Diário de Bordo: Igatu, Poços Encantado e Azul

7:12 am

Acordei no susto em Igatu. Deixei meu celular carregando em uma mesinha perto da porta e não escutei o despertador. Mas nosso sexto sentido é mais forte e despertei sozinha. Fui olhar a hora e já dei um pulo. Rs. Joguei tudo dentro da mochila. Tomei um banho voando. Comi e as 8 horas em ponto estava pronta. Ufa! Dormi super mal essa noite. Senti muita coisa ruim naquele lugar. Sou sensitiva e senti que existe muita alma que não está em paz naquela cidade. Coisa que só fui entender no dia seguinte.
8:00 am
O guia Thiago nos levou para conhecer as ruínas de Igatu. A vila, que é distrito de Andaraí, foi um próspero povoado no alto da serra, na primeira fase do garimpo de diamantes. Porém, com a baixa na produção, a cidade foi abandonada, restando apenas casas fechadas, ruínas e poucos moradores – mais precisamente 360 habitantes. Acreditem!
A maioria dos garimpeiros construía suas casas utilizando as pedras abundantes no local, numa espécie de construção sem argamassa. Depois de abandonadas, as casas viraram ruínas que lembram as construções de civilizações remotas. Pouco se fala, mas muita coisa ruim aconteceu ali na época do coronelismo, como a escravidão. Na época do garimpo muitas pessoas eram escravizadas. Não
Foi então que entendi o que havia acontecido na noite anterior. O guia nos disse que muitas pessoas mais sensíveis se sentem mal em Igatu. Têm visões e sentem o sofrimento da população que ali viveu. Tudo explicado! Mas isso não diminui o encanto da cidade pequena. As ruínas são cativantes. É surreal pensar que os garimpeiros viviam em casas feitas apenas com pedras. Imagina no frio intenso? A maioria das residências tinha apenas um quarto.
O clima em Igatu é em sua maioria frio e úmido. Hoje estava nublado, o que aumentou ainda mais o ar sombrio. Os garimpeiros possuíam o sonho de encontrar um diamante valioso e mudar de vida. Porém, gastavam todo o dinheiro em pinga. O pouco dinheiro que os compradores pagavam pela pedra valiosa. Enganavam os homens que trabalhavam nos garimpos dizendo que aquilo valia bem menos do que eles imaginavam. Era um ciclo sem fim. Apesar de ter achado a vila bem triste, gostaria de ter ficado mais para conhecer também as pessoas que vivem lá.
9:00 am 
Partimos rumo o Poço Encantado e o Poço Azul. Hoje não teve caminhada. Percorremos todo o trajeto de carro. Cerca de 1h e meia de estrada de chão.   Chegando no Encantado descemos em uma vendinha, onde usamos o banheiro e pegamos os capacetes para entrarmos na caverna. Descemos uma escada estreita com 400 degraus. Chegando na porta da caverna conseguimos avistar a fenda por onde a luz do sol entra para iluminar o poço.
Eu nunca tinha entrado em uma caverna na minha vida. Era escuro e bem afunilada a entrada. Fomos caminhando segurando em uma corda até chegarmos ao poço. A princípio não conseguimos enxergar nitidamente, mas conforme o olho vai acostumando, a imagem vai surgindo. E que visão! O silêncio da caverna pode ser insuportável para uns e abençoado para outros. A paz invade você! Me emocionei. Chorei! Não tenho como descrever. É magnífico!
A caverna é alta e funda ao mesmo tempo. É como se fosse um “ovo” explicando de uma forma bem chula. A parte mais funda chega a 61m de profundidade, que é onde a água está. Ela é cristalina. Ao mesmo tempo temos a impressão de que é azul devido ao magnésio e o carbonato de cálcio. A luz do sol entra pela fenda e conseguimos enxergar o fundo (a parte mais rasa). Infelizmente a permanência no local só é permitida por 20 minutos. Mas valeu cada segundinho ali dentro. A natureza deu um show!
Subimos as escadas novamente e quando chegamos na vendinha fomos surpreendidos por uma família de macaquinhos. Eles subiram em cima de mim para pegar meu doce. Uns safadinhos! Tomamos água de côco e partimos para o Poço Azul. Andamos mais alguns km de carro em estrada de chão.
O Poço Azul também é protegido ambientalmente. Para entrar precisamos tomar banho de ducha para tirar todo resíduo de protetor, creme, etc. do corpo. Pegamos um colete e um  snorkel cada um e descemos mais uma escada rumo a caverna. Dessa vez, o banho é liberado e entramos na água para mergulhar. A água estava geladíssima. Fiquei tremendo o mergulho inteiro. Mas a magia daquele visual era maior que tudo. A profundidade era de 7 metros e flutuando conseguíamos enxergar o chão da caverna. INCRÍVEL!
Meu, não tem como descrever em palavras essa experiência. Foi muito lindo. Eu respirava fundo de emoção. Todo mundo instintivamente falava baixo. A paz é predominante. No fundo da água dava para ver os troncos das árvores que rolaram até lá. Em cima do poço tem uma fenda por onde entra a luz do sol. E através da água dava para ver os raios solares atravessando até o fundo. Lindo, lindo, lindo!
14:00 pm 
Saímos do poço e paramos no restaurante da Dona Alice, que fica em cima da caverna e serve comida caseira e típica. Mais uma vez não teve como, tive que comer a beça. Não teve jeito, não. Como dizem meus queridos baianos. Estava uma delicia, como sempre. Almoçamos e fomos embora para Mucugê (agora sim), nossa terceira parada. Percorremos quase 2 horas de estrada de chão. Dormi boa parte do caminho. Estava exausta.
16:35 pm
Chegamos em Mucugê. A cidade faz o estilo de Lençóis, pois tem mais infraestrutura. Estou hospedada em uma pousada em frente ao cemitério Bizantino. Nem acreditei! Estava e estou doida para conhecer. Hoje não deu tempo, quando cheguei lá já estava fechado. Mas só de ver por fora já me deu uma emoção. Amanhã conto melhor sobre ele.
O Thiago nosso guia disse que a cidade é conhecida pela boa pizza. Nos indicaram a Point da Chapada. Uma pizzaria muito bonitinha, feita de pedras e com uma carinha bem aconchegante. Paulista tem a mania de desconfiar da pizza de estados alheios. Mas decidi provar. Estou provando tudo de novo que me aparece por aqui. Rs. Tomei um banho e fui para lá, sozinha.
18:30 pm
Sentei à mesa. Pedi uma cerveja e uma pizza de lombo, catupiry e manjericão. E realmente é maravilhosa. A massa é fininha e o recheio no ponto. Aprovadíssima! Quando eu estava terminando de comer, o pessoal do grupo começou a chegar.
Nos juntamos todos em uma mesa grande e a conversa foi ótima. Conhecemos melhor uns aos outros. E foi uma troca de experiências incrível. Um é do RJ, outra de Brasília, outra de SP, alguns do interior de SP e um da Bahia que estava morando na Austrália e agora está indo para Nova Zelândia.
22:00 pm
Voltei para a pousada. Como de costume, estou cansadíssima e morrendo de sono. Amanhã vamos conhecer a cachoeira do Buracão. Dizem que é linda. Por ser um pouco longe, vamos sair cedo. Então, preciso dormir! Até breve, galera!
Pessoal, segue lá no IG (Instagram) para acompanhar as fotos: ma_santos7.

