A incrível experiência de hospedar-se em um hostel

Quando você planeja uma viagem, quais são os pontos que leva em consideração ao escolher o lugar onde se hospedar? Limpeza? Conforto? Localização? E que tal somar tudo isso a pontos importantes como socialização, custo-benefício e novas experiências? São esses itens que estão tornando os hostels um dos principais meios de hospedagem do mundo.

Enquanto os hotéis e as pousadas ainda insistem em cobrar preços exorbitantes – principalmente na alta temporada -, os hostels apostam em uma atmosfera criativa, interação social e atendimento personalizado. Através deste tipo de hospedagem é possível conhecer pessoas de diferentes nacionalidades. Morar alguns dias – ou até meses – em uma mesma casa com diversas pessoas é extremamente enriquecedor quanto a novas culturas e costumes.

Esqueça aquela formalidade e impessoalidade dos hotéis, hospedar-se em um hostel é sentir-se em casa. O clima é acolhedor e os funcionários acabam se tornando amigos dos hóspedes, pois todos possuem a mesma paixão: viajar e conhecer pessoas e lugares. O fato de as pessoas dividirem o mesmo ambiente, faz com que aprendam mais sobre coletividade e empatia, afinal, suas atitudes refletem no bem-estar do próximo. Individualidade não existe!

Já imaginou sentar-se para jantar em uma mesa com pessoas do Japão, das Filipinas, da Suécia, da Itália, da França, da Alemanha e da América do Sul? É essa interação e troca de experiências e de saberes que os hostels propõem. A maioria dos albergues oferecem festas e happy hours para aumentar ainda mais essa conexão entre os hóspedes. Fato que dá muito resultado, visto que a maioria acaba mantendo contato mesmo após a viagem. Que tal fazer amigos de todos os cantos do mundo?

Os proprietários de hostels são pessoas com muito conhecimento local. Para quem deseja conhecer mais a fundo a região, bater um papo entre uma cerveja e outra é uma ótima pedida, já que conversa e troca de informação são o que eles mais gostam. Funcionários e colaboradores procuram oferecer o melhor para os hóspedes e não o mais caro, como acontece em redes de hotelaria. O que mais importa é a satisfação do viajante. Quer condições melhores do que essa para descobrir dicas de passeios e restaurantes que cabem no seu bolso?

Sem dúvida, o preço justo é um dos principais pontos ao hospedar-se em um hostel. O custo-benefício de todos os serviços oferecidos é inigualável. E para quem não abre mão da privacidade, a maioria dos hostels oferecem quartos privativos, além dos compartilhados. Você continua com os benefícios da socialização, mas com um quarto só para você.

E, por fim, escolha um hostel que tenha a sua cara. Para quem curte uma pegada mais night, existem os hostels mais agitados. E para quem prefere tranquilidade e um ambiente mais zen, é possível hospedar-se em outros que prezam pelo silêncio e sossego. Basta navegar por sites, como: AirBnb, Hostelworld, Booking, etc. e pesquisar a fundo as opções. Lembrando que quesitos como: limpeza e segurança devem ser garantidos por todos os albergues.

O que você encontra em um hostel:

– Preço justo;

– Cozinha compartilhada. Você cozinha ao lado de pessoas do mundo todo e aprende a aprimorar aquela receita gringa;

– Quartos compartilhados e privativos;

– Wi-fi;

– Conforto;

– Segurança;

– Diversão ou tranquilidade, dependendo da sua escolha;

– Cultura, conhecimento, socialização e novas experiências;

– Dicas e informações sobre a região;

– Passeios;

– Amigos.

E, aí, qual a próxima parada?

Worldpackers: a sua viagem mais barata e cheia de aprendizado

Todo viajante sonha com promoções de passagens aéreas e descontos em hospedagens. Quanto mais viagens você faz, mais aprende a economizar para conhecer lugares novos e ganhar experiências inéditas. Pensando nisso, dois amigos amantes de viagens idealizaram uma empresa que possibilitasse a troca de serviços por hospedagem e outros benefícios. Parece um sonho? Sim, mas ele já é real e tem ganhado o mundo todo.

Como funciona?

