordo de mão. Aqui é muito tranquilo. Me senti segura o tempo todo. Seja de dia ou à noite. Por volta das 21 horas voltei para tomar banho. Agora, 23:38 pm estou terminando de escrever esse texto. Preciso urgente dormir. Por que, além de eu estar exausta, amanhã começam os passeios pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina. Levanto às 7 horas da matina e já sigo com as malas, pois a segunda parada é a cidade de Mucugê!

Nos vemos em breve! 😉

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