Diário de Bordo: Marimbus e Roncador

7:00 am
Acordei! Tomei banho e fui tomar café da manhã na pousada em Lençóis. Que lugar aconchegante. Musiquinha ambiente e comida boa. Eu nunca tenho muita fome pela manhã, mas comi bastante para aguentar o dia. Optei por: pão vegetariano, tapioca de queijo, manjericão e tomate, cuscuz de tapioca, manga, mamão e granola com yogurte batido com manga + mel + chia + linhaça. E um café para finalizar. Enchi três garrafas de água de 500 ml e pronto!
8:30 am
 
Eu e meu grupo saímos de van com os guias para a comunidade do Remanso, onde vivem os quilombolas. Andamos aproximadamente 20 km em estrada de chão até chegar no local. A vila é bem simples. A população vive da pesca, que é vendida nas feiras de Lençóis. E também sobrevive graças ao turismo. Grande parte das casas são de taipa. Por todo lado tem pé de manga. As mais maduras caem aos montes no chão.
Fomos recebidos por três quilombolas, o Alex, o Getulio e o Van. Que eu achei que era Ivan e ele me disse: “Não, é Van mesmo. Sem o i”. Ok! Rs. Estávamos na região do Marimbus, que significa área alagada. Fomos de barco percorrendo todo o rio Santo Antônio. Em cada barco foram três pessoas, mais um quilombola remando. Fomos conversando tanto, que eu fico perdida quando penso no que contar primeiro aqui para vocês.
O Getúlio era um cara daqueles porreta. Pensa em um negão grandão, que ao mesmo tempo que rema – sozinho – fala sem parar. Sobre tudo! E se precisar que ele desça na água para empurrar o barco, ele faz também. Enquanto continua falando. O que você quiser saber sobre a Chapada e sobre os quilombolas, ele sabe te dizer. Fomos conversando e admirando a beleza daquele lugar. Plantas aquáticas como Vitória Régia e Baronesa embelezavam todo o trajeto. Incrível! O céu estava azul, e a água tranquila refletia tudo e todos. Como um espelho. Os pássaros cantavam. Magico! A vegetação predominante na Chapada é a caatinga. Podendo variar entre o cerrado, o pântano e a vegetação rasteira.
Chegamos no encontro do rio Santo Antônio com o Rio Remanso. Era hora de começar a caminhada. Fomos andando pelo rio até chegar na entrada da trilha. Eu estava de tênis e não queria molha-lo, afinal vou usá-lo mais 6 dias. Tive que ficar descalça e o chão nessa parte do trajeto é cheio de pedrinhas. Deu para sofrer um pouco. Continuamos caminhando pela trilha, agora calçada, até chegar na casa da Dona Val, uma nativa que abre as portas da sua casa – ex residência de um garimpeiro – para os turistas almoçarem.
Optamos por seguir a caminhada até as Bacias do Roncador e almoçar depois. Vimos muitas coisas diferentes no caminho. Como o cacto chique-chique que possui uma flor que se vira para o oeste, onde o sol se põe, e serve de bússola para quem está perdido. Comemos algumas frutinhas típicas, que agora não me recordo o nome. Finalmente chegamos no Roncador. E que lugar maravilhoso. As águas do rio caem pelas formações rochosas formando bacias naturais. O mais encantador é que a água é escura devido à presença de tanino, deixando os buracos escuros. Senti um friozinho na barriga ao entrar pela primeira vez. Mas foi incrível!
Aproveitei para pular de uma pedra em uma das bacias maiores. Senti uma sensação de liberdade misturada com medo. Afinal pulei em um buraco negro enorme e cheio de água. Ficamos por lá acredito que umas 2 horas no máximo. Retornamos para a casa da Dona Val cheios de fome. A comida típica é feita no fogão a lenha. O cardápio de hoje, era: arroz com açafrão, feijão, salada, farofa de banana, abóbora, carne de sol, peixe empanado, godó de banana e palma (espécie de cacto rico em ferro e vitamina A) – nas épocas de seca, os garimpos davam a palma para o gado comer. Posteriormente acabou servindo de alimento para eles também. Estava tudo maravilhoso! Comi um prato cheio e ainda repeti. Gratidão, Dona Val!
Partimos de volta para o local onde ficou a van. Andamos, andamos, andamos… Na volta é sempre mais cansativo. Minhas pernas estavam pesadas. Comecei a sentir a canseira. Os pés doeram muito mais nas pedrinhas do Remanso. Seguimos em frente passando novamente pela comunidade. Chegamos ao ponto final e dali partimos para Igatu. No último texto eu disse que hoje iríamos para Mucugê, mas acho que eu estava delirando de sono. Rs. Estou em Igatu, uma vila bem pequena, com no máximo 800 habitantes – mas falo dela no texto de amanhã.
19:30 pm
Jantamos na pousada, pois a cidade não tem muita infraestrutura.
21:40 pm
Estou mega cansada. Já estou deitada terminando esse texto. Amanhã acordamos ainda mais cedo, pois saímos mais cedo para conhecer as ruínas de Igatu e depois seguimos para o Poço Encantado e Poço Azul. Será demais! Até breve, galera!
Curiosidades:
– Lençóis nasceu através do garimpo. Foi sendo povoada e conquistou o posto de cidade. Porém, o garimpo estava acabando com as nascentes e prejudicando o rio Santo Antônio que abastece a Chapada Diamantina, considerada a caixa d’Água da Bahia. Por isso o garimpo foi proibido. E hoje Lençóis sobrevive do turismo. Segundo o Eugênio, nosso guia, os turistas são os novos diamantes da Chapada.
– O rio Paraguassu é a maior bacia hidrográfica da Chapada.
Obs: hoje conversamos sobre o incêndio de grandes proporções que atingiu a Chapada no final de 2015, início de 2016. Mas isso é assunto para outro texto.
 
DICA:
– Leve um cantil térmico com água. Por que ela esquenta muito e você acaba não bebendo. Quando chegamos, eu virei uma garrafinha de 500 ml gelada, em um minuto. Juro!
– Aqueles sapatinhos, que tem solado embaixo de borracha e é tipo uma meia de lycra em cima (não sei o nome) são uma ótima opção para esse passeio.
– Repelente e
muito protetor.
– Boné ou chapéu.