O primeiro passo é se cadastrar no site: www.worldpackers.com. Você pode ser viajante ou anfitrião. Ou seja, pode procurar uma viagem ou oferecer. No caso do anfitrião, a pessoa interessada deve ter no mínimo um local para oferecer como hospedagem – na maioria das vezes são hostels. Como a empresa trabalha com trocas, os dois lados terão recompensas e obrigações. Basicamente o anfitrião poderá dar alimentação completa (café da manhã, almoço e jantar), parcial ou nenhuma, lavanderia, descontos em festas, tours pela cidade, opção de cozinhar a própria comida no local, etc. Resumindo são diversas as possibilidades. Alguns anfitriões oferecem muitos benefícios, outros quase nenhum.

Com relação às obrigações do viajante, são três os tipos de serviços: comunicação e marketing (fotografia, videomaker, desenvolvedor web, redes sociais), trabalho social (ONGs, escolas com crianças carentes, ensinar idiomas, etc.) e por fim, serviços gerais (recepção, ajudante de limpeza, consertar coisas, pintura, jardinagem, etc).  Na página do anfitrião também constará quantas horas deverão ser trabalhadas por dia ou por semana e quantos dias livres o viajante terá. Outra questão importante é o quarto, que na maioria das vezes é compartilhado. Alguns anfitriões oferecem dormitório privativo para o viajante, mas já adianto que esses são minoria.

O mais bacana é que é possível viajar o mundo todo ou receber pessoas de todas as nacionalidades através da Worldpackers. Se você possui um hostel, por exemplo, e precisa de uma ajuda na recepção, pode convidar viajantes para serem voluntários no seu negócio e conhecerem a sua cidade. De quebra ainda conhece outra cultura através da convivência diária com o viajante. Por outro lado, se você deseja viajar para a Índia, mas está meio sem grana e quer economizar em hospedagem e em outros itens, pode procurar por viagens no país e ver qual anfitrião tem mais a ver com você. Basta um clique para abrir o site e você passará algumas horinhas sonhando alto com tantas oportunidades.

Quanto custa?

A empresa cobra uma taxa que varia entre US$ 10 e US$ 50 (dez e cinquenta dólares) por viagem aplicada e o valor pago pelo viajante é feito através do site usando cartão de crédito. Com esse pagamento, a Worldpackers visa firmar um compromisso com o viajante, para que o mesmo não dê “um cano” no trabalho. Para participar, seja como anfitrião ou como viajante, é preciso preencher o cadastro com informações gerais como idiomas que fala, experiências, viagens já realizadas, etc. É como se fosse um currículo. Desta forma o viajante pode escolher seu anfitrião e vice-versa, salientando que ambos precisam aceitar um ao outro para confirmar a viagem.

Obs. importante: questões burocráticas como visto, passagens aéreas ou seguro de viagem ficam por conta do viajante, a Worldpackers não se responsabiliza por essas etapas da viagem.

É seguro?

No site da Worldpackers é possível conversar com viajantes e anfitriões que deixam seus depoimentos após as viagens realizadas. Recentemente, a empresa foi tema de uma matéria no Globo Repórter, programa transmitido às sextas-feiras na emissora Globo de televisão e afirma ter mais de 700 mil viajantes cadastrados em mais de 172 países de todo o mundo. Disponibiliza, também, um aplicativo e um sistema de avaliações que, assim como outras plataformas, serve de referências para quem está pensando em viajar ou contratar um viajante.

 

 

 

Se perdoar é limpar a casa onde a alma faz morada

“Há dois dias recebi uma carta anônima via TypeForm. Foi a primeira do novo projeto do blog, o “Uma história, grandes aprendizados’. (Para saber mais e participar, clique AQUI). A cada parágrafo que eu lia, sentia que aquele texto era um desabafo de alguém que se culpa muito. A pessoa não descreveu os detalhes, mas consegui perceber a profundidade dos sentimentos. Portanto, hoje iremos falar sobre a importância de se perdoar”.

 Milhares de pessoas nascem e morrem diariamente no mundo. Independentemente das crenças que cada pessoa possui, é sabido que nossa estadia no plano terrestre tem apenas uma função: evolução. Portanto, não existe ser humano perfeito, todos nós estamos fadados a errar e errar e errar. É assim que crescemos, amadurecemos e aprendemos. Quão bom seria se tivéssemos a capacidade de evoluir apenas observando. É claro que isso é possível, mas apresente-me uma pessoa que tenha vivido plenamente apenas com a sabedoria da observação. Não existe!