Diário de Bordo: A chegada em Lençóis – BA

Acordei às 4:30 am deste domingo (11) e fui para o aeroporto. Meu voo estava marcado para as 6:35 am. Porém, atrasou e saímos às 7:10 am. Foram 30 minutos esperando dentro do avião e eu caindo de sono. Não conseguia ficar com o olho aberto. Tinha dormido super pouco na noite anterior e em todas as outras desta semana. Pessoa ansiosa não sabe o que é dormir quando tem algo bom ou ruim para acontecer. Essa é minha vida!

Decolamos! Cheguei no aeroporto de Salvador às 9:30 am, mas na verdade era 8:30, por que aqui na Bahia não tem horário de verão. Meu segundo voo para Lençóis estava marcado para as 11:55 am, ou seja, tinha tempo pra cacete ainda. Dei um role e comi um kibe minúsculo que custou R$ 3,50. Quando você é mochileiro cada centavo é importante e comecei a aprender isso logo no primeiro dia. O preço das coisas no aeroporto é quase um assalto à mão armada. Quando o dinheiro é curto você começa a reparar. E eu fiquei chocada!

A única coisa que eu não resisti e tive que comprar foi um livro. “O ano mais revolucionário da música – 1965”. Pensa em um livro foda. Nele o autor não fala só sobre a influência musical na época, mas também sobre questões raciais, políticas, sexuais e espirituais. Questões como o feminismo, a pílula anticoncepcional, as drogas e o LSD também são abordadas. Enfim, tudo o que envolveu esse ano, que foi essencial para que tivéssemos tudo o que temos hoje com relação a diversas áreas das nossas vidas.

Depois de comprar o livro sentei em frente ao portão de embarque. Ainda faltava mais de 2 horas para meu voo. Entre as páginas que eu lia, comecei a reparar nas pessoas que entravam para embarcar. Vi pessoas se despedindo e chorando. Algumas ficavam e outras iam embora. Olhando aquelas cenas compreendi que por mais que a dor da separação seja grande, ela nunca será maior do que a nossa ânsia por novos horizontes. Ali eu vi pessoas livres. De alguma forma elas são.

11:55 am. O avião decola sentido Lençóis, na Chapada Diamantina. Me sinto entrando de verdade na viagem. Quando começamos a sobrevoar a região da Chapada senti um frio na barriga e uma emoção enorme em ver uma área enorme de natureza. Cara, era muito verde! Muita árvore! Fiquei encantada. Pousamos no aeroporto. Vim com os guias para a cidade e me hospedei na pousada Pouso da Trilha. Aqui tudo é simples e rústico. Mas o lugar é aconchegante e acolhedor. A dona já me recebeu com um suco de tamarindo maravilhoso. Foi a primeira vez que experimentei.

Tomei um banho e sai dar uma volta pela cidade. Lençóis é pequena, tem cerca de 7 mil habitantes, podendo chegar a 12 se somarmos a população dos distritos. Dei umas três voltas pelo centro histórico. Estava um sol de rachar. Aqui as ruas são todas de pedras. As calçadas são estreitas e altas. As arquiteturas das casas são todas típicas e com cara de Bahia. Tudo muito colorido. Visitei a igreja do Senhor dos Passos, o padroeiro dos garimpeiros. A Chapada Diamantina já foi um garimpo, onde eram extraídos diamantes da região.

Enfim, a tarde conversei com algumas pessoas, como o Negão, um homem que veio puxar papo comigo e me contou algumas curiosidades sobre a cidade. Como a história de que em uma das ruas de Lençóis havia um cabaré. Até hoje mulheres casadas evitam passar por esse local, pois sentem vergonha do que acontecia ali. Ele me disse também que o rio que corta o município já foi tão cheio ao ponto de inundar a Praça das Lagoas – lugar que abriga o rio.

Hoje o dia foi cansativo. No final da tarde dormi um pouco e depois sai para jantar. Escolhi um restaurante não muito caro e que oferecesse alguma refeição típica. Não queria comer pratos que eu como em SP. Escolhi o Restaurante Comida Nativa e pedi o prato de godó de banana com carne seca. Confesso que esperava algo mais saboroso, mas estava bom. Comi tudo! Tomei uma cerveja e fui dar um rolezinho. Achei o máximo ver os cachorros parados cada um em uma mesa esperando para ganhar algum petisco. Aqui tem muito dog.

Fui ao mercado municipal, onde fiquei sabendo que toda noite tem artesanatos para vender. Me identifiquei com a barriquinha do Evandro. Comprei algumas coisas e ganhei uma pulseira. Conversando descobri que ele é de Sergipe e está morando na Bahia há 16 anos. Não sabemos por que, mas concordamos que esse estado tem uma magia única. Ele me disse que os paulistas sabem valorizar a arte e que nós somos seus melhores clientes. Seja aqui nas terras baianas, ou lá no sul.

Depois de comprar os artesanatos fui caminhando e sentei em uma pracinha que fica no caminho para a minha pousada. Fiquei ali um tempo escrevendo no meu Diário de Bordo de mão. Aqui é muito tranquilo. Me senti segura o tempo todo. Seja de dia ou à noite. Por volta das 21 horas voltei para tomar banho. Agora, 23:38 pm estou terminando de escrever esse texto. Preciso urgente dormir. Por que, além de eu estar exausta, amanhã começam os passeios pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina. Levanto às 7 horas da matina e já sigo com as malas, pois a segunda parada é a cidade de Mucugê!

Nos vemos em breve! 😉

Diário de Bordo: Em busca do desconhecido

“Quem me segue em alguma rede social se não sabia, descobriu hoje que vou fazer minha primeira trip sozinha. Muita gente deve estar pouco ligando, mas sei que também tem uma galera que vai adorar acompanhar essa experiência nova pra mim – e um sonho reprimido de muitos”.

Cara, eu sou um pouco viciada em viver coisas inéditas, em sentir aquele frio na barriga por não saber como será. Gosto do sabor do novo, do inesperado. Já imaginou quão chato pode ser o hábito? Ou, melhor, o “estar habituado”. O ser humano é adaptável. Tanto é que nossa cadeia evolutiva chegou até aqui sozinha (segundo a ciência). Apenas se adaptando a situações, criando mecanismos para isso: a chamada “evolução humana”. Até os fatos ruins tornam-se mais suportáveis com o tempo. Por isso é preciso estar em constante mudança e renovação. O mundo não é dos estáticos. Quem se mantém parado, se limita.

A minha vida inteira eu viajei acompanhada de alguém. Família, amigos, ex-namorados. Sempre fui para lugares que agradassem a maioria, ou que não desagradassem ninguém. Nunca fui para um lugar que eu quisesse, na data que eu quisesse, para fazer o que me desse na telha. Eu nunca escolhi um destino sozinha, analisando meus próprios desejos. E pensar nisso não é egoísmo, é liberdade. É querer ser livre para deixar rolar e esperar que o Universo traga o melhor. Quando nos afastamos do que nos é comum passamos a enxergar aquilo que não víamos. Enxergamos o outro. Permitimo-nos conhecer pessoas e culturas novas.

Há uns anos eu senti despertar dentro de mim essa sede pelo desconhecido. Percebi minha evolução como pessoa quando passei a me relacionar com pessoas diferentes de mim. Quando me permiti ler sobre outras religiões e culturas. Se cada pessoa que você conhece não te muda pelo menos um pouco e se cada lugar novo que você visita não te traz uma bagagem intelectual maior, então você não viveu nada até agora. Cada palavra que uma pessoa me fala diz muito sobre ela. E cada história que ela conta me diz mais ainda sobre mim. Desde crianças aprendemos com os exemplos.

Enfim, em 2016 me deu a louca de viajar sozinha. Comecei a planejar um mochilão pela Tailândia, sozinha também, claro. Mas fiquei com receio de me jogar no país asiático antes de ter vivido uma experiência parecida no meu país – e que fala minha língua. O Brasil é maravilhoso e cheio de energias positivas vindas da nossa Mãe Natureza. A princípio escolhi a Amazônia que é meu sonho de vida. Porém em dezembro chove demasiadamente lá, então não rolou – infelizmente. Depois de pesquisar diversos destinos parecidos e enfiados no meio do mato, a Chapada Diamantina caiu no meu colo. E é pra lá que eu vou, galera!

Eu espero trazer muita bagagem pessoal dessa experiência. Viver novas histórias, conhecer novos hábitos e novas pessoas. Quero romper minhas barreiras mentais e vencer meus medos. O que eu mais desejo é ter tempo para me conhecer ainda mais, pois só quem se conhece muito bem consegue evoluir. Eu nem viajei ainda e já desejo que todo mundo faça isso pelo menos um dia na vida. Para aprender que a dependência de algo ou alguém está ligada ao ‘possuir’, que é uma armadilha do ego. Precisamos aprender que ninguém precisa de ninguém e assim amaremos pelo simples fato de amar.

Para quem tem esse sonho reprimido pelo medo, eu vou escrever um Diário de Bordo da minha viagem aqui no Blog. Começando por hoje, 11 dias antes da viagem e seguindo até o pós-trip. Vou relatar todas as minhas experiências e emoções! Para quem quiser me acompanhar: Bem-vindo (a) à bordo!

A felicidade não está no possuir, mas no desfrutar

“Era fim de tarde. As folhas dançavam no embalado daquela brisa gelada de outono. O céu brilhava em um misto de cores quentes, despedindo-se do astro Rei. De repente, uma borboleta cor de violeta pousa em sua mão. Era doce e leve. Porém, antes que pudesse toca-la, se foi como um sopro composto pela liberdade do agora. Voando era ainda mais bela. E foi assim, que aquela garota sentada na varanda compreendeu que a felicidade não está no possuir, e sim, no desfrutar”.

Desde que nascemos somos induzidos a acreditar que precisamos ‘ter’ para sermos realizados. Basta entrarmos na idade escolar – que está cada vez mais precoce – para que a pressão comece: “Se não estudar não vai ter dinheiro”; “Precisa tirar boas notas para ter um bom carro”; “Trate de estudar senão não terá nada no futuro”. A moeda de troca para a criança criar interesse pelos estudos é a chantagem sobre bens materiais. Sobre possuir algo: “Se passar de ano na escola, a mamãe te dá um brinquedo novo”.

Poucos são os pais – e a esses dedico meus aplausos – que ensinam seus filhos a ‘serem’ seres humanos. Há muito só se criam máquinas focadas em conquistar os melhores empregos, os melhores carros, as melhores roupas e as maiores casas. O resultado: jovens traiçoeiros, manipuladores e mimados. Buscam incessantemente a felicidade em coisas tangíveis. Acreditam que o conceito: casa, carro, família e um cachorro é a receita para uma vida feliz. E assim passam a vida toda em uma busca frustrada pela realização pessoal.

A primeira grande decepção chega logo na adolescência, com o primeiro ‘pé na bunda’ ou um amor não correspondido. Dói na alma. “Como assim o/a fulaninho (a) não me quer? Eu o/a amo demais. Ele (a) não pode fazer isso comigo”. Em qual momento da história humana foi nos dada a posse de algo ou alguém? O que nós sentimos e o que criamos dentro de nós é nossa responsabilidade e não do outro. Por isso devemos cuidar com amor e dedicação do nosso interior, pois isso ninguém jamais poderá tirar de nós.

O ser humano tem a falsa ideia de que possui coisas e pessoas. E é essa ilusão de possuir que traz tanta dor e sofrimento. Todos os dias, vejo homens e mulheres chorando pelos cantos, lamentando terem perdido a/o namorada (o). Um casamento que não deu certo soa como o fim da linha para alguns. A verdade é que sofremos imensamente pelas perdas. Porém, não se perde aquilo que nunca se teve. Concorda? Não é possível deixar de ter algo que nunca se possuiu.

Eu, no baixo dos meus 26 anos, apegada a momentos e pessoas que sou, aprendo diariamente a desapegar da forma correta daquilo que meu ego insiste em dizer que é meu. Nossa vida é composta por instantes, alguns mais longos, outros passageiros. Recentemente vivi quatro dias intensos com pessoas que até então não conhecia. E, como sempre, eu não queria que aquilo terminasse. Estava tão feliz, mas deixei a tristeza invadir meu peito só por causa da ansiedade de saber que iria acabar. Eu não queria perder aquele momento.

Então, entrando no mar, uma amiga me disse: “Você precisa aceitar que o que vivemos foi maravilhoso, mas acaba aqui. E a partir de agora novas coisas virão. Novas pessoas. Novos momentos tão bons como esse”. Cara, é isso. O segredo da felicidade não está em ter algo, mas sim em desfrutar disso. Os momentos são únicos, o que passou, se foi e não volta. O mais valioso da vida é o agora. A ansiedade advinda do medo de perder nos impede de vivermos intensamente aquilo que nos foi dado – ou emprestado, como costumo chamar.

Quando entendemos que as pessoas não são nossa posse, assim como fomos ensinados sobre os bens materiais, então aprendemos a lidar melhor com os finais. Cara, não é por que seu relacionamento acabou, que isso significa que ele não deu certo. Deu, sim e deu por muito tempo. No entanto, as pessoas são livres. Ninguém está preso a ninguém. Aproveitem enquanto essa união está trazendo felicidade para ambos. E se amanhã um dos dois sentir a necessidade de voar por outros ares, deixe ir. O fluxo da vida corre assim. Pássaro preso não canta, lamenta.