Nossos erros e falhas não são apenas reflexos do que somos, mas também do meio em que vivemos e das pessoas com quem convivemos. Não é à toa que no decorrer de nossas vidas mudamos de opinião sobre diferentes assuntos. Aposto que seus ideais não são os mesmos que a 10 anos atrás. Os valores de um adolescente não são os mesmos de um idoso, por exemplo, pois as experiências de vida nos transformam e nos fazem enxergar o mundo com outros olhos. É por esse motivo que os erros são tão importantes.

Recentemente meu irmão de 9 anos me contou que caiu da árvore: “Eu subi e me balancei no galho. Como não aconteceu nada, eu subi de novo e me balancei mais uma vez. Então, o galho quebrou e eu cai de costas no chão. Não subo mais naquela árvore”, ele disse. O problema é que o galho era muito fino e meu irmão já não é mais tão pequeno quanto antes. Entende? Ele precisou se machucar um pouco para aprender que aquele pequeno graveto já não cabia mais nas brincadeiras dele. E assim é a nossa vida!

O problema é que as pessoas se cobram demais, além do necessário. Fala-se muito em perdoar o próximo, mas será que lembramos de nos perdoar? Por que quando o assunto são os nossos erros, a compreensão é menor? Todos os dias nos cobramos para compreender e aceitar as falhas alheias, afinal, todo mundo erra. Perdoamos o vizinho, o amigo, o pai, a mãe, mas julgamos a nós mesmos. Imploramos pelo perdão do outro, mas esquecemos que quem tem que fazer isso somos nós mesmos, em primeiro lugar.

Quando sentimos tanta necessidade de sermos perdoamos por outra pessoa é por que ainda nos culpamos por algo. Portanto, entenda, essa compreensão precisa vir de você, lá de dentro do seu coração. Não se culpe tanto. Acalme sua alma. Reflita. Aprenda com seu erro. Vire o jogo. Faça com que esse seu ato errado se torne algo bom para você. Agora você tem mais uma experiência na sua bagagem de vida. Encare os acontecimentos de uma forma mais leve e cuide de você. Se ame. Se perdoe. Não espere que outra pessoa faça isso no seu lugar.

Não terceirize o que só você sabe fazer por VOCÊ! Se você errou com outra pessoa, peça perdão, mas não permita que algo que venha de fora seja responsável pelo seu bem-estar. Perdoe-se por ter errado. Cabe ao outro perdoar, também, mas não por você, por ele (ela). Quem perdoa, seja a si ou ao outro, tira um peso de dentro de si. O perdão liberta! Te deixa livre da culpa, da mágoa e do ressentimento. O mundo lá fora já é tão turbulento, por que vamos tornar nosso interior uma bagunça, também? Seu corpo e sua alma são sua morada, não espere que alguém venha e a limpe por você.

Voa mais alto quem não voa sozinho

“Em abril deste ano (2017), a Netflix lançou a série ’13 Reasons Why’, que gerou muita polêmica na época. Eu, que nunca consigo acompanhar nenhuma série até o final, assisti esta em dois dias. Fiquei abismada com a profundidade do tema. Como tudo o que vira assunto na internet, a produção recebeu críticas e elogios. Uma parcela do público afirmou que a história poderia incentivar o suicídio. No entanto, é sobre a mensagem que as treze primeiras temporadas tentaram nos passar, que iremos abordar hoje”.

No baixo dos meus 27 anos, não posso afirmar com certeza como eram as relações humanas há décadas e décadas. Acredito que eram mais complicadas do que atualmente. Entretanto, com a internet e a tecnologia cada dia mais fortes e presentes no nosso dia-a-dia, os problemas psicológicos aumentaram drasticamente. Antigamente, as pessoas conversavam mais pessoalmente, passavam mais tempo juntas, as crianças brincavam na rua, os pais trabalhavam menos e a vida era menos corrida.

As pessoas preocupavam-se menos com a aparência, e a aquisição de bens materiais era – em sua maioria – por necessidade e não por futilidade. O estilo de vida era mais calmo e simples. Porém, desde aquela época, o consumismo já existia. A indústria nasceu e com ela o capitalismo. O ser humano foi gradativamente sendo educado a buscar mais: mais dinheiro, mais beleza, mais bens, etc. O que antes era voltado para o todo, foi se tornando individual. Aos poucos, as pessoas passaram a olhar apenas para si. E viver passou a ser uma competição.

As crianças são incentivadas a serem as melhores da sala de aula. “Meu filho é o primeiro da classe”. Dentre os adolescentes de classe média e classe média alta, a disputa pelos melhores tênis e as melhores roupas dentro da escola é, muitas vezes, incentivada pelos próprios pais, que muitas vezes nem percebem o que estão fazendo.  Atitude essa que faz com que as crianças da periferia cresçam buscando por esse estilo de vida.  Posteriormente vem o vestibular. Os jovens lutam para conquistar uma vaga. Alguém precisa se dar mal para que o outro se dê bem. Os professores julgam a parcela problemática dos estudantes: “Não têm futuro”.

As meninas são criadas para competir entre si. Desde a adolescência disputam pela atenção dos meninos. E os garotos, competem qual é o mais “pegador”. Na faculdade, os jovens lutam para serem populares, aceitos e descolados. Não é fácil entrar em um lugar onde você se sente diferente e sozinho. É preciso fazer parte, assim fomos ensinados. A vida de estudante chega ao fim. Agora é hora de procurar um emprego: “Você precisa ser o (a) melhor. Precisa se destacar. Conquiste isso a qualquer custo”. Nem que para isso você precise deixar algumas coisas para trás – ou algumas pessoas.

Conseguiu um emprego? Bom, mas não pode ser qualquer trabalho, você precisa ser bem sucedido, ganhar bem e ter um carro legal. Caso contrário, não vale. Conquistou tudo isso? Chegou o momento de encontrar um (a) parceiro (a). No entanto, não basta amar alguém, é necessário casar e constituir família, pois “o ser humano nasceu para casar e ter filhos, é essa a ordem da vida”. Então, você casa, afinal a sociedade quer assim. Tenta uma, duas, três vezes e nada de engravidar. Você nem tinha certeza se queria ser mãe/pai, mas tenta mesmo assim. Porém, descobre que não é fértil. O mundo desaba: “As pessoas esperam que após o casamento eu tenha filhos”.

Percebe como é difícil se encaixar? Em um mundo com 7,2 bilhões de habitantes, é burrice achar que todas as pessoas têm os mesmos sonhos e ideais. Você pode ser mulher e não querer ter filhos. Pode ser homem, mas se sentir bem vestido com roupas femininas. E está tudo bem! Não estamos neste plano para agradar o sistema. O reflexo dos princípios impostos sobre nós desde pequenos estão aparecendo agora. Os índices de suicídio cresceram absurdamente.

De acordo com a BBC Brasil, entre 1980 e 2014, houve um crescimento de 27,2% no número de suicídios cometidos por pessoas na faixa etária entre 15 e 29 anos. É assustador pensar que tantas pessoas não viam mais razões para viver. Mais aterrorizante ainda é perceber que parte da culpa é minha e sua. Estamos tão focados nas nossas próprias metas e sonhos, que esquecemos de olhar para o outro. Olhamos muito e enxergamos pouco. A vida de aparências que todos nós mostramos tem bastado. Ninguém procura conhecer o outro a fundo.

As relações se tornaram tão superficiais que simplesmente não percebemos quando algo vai mal dentro de outra pessoa. É menos desgastante fingir que o sorriso forçado do outro é verdadeiro. Se aprofundar nos problemas alheios custa tempo, paciência e EMPATIA: “Minha vida é tão corrida, mal tenho tempo para mim, quanto mais para me preocupar com o problema do outro”. Apontar os defeitos de outra pessoa faz com que nos sintamos melhores, menos pecadores. O ego infla e machuca quem está de fora.