A verdadeira felicidade está dentro de nós. Se você busca sua paz e alegria exteriormente, então você será para sempre frustrado. As pessoas com quem nos relacionamos não podem ser responsáveis pelo nosso bem estar. Elas devem somar no que já é completo. A partir do momento que nos sentimos despedaçados pela ‘perda’ de alguém, é sinal de que algo não vai bem dentro de nós. As pessoas são egoístas, precisam do outro para se sentirem completas e não por que amam simplesmente. As relações humanas deixaram de ser sinceras e passaram a ser um jogo de interesse.

O ser humano passou a se relacionar com o outro não por que ama, mas por que precisa de estabilidade. A sociedade cobra pelo casamento. E devido a isso muitas pessoas entram em relações falidas na ilusão do comercial de margarinas. E aí, quando o outro decide partir, o ego leva uma surra e não se conforma: “Por que ele (a) fez isso comigo? Eu não merecia. Estou sofrendo. Ele (a) acabou com a minha vida”. Eu, eu, eu, eu, eu, eu. Como se a outra pessoa não tivesse o direito de voar. Criamos na nossa mente a falsa ideia de possuir alguém. Então, a vida nos mostra que nada é nosso e isso machuca o ego.

Portanto, a partir de hoje, comece a ver os momentos e as pessoas como instantes. Entenda que tudo nos é emprestado pelo Universo. Cada ser que cruza nosso caminho o faz por algum motivo. E o nosso querer, meu amigo, infelizmente nem sempre é o melhor para nós e para o outro. Se entregue. Sinta e desfrute de tudo o que ama e que te faz feliz. E quando precisar partir, deixe ir. Já não te pertence mais. Foi seu por um instante. Pelo tempo que tinha que ser. E foi maravilhoso, não foi? Tudo o que tentamos segurar acaba por nos machucar. A liberdade é a fonte da vida.

“A mão em que a borboleta pousou e lhe permitiu a liberdade, poderia ter sido a sua sentença de morte, caso a tivesse prendido”.

Desculpa, mas sou da geração que não tem medo de arriscar

“Há alguns dias chamei meu pai para conversar. O assunto, que muito me provoca euforia, a ele causou receio e espanto: ‘Pretendo me mudar para a Austrália no ano que vem'”.

Recentemente deparei-me com uma situação, a qual eu já escrevi muito sobre, mas nunca havia vivenciado realmente – não tão diretamente. No meu dia a dia, procuro incentivar as pessoas a não terem medo e a gostarem das mudanças, pois é assim que o fluxo natural das nossas vidas corre. O estático não funciona. Porém, nem sempre é fácil mudar. Às vezes, o melhor nos espera, entretanto, para alcançá-lo precisamos nos sacrificar.Correr riscos. Dizem – e eu acredito piamente – que para chegar ao “impossível” é preciso deixar muitas coisas para trás. E estar disposto a isso não é para qualquer um.

Mês passado decidi que 2017 será um ano decisivo para mim. Eu, assim como todos os jovens da minha idade, às vezes me pego em crise existencial. Poxa, já tenho 27 anos (quase) e não vejo minha vida evoluir. Não me vejo 100% independente. Parece que, ao invés de estarem cada vez mais perto, as coisas que eu almejo para mim estão cada vez mais difíceis de serem alcançadas. Meu pai com a minha idade já tinha casa, euzinha, um cachorro, carro, etc. No momento, minha única vantagem nessa comparação é que eu tenho dois dogs (que eu me desdobro para não deixar faltar nada).

Cara, a pressão que a sociedade impõe sobre nós vira e mexe consegue nos abalar, por mais que lutemos contra. A questão não é “ser rico” ou não. É não ter que depender de ninguém nessa porra. Já dependemos de tanta coisa nesse sistema sujo. Não sei o resto do mundo, mas pensar que alguém paga minhas contas me incomoda demais. É claro que nossos pais estão aqui para nos ajudar – caso viermos a precisar. Mas, meu amigo, chega uma idade, que essa “ajuda” não pode mais ser uma obrigação. É hora de voar!

Quando eu sai da casa do meu pai, em 2015, dei um voo baixo, rasante, rumo a minha independência. Amadureci. Evolui um tiquinho. Não foi um passo pequeno, muito pelo contrário, foi um passo gigante se comparado a minha situação há dois anos. No entanto, nesse momento, me sinto estagnada e tenho pavor disso. Sinto-me preparada para decolar e buscar novos ares. Tenho diversos sonhos a serem realizados. Não posso esperar que eles venham bater na minha porta, não é mesmo? Se eu não me jogar no mundão, vou ficar para sempre no “se”. E esse “se” tem o peso imenso dentro de nós.

Por fim, me deixei sonhar e planejar um futuro diferente e não tão impossível assim: “Vou largar tudo para estudar fotografia e tentar a vida na Austrália, em 2018. Sem data para voltar”. Li muito. Conversei com brasileiros que vivem lá. Pesquisei. Pesquisei mais um pouco. E decidi: é possível! Na minha cabeça, eu só precisaria ter força de vontade e determinação, que o resto aconteceria normalmente. Certo? Certo! É dessa forma que as coisas fluem. Basta querer e ter vontade. E se der errado? Cara, se der errado,“tamo aí”. Ninguém está livre da decepção e da frustração. Não acredito que as coisas fluirão às mil maravilhas, mas se não focarmos no pensamento positivo e seguirmos em direção a ele, aí que nada vai rolar, mesmo.

Tudo decidido! Chamei meu pai para conversar. Contei todos os meus planos. E, foi nesse momento, que o meu mundo ‘quase’ desabou. Me senti uma sonhadora (no sentido pejorativo). Ele, assim como grande parte dos seres humanos, prefere se agarrar aquilo que é mais seguro, que não tem chances de erros, do que ir atrás dos próprios sonhos. Nossa conversa foi uma troca de ideias, nada de “nãos” ou proibições. No entanto, ouvir meu pai falando tanta coisa distinta do que eu penso só me fez ver o quanto as pessoas têm medo.

“Maysa, você deveria prestar um concurso público. Não vai precisar trabalhar direito. Vai ficar sentada no ar-condicionado o dia inteiro. Não corre o risco de perder o emprego. Ganha bem”. Aquelas palavras foram entrando no meu ouvido e eu só conseguia sentir meu espírito livre gritando dentro de mim: NÃO, NÃO É ISSO QUE EU QUERO. Me deu desespero só de imaginar. Sabe, eu até entendo ele, de querer me dar estabilidade e segurança financeira para se sentir mais tranquilo. Quer me ver independente. E esse tiro no escuro na Austrália é um pouco incerto. Ouvi dele que se nada der certo, eu já vou ter 28 anos, muito velha para começar de novo. E existe idade para começar? Recomeçar?

Terminamos a conversa de uma forma ótima. Entretanto, todas as coisas que ele me disse, por algumas horas conseguiram me desestabilizar. Me deram medo. Pela primeira vez, eu senti medo de arriscar. Então, comecei a chorar sozinha. Chorava e não sabia por que. Pensei: “Cara, o que eu tô fazendo? Eu sempre me entreguei e confiei. Até das minhas frustrações eu tirei muita coisa boa. Se liga, Maysa. As coisas vão dar certo. Tudo vai acontecer como tem que ser”. Passado esse turbilhão de sentimentos dentro de mim, comecei a refletir. Eu havia sentido na pele, o que grande parte das pessoas sentem diariamente. E isso é apavorante.

As pessoas preferem viver uma vida que elas não amam, que não acham foda, por medo de arriscar. Trabalham por dinheiro e estabilidade financeira e não por paixão. Não sentem tesão no que fazem. E acham que almejar uma vida dessas é coisa de sonhador lunático. “Meu sonho é ser uma fotógrafa top, naipe National Geographic”, mas para as pessoas, eu viajo “nas ideias”. Cara, você já parou para pensar que a pessoa que está lá naquele lugar que você quer chegar, não nasceu ali? O ser humano, aceita “que dói menos”, ao invés de ir à luta.

Meu pai me disse que eu posso me frustrar mais uma vez indo para a Austrália. E eu respondi que mais frustrada eu seria se ficasse aqui, vivendo uma vida que não é nem de longe, a vida que eu sonho. Prefiro me frustrar em uma tentativa, do que a vida toda. Todas as pessoas que conquistaram seus objetivos precisaram arriscar, seja o que for. Não existe tentativa sem erro. E, para mim, o maior dos erros é não tentar.  Sempre escutei meus avós se lamentando de algo que não fizeram. Na última conversa que tive com minha avó, ela me disse que seu maior arrependimento é não ter cursado a universidade que tanto queria. Casou-se com meu avô e foi levar a vida que a sociedade impõe como correta. E ela, é minha maior incentivadora!

Me desculpa, mas eu nasci na geração que arrisca, e permanecer nessa vida estática que a sociedade quer, não está nem de longe nos meus planos. E você, se joga ou aceita o que é mais cômodo?

Entregue, Confie, Aceite e Agradeça

Acredito que todos nós já passamos por situações que nos causaram tristeza ou até revolta. Todo ser humano já deve ter se perguntado pelo uma vez na vida: “Por que isso está acontecendo comigo?” ou “Por que coisas ‘ruins’ acontecem com pessoas boas?”. Recentemente assisti uma entrevista, onde um sábio praticante de Yoga disse que há sempre uma lição por trás desses fatos. E como diria o ditado: “Nada acontece em vão. Se não é benção é lição”.  A resiliência nos permite tirar algo bom de tudo o que chega até nós. Basta enxergarmos além! Outro fato que permeia nossas vidas é o que recebemos de Deus, do Universo, da Vida, do Cosmos ou de como você preferir denominar. O ser humano tem sonhos, desejos e vontades. Todos os dias, emite seus anseios e espera que eles retornem da maneira que quer o seu interior. A frustração surge quando o seu ‘querer’ não é realizado.

No entanto é só analisarmos a forma como um pai e uma mãe agem com seus filhos. Nem tudo o que a criança quer lhe é dado. Muitas vezes o que almejamos não é o melhor para nós – por mais que acreditemos ser. Nós, assim como os filhos, insistimos, choramos, esbravejamos e batemos o pé por aquilo que queremos. Mas, a força Maior que nos rege é que sabe do que precisamos. E você, está preparado (a) para receber o que a vida tem para te dar? Mesmo que isso fuja do (seu) planejado? Na maioria das vezes, a resposta é não. É difícil aceitar algo no escuro. Talvez se pudéssemos enxergar lá na frente e visualizarmos os resultados futuros de determinadas situações, aceitaríamos melhor os fatos presentes. Porém, isso não é possível.

Cada dia mais, a humanidade tem sofrido de ansiedade e depressão. A primeira por pensar demais no amanhã e a segunda por não saber lidar com o passado e o presente. Acredito que se o ser humano se entregasse mais à vida, doenças como essas não seriam tão comuns. Há pouco tempo conheci o mantra “Entrego, Confio, Aceito e Agradeço” e desde então tenho lido sobre. Essas palavras têm um grande significado espiritual e também em nossas vidas cotidianas.  Mas, o que elas significam? Para viver plenamente em paz é preciso: Entregar a vida à força Maior (seja lá qual for sua crença); Confiar que o Universo irá cuidar de tudo; Aceitar o que vier; Agradecer antecipadamente o resultado seja ele qual for. Só não confunda isso com sentar no sofá e esperar que as coisas caiam do céu.

Quando Entregamos aquilo que tem nos afligido, limpamos nosso Eu interior e assim, nos tornamos abertos a novas bênçãos. Não é possível preencher um copo com água pura, se nele ainda existe vestígios de sujeira. Apesar de não termos controle total do que acontece em nossas vidas, possuímos o livre-arbítrio e ele muitas vezes nos impede de recebermos o que é melhor para nós, pois insistimos naquilo que achamos ser o correto. Ficamos estagnados, não evoluímos. A Confiança nos traz tranquilidade e faz com que tenhamos clareza para enxergamos além. A Aceitação nos faz entender que o nosso Eu interior é mais sábio do que o nosso intelecto – e o nosso ego. E por fim, a Gratidão é a melhor oração que pode existir. Ela nos coloca acima dos problemas e nos liberta. “Isso está aqui para que eu aprenda a lidar com essa questão e eu agradeço esta oportunidade!”.

E lembre-se: Você atrai aquilo que agradece!

A indiferença matou antes do frio

“Mais um morador de rua morre de frio em SP – caso é o 5º registrado na cidade”. Após lermos essa frase ficamos perplexos, sentimos compaixão e… só! São poucos os que se mobilizam para realmente ajudar a amenizar um problema que nasceu lá atrás. Será que a culpa é só do governo? Quantos de nós abrimos as portas das nossas empresas e negócios para uma pessoa que está voltando para a sociedade? Se eles estão lá é por nossa culpa, também. A cada novo morador de rua que morre de frio se vai com ele um pouco da nossa humanidade.

Quantos de nós passamos todos os dias por pessoas invisíveis nas ruas e nem sequer damos bom dia? Se tornou normal conviver com esse problema e, atualmente, as pessoas não se importam mais. Afinal, eu não tenho nada a ver com isso. Esse problema não é meu. Errado! O bem estar de todos os seres que habitam o Planeta Terra é nossa responsabilidade. Virar as costas para quem precisa, seja um animal ou um ser humano, é egoísmo. A indiferença mata aos poucos. Perdemos a dignidade e a vontade de viver a cada não que recebemos e a cada olhar de desprezo que nos lançam.