Eu poderia listar milhares de atitudes que cometemos diariamente e que colaboram para que as pessoas se sintam vazias e sozinhas. Por detrás das cortinas, todos somos iguais. Temos medos, dores, sonhos e vontades secretas. Erramos, acertamos e aprendemos. Se você é mais forte, use sua força para ajudar o outro que é mais fraco. Não seja o tipo de pessoa que derruba, ajude a levantar. Seja aquela pessoa que incentiva. Não estamos aqui para competir. Quando você levanta alguém, você não fica para trás e nem perde, você GANHA. E esta vitória não é física e nem palpável, se é que você me entende.

Ser uma pessoa FODA não é chegar lá no topo sozinha, mas conseguir levar o máximo de pessoas junto com você!

Na aldeia eu aprendi a SER e deixei de TER

Sempre sonhei em visitar uma aldeia indígena, e meu grande sonho ainda é conhecer os índios nativos da Amazônia. Aqueles que, por sorte, não são civilizados e não têm contato com essa sociedade consumista e capitalista em que vivemos. Mas o primeiro passo já foi dado e tive a oportunidade de ter contato com os indígenas de uma tribo do litoral sul de São Paulo, em Peruíbe.

Quem me acompanha sabe que de uns anos para cá passei a entregar minha vida ao Universo e confiar no que virá. Confesso que tenho sido muito grata pelo que tenho recebido. A vida não falha no quesito nos dar aquilo que precisamos receber, basta sabermos enxergar e usufruir da maneira correta. E mais uma vez foi o que aconteceu. Uma colega compartilhou no Facebook um evento que aconteceria no carnaval, um projeto de permacultura, bioconstrução e tradições indígenas, em Peruíbe. Mais precisamente na Aldeia Awa Porungawa Dju.

Passados todos os acontecidos até que eu sentisse que era para ir, comecei a pesquisar os ônibus que teria que pegar para chegar à Aldeia. E foi nesse ponto que as peças começaram a se juntar. Postei no evento que estava procurando uma carona saindo de São Paulo, pois iria de bus até lá e queria evitar ir sozinha até Peruíbe. Se encontrasse uma campainha que fosse, já estaria ótimo, afinal chegando lá eu nem fazia ideia de quanto teria que andar até chegar à tribo. Foi quando a Rafaela, uma menina ruiva linda que até então eu não conhecia, me chamou no inbox do Face e disse que tinha conseguido uma carona com um cara e perguntou se eu tinha interesse. Eles iriam de Kombi.

O quê? Meu coração até parou por alguns segundos. Cara, esse era meu segundo sonho: fazer uma trip de Kombi com desconhecidos. O Universo só podia estar de brincadeira comigo. Inacreditável! Já senti a sintonia na hora que a Rafa comemorou esse fato comigo. Era pra ser. A Vivência na Aldeia começava no sábado (25), às 10 horas da manhã. Saímos de Campinas na sexta-feira (24) à noite e é aí que começa nossa aventura cheia de energias positivas, encontros e reencontros.

Let´s go, Freeda

Partimos em quatro pessoas: eu, a Samanta, a Rafaela e o Luís com Z, que na verdade se chama Henrique, vulgo dono da Freeda, nossa Kombi preferida. Não nos conhecíamos, nunca havíamos nos visto ao menos uma vez e a partir do momento que a porta fechou e demos partida no motor, era como se já nos conhecêssemos há anos. Música, risadas, brincadeiras, comida, trânsito e muito amor foram os ingredientes da nossa trip até Peruíbe. No final da madrugada paramos para descansar em um posto de gasolina. Eu já estava no quinto sono quando o Henrique nos acordou dizendo que estavam montando uma feira em volta de nós. Acreditem! Acordamos e seguimos viagem.

Chegando na Aldeia

Por volta das 5:30am, chegamos em Peruíbe. Ainda estava escuro, mas o céu começava a clarear. Paramos a Freeda e andamos até a praia. Fomos recebidos com um nascer do sol maravilhoso e mágico. De um lado, o astro rei surgindo e do outro, um arco-íris trazendo cor ao nosso carnaval. Incrível! Quando o sol já estava alto, encontramos o Marquinhos da organização da Vivência que, graças aos encontros da vida, nos ajudou a desatolar a Freeda. Tentamos atravessar um trecho de areia fofa e o que já era previsto, aconteceu, atolamos. Mas com muita risada e força conseguimos tira-la dali.

Chegamos na Aldeia. Encontramos um lugar embaixo de uma árvore grande e montamos nossas barracas. Não muito tempo depois, chegaram mais duas meninas (sim, Renata, você é uma menina). Sugerimos que elas ficassem ali conosco, e assim surgiu mais uma conexão. Gessana vinha de Santa Catarina e a Renata, de São Paulo. Os índios nos receberam com muito amor e carinho. Logo de cara já fumamos o cachimbo do Pajé Guaíra. Durante a Vivência algumas famílias de outras aldeias ficaram conosco, incluindo muitas crianças.

Os índios dessa comunidade já são muito civilizados, até por estarem cercados pela civilização. A cidade está bem próxima e as crianças já frequentam escolas “normais” a partir do ensino fundamental. Então, é inevitável que sejam contaminados pelos nossos costumes. O Vitor, um indiozinho da aldeia, até me disse que adora Chiquititas. No entanto, é extremamente proibido levar bebida alcóolica para dentro da tribo, pois graças ao homem branco, que usa isso como moeda de troca, o alcoolismo se tornou comum entre os índios. Assim como o abuso do uso de drogas.

Na Aldeia não possui água encanada, então para a Vivência, a organização levou duas caixas d’água, que precisavam durar até o final. Era isso que garantia o banho de 25 pessoas mais os índios. Ou você aprende, ou aprende a economizar. O chuveiro de água gelada durou um dia. A partir daí tomávamos banho de uma torneira que saía da caixa e que alguém precisava ficar abrindo e fechando para controlar o consumo. Banho à noite só no escuro. Nós entrávamos no mar todos os dias, então precisava lavar o cabelo depois, mas só com shampoo para não desperdiçar água. O creme vinha depois, daquele jeitão.

Quanto a isso, para mim foi tranquilo. Estou acostumada com banho pior nos festivais que já fui. O banheiro foi uma novidade. Criaram duas casinhas com banheiro seco. Para quem não conhece, assim como eu não conhecia, nada mais é do que duas “privadas” sem água. E não é fossa. Todo dejeto despejado ali é reutilizado. O xixi é tratado e o cocô vira adubo. Como? Ao invés de dar descarga e liberá-lo no meio ambiente, ele fica depositado em um balde, onde você, após defecá-lo, joga serragem em cima. Isso ajuda a diminuir o odor e a iniciar o processo de compostagem. Ressaltando que cada item era feito em uma privada diferente. Xixi aqui! Cocô ali! O papel higiênico era jogado no balde das fezes, pois ajuda na compostagem.

Nossa alimentação foi toda vegetariana. Zero carne. Zero origem animal. Exceto pelo pão francês maravilhoso de todos os dias. Os alimentos eram levados todos os dias, pois a energia elétrica por lá é escassa. Duas mulheres maravilhosas cuidavam das nossas quatro refeições diárias e fazíamos fila para nos servirmos. Não senti a mínima falta da nossa comida, mas confesso que o chocolate e um suco qualquer vinham na minha mente no final. Lá só bebíamos água temperatura ambiente. Ambiente praia. Ah, e café e chá, que por sinal eram deliciosos. Pegávamos a comida e sentávamos na canga, no chão, embaixo da árvore. Sem correria, sem celular, sem televisão, apenas nós. Apenas conexões humanas.

Durante o dia fazíamos duas atividades: uma dinâmica em grupo e outra atividade manual. As dinâmicas foram incríveis, nos aproximaram dos índios e de nós mesmos. Utilizando barro, ajudamos a construir a Casa do Fogo da Aldeia. Através da bioconstrução, fizemos os bancos e o chão de barro. Com toda certeza foram momentos de muita união e satisfação. Durante toda construção, o Pajé tocava violão e cantava em Tupi Guarani. Pode parecer besteira, mas era muito emocionante. Todas as músicas são como orações para eles e todas falam de Deus e da Mãe Natureza.