Nossa rotina está cada dia mais turbulenta: trabalho, estudo, filhos, família, afazeres da casa, academia, curso de inglês, etc. Não temos mais tempo de olhar para o lado e enxergar nosso semelhante que sofre e que luta todos os dias para sobreviver em meio à selva de pedra. Estamos deixando de nos importar com as dores do outro. Não nos preocupamos em saber o que levou aquela pessoa às ruas. Pode ter sido o fim de um casamento, a demissão de um emprego, a depressão pela perda de um ente querido, dentre muitos outros problemas.

É muito mais fácil e reconfortante pensar que foi uma escolha própria morar na rua e que por esse motivo não precisamos nos mobilizar para ajudar. O ser humano tem o costume de julgar situações que ele não vive e que acredita que nunca irá viver. No entanto, o mundo é um moinho e não sabemos o dia de amanhã. Também não conhecemos o ontem do outro. Quantas histórias de vida não se escondem por trás dessas pessoas que caminham pelas madrugadas com seus cobertores à procura de um local quente para se abrigarem.

É muito mais fácil se reerguer quando se tem apoio, uma casa e condições morais. Quando se está nas ruas, sem higiene, as portas se fecham e as pessoas preferem fechar os olhos, também. O “EU” vem em primeiro lugar. Devemos fazer a nossa parte, nem que seja uma gota no oceano. Compartilhar uma notícia da morte de um morador de rua não irá mudar esse quadro. Cumprimente, ofereça alimentos, roupas limpas e um emprego, se for possível. Não dê audiência para tragédia, dê oportunidades de mudança. Se você não puder fazer algo concreto, ajude e incentive quem pode! Use a sua voz para algo que realmente faça a diferença. E não espalhe indiferença, ela mata!E se fosse você?

Quem é sua maior frequência afetiva?

Outro dia navegando pela internet, eu me deparei com um termo até então novo para mim: “frequência afetiva”. Ele fazia parte do título de um texto escrito por um rapaz que não me recordo o nome agora. No primeiro momento, eu fiz a minha interpretação e posteriormente abri o link para ver qual era a visão do autor. De acordo com ele e com outros meios de comunicação que pesquisei, o termo é usado coloquialmente para definir o intervalo em que você se encontra com outras pessoas que gosta. Existem amigos e parentes que vemos sempre e outros nem tanto. Este período de “separação” entre cada encontro é denominado “frequência afetiva”.

No entanto, a minha interpretação não é essa. Ou, melhor dizendo, não é bem essa. No decorrer das nossas vidas, o nosso ciclo de relações mais próximas muda diversas vezes. Isso é normal, pois as pessoas estão em constante evolução e mudança. É difícil encontrar alguém que esteja com o mesmo estilo de vida até hoje. As pessoas mudam. Mudam de escola, de emprego, de cidade, de país, de namorado, etc. Portanto é natural que algumas coisas também mudem ao nosso redor. E é nesse giro do nosso ciclo de relações que aprendemos, crescemos e amadurecemos. Porém, algumas pessoas mesmo em meio a muitas chegadas e partidas, escolhem ficar.

Recentemente um amigo próximo me contou que “perdeu” muitos “amigos” após optar mudar alguns hábitos. “Quando eu decidi ir menos para festas, algumas pessoas simplesmente se afastaram”, disse ele. No dia que tive essa conversa com meu amigo, eu já havia começado este texto, o que me fez ter ainda mais certeza da importância do tema. Afinal, ter muitas pessoas presentes na nossa rotina, não significa ter muitas pessoas em nossa vida. E é nesse ponto que entra a frequência afetiva. Ao contrário do que o termo realmente significa, eu penso que ele define as vibrações afetivas que cada pessoa transmite para nós.

Todos nós temos amigos que topam qualquer farra. Eles estão sempre presentes nesses momentos. Da mesma forma que temos aquela amiga que namora ou o amigo que casou. Cada um se mantém presente como pode em nossas vidas. Quando escolhemos seguir um rumo diferente do nosso ciclo de relações acabamos por nos ausentarmos de encontros que antes eram se não diários, pelo menos semanais. Os intervalos entre cada reencontro ficam cada vez mais espaçados. No entanto, quando o sentimento de amizade é verdadeiro, a frequência afetiva se mantém. É na distância que conhecemos o amor. É quando nos afastamos que enxergamos a força do querer bem.

Não é fácil manter uma amizade ou um relacionamento quando a outra pessoa não se encaixa mais nos seus programas corriqueiros. É preciso um esforço mutuo para que a relação se mantenha. A frequência afetiva que exercemos na vida de quem gostamos é o adubo principal para que a relação floresça mesmo com a falta de presença física. O quanto você gosta dessa pessoa? Você está disposto (a) a vê-la mudar de fase? Ontem, ela te oferecia muito da sua companhia. Hoje, talvez, tenha bem menos a te oferecer. E aí, você consegue sustentar uma relação onde você receba menos do que tem a dar? Essas perguntas podem parecer bobas, mas muitas pessoas respondem negativamente através de atitudes.

Poucas pessoas conseguem responder: eu te entendo! Quando a outra diz que a vida está corrida e que não anda tendo muito tempo. Ou que as coisas no trabalho andam puxadas e que o casamento está exigindo muito. O ser humano é acostumado a cobrar, cobrar e cobrar. A minoria consegue se colocar no lugar do outro. “Mas, eu sinto muito a sua falta. Você deveria ser mais presente”. Será que estamos querendo o certo? Exemplo disso são os amigos mais chegados que nos decepcionam. “Mas ele (ela) vivia em casa e agora nem lembra que eu existo”, muitos de nós já dissemos isso.

A verdade é que quem nos deseja o bem consegue nos transmitir isso a quilómetros de distância. A preocupação e o carinho não são físicos. Sabe aquela ligação inesperada de um amigo que você não vê há meses? Ela te faz bem, não faz? Mesmo acontecendo apenas de tempos em tempos. E aquele convite para o casamento que você nem imaginava que seria convidado devido a grande ausência na vida daquela amiga? Quem torce por nós vai vibrar mesmo que em silencio com nossas vitórias. Essas pessoas não vão mais te mandar mensagem ou te ligar para fofocar sobre os acontecidos do final de semana. Porém irão entrar em contato com você para saber como você está e esses contatos não precisam mais ser constantes.

Entender que cada pessoa possui seu tempo, sua vida e seus ciclos de relações mais próximas é necessário. Respeitar a nova escolha do seu melhor amigo, também. Manter uma amizade baseada mais em frequências afetivas do que em presença física é difícil, mas recompensador. Ter um amigo fora do seu ciclo atual é ter um amigo verdadeiro. Afinal é muito mais simples e menos trabalhoso simplesmente deixar de lado. Se a pessoa “some”, você some também. E pronto! Aqueles que compreendem sua nova fase te chamam para programas onde você se encaixe agora. Não deixam que o tempo engula a sintonia que existe entre vocês.