Toda noite, os índios faziam uma fogueira no centro de um círculo de banquinhos improvisados com troncos de árvores. E ali jantávamos e passávamos algumas horas conversando sobre as tradições indígenas e cantando ao som do violão, que a Gessana toca como ninguém. Alegria pura e verdadeira. “Sem luz, sem energia. Sem carro, sem correria”. Vivemos tanta coisa em tão poucos dias, que eu precisaria escrever um livro para relatar cada momento e cada detalhe dessa Vivência. Só o coração e a alma irão saber e lembrar-se de tudo o que foi vivido.

No último dia cada grupo apresentou uma peça de teatro em silêncio, sem falas, contando alguma lenda indígena. E o outro grupo precisava adivinhar qual era, ou pelo menos explicar com clareza o que havia acontecido na cena. Os índios assistiram a tudo. Após as apresentações era hora de dizer até logo, pois adeus é muito tempo. Sentamos todos no centro da Casa do Fogo, de frente para o lado de fora e, nesse momento, a emoção bateu forte. Os índios andavam em círculo, nos rodeando, tocando e cantando uma canção linda que falava sobre os indígenas e a natureza. As lágrimas escorrem mais uma vez dos meus olhos agora. Não sei explicar exatamente o porquê, qual o motivo exato, só sei que a pureza, o amor, o cuidado e o respeito, realmente nos tocam.

Na hora, lembro que senti uma emoção muito forte crescer dentro de mim. Chorei não de tristeza, mas de alegria. Chorei com amor. Eu, que no primeiro dia não sabia como reagiria a tudo aquilo, não queria mais ir embora. Não lembrava mais de nada, do meu conforto, dos meus bens materiais, nada. Acho que essa emoção era meu ego se desconstruindo mais uma vez. Era meu SER falando mais alto. Estava livre de todo apego egótico e só sabia sentir o que verdadeiramente importa na vida: a essência. Sentia-me livre para ser.

Amizades e (re)encontros

A nossa intenção, viajantes da Freeda, era ficar na praia mais um dia, já que a Vivência terminava na segunda-feira de carnaval às 14 horas. Pretendíamos ficar dormindo na Kombi mesmo até terça-feira à noite, e aí, então, seguir viagem de volta à selva de pedra. Assim deixamos acontecer, sem planejar nada. E como o Universo faz tudo certinho, colocou nosso querido amigo, Andrey no nosso caminho. Ele ofereceu sua casa em Itanhaém para dormirmos e curtirmos a praia mais um tempinho. E, o grupo que era de quatro pessoas, passou a ser de sete. Sim, sete, a Gessana e a Renata ficaram conosco.

Sabe quando você encontra uma pessoa, a qual a conexão é tão grande, que parece que vocês já se conheciam há anos? Então, eu encontrei seis pessoas dessa, de uma vez. E a partir daí, eu prefiro deixar apenas nas nossas memórias tudo o que vivemos em um dia e meio de praias, picos e rolês na Freeda. A vida é mesmo foda quando quer colocar as pessoas certas, nos momentos certos, nos lugares certos. GRATIDÃO! Awete!

E… nos vemos em breve!

Diário de Bordo: Dicas para uma trip pela Chapada Diamantina

Essa foi minha primeira viagem sozinha e minha primeira trip de trilha de montanha. Óbvio que cometi vários erros. Mas graças a isso agora tenho uma bagagem de experiências maior e posso compartilhar com vocês tudo o que sei sobre essa trip incrível.


1 – Planejando a  trip: 

Primeiro de tudo: quanto tempo você tem disponível para curtir a Chapada? Uma semana é pouco para conhecer aquele lugar mágico. Então, é preciso analisar com calma quais lugares serão visitados e dividir bem o seu time, caso ele seja curto. A melhor escolha é pernoitar sempre nas cidades mais próximas aos passeios do dia, isso não irá economizar apenas horas do seu dia, mas também disposição.

Exemplo:

1º dia – Lençóis – Pernoite em Lençóis (chegada). Leia mais AQUI!

2º dia – Remanso, Bacias do Roncador – Pernoite em Igatu. Leia mais AQUI!

3º dia – Poço Encantado e Poço Azul  – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

4º dia – Cachoeira do Buracão – Pernoite em Mucugê. Leia mais AQUI!

5º dia – Trekking Guiné ao Capão – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

6º dia – Cachoeira da Fumaça e Riachinho – Pernoite no Vale do Capão. Leia mais AQUI!