A frequência afetiva mantém vivo o sentimento. Quando alguém é realmente importante para nós, sentimos falta não só da presença, mas também do poder energético que essa pessoa exerce sobre nós. Muitas vezes, o contato raro com algum amigo é mais reconfortante e renovador do que os contatos diários com outros. Com o tempo entendemos que o número de vezes que vemos uma determinada pessoa no mês ou no ano não define a importância e a profundidade dessa relação. O que realmente importa não é o tempo que dedicamos a quem gostamos, mas sim a qualidade dele. Agora te pergunto: Quem é a sua maior frequência afetiva?

O novo padrão de beleza é ter essência

Recentemente, a cantora e atriz Manu Gavassi participou de um ensaio fotográfico sensual para a revista VIP. No entanto, quando a edição foi publicada, Manu se sentiu desconfortável com as fotos. O motivo? Havia photoshop demais. Isso mesmo, as imagens estavam tão modificadas que a cantora disse não ter se reconhecido nas páginas da revista. Porém, ela teve uma atitude admirável. Com a ajuda de uma amiga fotógrafa, produziu em seu próprio apartamento um novo ensaio sensual, realizado com pouca produção e de uma forma linda e natural, provando que a verdadeira beleza da mulher está nos seus “defeitos”.

A sociedade – ou a mídia – estipulou que bonito é quem tem o corpo desenhado como um violão, músculos à mostra, pele lisinha, sem marcas, sem estrias e nem celulites. Rostos sedosos, sorrisos tão brancos como papel, olhos claros, cílios enormes, cabelos lisos ou devidamente enrolados, sobrancelhas desenhadas, seios de silicone, etc. É assustador pensar que apenas essas pessoas são consideradas belas por grande parte da população. Afinal, elas são minoria no mundo. Você não precisa pesquisar muito na internet para constatar que todas as alusões a pessoas bonitas contêm imagens de mulheres e homens como descrevi acima.

Aí, fico pensando: as pessoas que não são assim, onde elas se enxergam? Quando você se enquadra nesse padrão, ok, muito bom. Mas e quando você está fora dessa caixinha? Será que é fácil se sentir excluído e menos do que a parcela “bonita”? Não, não é. Não é a toa que vemos milhares de meninas e meninos sacrificando seu dinheiro e sua saúde para conquistar a “perfeição”. Cada dia mais eu vejo meninas (principalmente) com problemas psicológicos, pois não aceitam seu corpo, seu nariz, seu seio pequeno, etc. Jovens frustradas por não conseguirem se enquadrar nos padrões impostos todos os dias na televisão e na internet.

Isso resulta em tentativas loucas como injetar silicone industrial nos seios, depressão, ansiedade, suicídio, dentre muitas outras consequências. Vivemos a era das blogueiras e blogueiros fitness, que vivem e ganham para serem “perfeitos”. Porém, essa exposição exagerada de uma vida criada para ser exibida na internet passou de incentivadora para frustrante, pois esta não é a realidade de 90% da população. Tenho absoluta certeza que muitos dos que estão lendo este texto já viram fotos de famosos lindos e sarados voltando da corrida às 6h30 da manhã, enquanto você, leitor, mal conseguia olhar a tela do celular com os dois olhos abertos.

A verdade é que perfeição e padrão de beleza não existem. Primeiro por que nada e nem ninguém é perfeito e se você insistir em buscar o impossível encontrará sempre a frustração no seu caminho. Quanto mais se tenta modificar o corpo, mais se quer muda-lo, isso é um ciclo sem fim. Segundo que bonito é se assumir. Ser bela (o) é sentir-se feliz com o que você é e ter a certeza que muitas pessoas gostam de você exatamente por esse motivo. E se algumas não gostarem? Bom, então, você não precisa delas.

Lembre-se disso sempre: Não tente se enquadrar onde não te aceitam. Se aceite e se enquadrará em todos os lugares que quiser!

A sociedade impõe um padrão que incentiva o consumo e apelo sexual, então não se deixe influenciar. Não deixe que isso afete sua autoestima. Parece clichê, mas a verdadeira beleza vem de dentro. Caso contrário, a sintonia, a amizade, o amor, o bom papo, o conhecimento e o companheirismo seriam desnecessários. Se o mais importante fosse a aparência escolheríamos amigos e amores usando a razão e não a emoção. O que mexe realmente com o ser humano não é aquilo que ele vê e sim aquilo que ele sente. Portanto, ao invés de investir tanto no seu exterior, invista no seu interior. Procure ser uma pessoa alto astral, de bom coração, que procura fazer o bem ao próximo e a si.

Aceite seu cabelo enrolado, sua barriga mais cheinha e tudo aquilo que antes você achava fora dos padrões. Eu gosto muito desta frase: “Nada brilha mais do que a vibe da sua alma”. A beleza conquista nos primeiros 5 minutos, mas você precisa ter muito mais a oferecer para cativar alguém de verdade. Estamos vivendo a era das relações superficiais, pois é só isso o que o ser humano tem buscado: ego, vaidade e um pouco mais de ego. As pessoas estão esquecendo-se de buscar o mais importante: a essência. Quando estiver se sentindo frustrado e desmotivado fisicamente, passe uma tarde conversando com um idoso e entenderá as reais prioridades em sua vida.

Sinta-se livre para ser o que quiser. Não é errado se cuidar, querer ter um corpo sarado, seios com silicone e tudo mais. Contanto que isso não te consuma e não seja a única forma de você ser feliz. Faça uma análise interna: você busca melhorar sua aparência para agradar a quem? Você ou os outros? E se a principio a resposta for você, pense mais um pouco. Às vezes achamos que estamos fazendo algo por nós, mas na verdade queremos isso apenas para nos sentirmos bem frente a outras pessoas. Portanto, não se sabote! Seja uma pessoal real, natural e linda. Olhe-se no espelho e em fotos e se enxergue. Cuide da sua saúde física e mental. Seu corpo é seu templo, não permita que o violem.

E aqui neste último parágrafo eu deixo um recado para todas as mulheres reais: “Você mulher que trabalha, estuda, cuida da casa, da família e dos filhos, o seu corpo é lindo. Não deu tempo de fazer as unhas? Não tem problema, o que importa é que suas mãos sempre estarão prontas para acolher quem você ama. Seu cabelo acordou ‘feio’ e você devido a correria do dia a dia não conseguiu doma-lo? Sem crise, cabelos bagunçados são um charme e o que importa mesmo no seu rosto é o seu sorriso contagiante. Quer usar uma blusinha, mas acha que tem uma gordurinha escapando no cantinho? Use-a mesmo assim, pois com o esse seu olhar encantador chamando tanto a atenção, ninguém vai reparar em besteira. Orgulhe-se por ser de verdade!”. Sorrindo