7º dia – Torrinha, Grutas Azul e Pratinha, Morro do Pai Inácio, Lençóis – Pernoite em Lençóis. Leia mais AQUI!

8º dia – LENÇÓIS (partida).

O roteiro acima foi o que eu fiz agora em dezembro. Vocês podem ver que pernoitei em quatro cidades diferentes. Partíamos de manhã para os passeios já com as malas – que ficavam na van – e no final do dia íamos para a próxima cidade. Sem muito sossego, mas menos cansativo do que viajar longas distâncias todos os dias. Fizemos o roteiro Volta ao Parque da Chapada Diamantina em 8 dias e achei ótima a divisão dos dias. Sem contar que cada dia era uma surpresa diferente, nenhum passeio foi igual ao outro.

OS GUIAS:

Durante a viagem eu vi algumas pessoas fazendo trilhas sozinhas. Porém, a não ser que você já conheça bem a Chapada, eu não aconselho. Eu contratei a agência de turismo Venturas para me conduzir por lá. Acho que minha viagem não teria sido a mesma sem os guias. Passávamos praticamente 12 horas ao lado deles todos os dias e recebíamos uma enxurrada de informações sobre a região. Algumas coisas eu tive que anotar para não perder no meio de tanto conhecimento adquirido. Por isso acho válido contratar um guia local.

Lembrando também da sua segurança, que é o mais importante. Qualquer problema, como um acidente de trilha – que é bem comum -, os guias irão resolver rapidamente. Eles conhecem a região, as trilhas, o clima e irão garantir que você não perca tempo e não passe perrengue – não muito, pelo menos. Sem contar que eles sabem os picos mais loucos e podem te garantir se são seguros ou não. Se você pode ou não pular de uma cachoeira, por exemplo. Opte por um guia e não irá se arrepender.

A LOCOMOÇÃO:

Dependendo da sua disponibilidade, você pode ir de carro ou não. Para quem mora perto, talvez seja viável ir com condução própria, pois você fica mais livre para rodar por lá. Contrata um guia local para ir no banco do passageiro e tudo certo. No aeroporto de Lençóis vi que o aluguel de um veículo sai por R$ 90 a diária. É uma opção para quem vai de aéreo e pensa em locar um carro por lá. E para quem não quer saber de dirigir, as agências de turismo oferecem todos os transfers inclusos nos pacotes. Ou seja: sem preocupações! As vans da Venturas são novas e com ar-condicionado.

A HOSPEDAGEM:

Geralmente as agências já oferecem as opções de hospedagens dentro dos pacotes dos roteiros. O legal é que elas têm parcerias com determinadas pousadas, o que acaba barateando um pouco o valor final das diárias. Eu pernoitei em quatro pousadas diferentes. Veja minhas avaliações sobre cada uma:

Pouso da Trilha (Lençóis): pousada com quartos mais simples. Sem TV, sem ar-condicionado. Apenas com ventilador. Dormi em dois quartos diferentes: o primeiro era muito pequeno, já o segundo, eu achei ótimo. O café da manhã é bem diversificado e em um ambiente muito agradável. O atendimento e recepção também são impecáveis. Pertinho do centro.

Pousada Pedras de Igatu (Igatu): é a única pousada da vila. Achei espaçosa e com uma vista linda. Jantar e café da manhã bons. Também não possui TV e ar-condicionado, apenas ventilador. Quartos espaçosos. Gostei bastante! Próxima de tudo, já que Igatu é mega pequena.

Pousada Monte Azul (Mucugê): minha segunda pousada favorita da Chapada. Café da manhã completo. Quarto bonito e grande. TV e ventilador. Ela fica situada em frente ao cemitério bizantino, a visão é linda. Também gostei da decoração. Ótimo atendimento. Bem próxima do centro.

Pousada do Capão (Vale do Capão): disparada a mais encantadora. Lamentei não ter conseguido curtir mais o lugar. A pousada é enorme. Tem riacho para banho, balanço, lago, área para fogueira, sauna, massagem, dentre muitas outras coisas. Sem contar que fica no meio dos morros e a visão é magnífica. Para quem curte natureza, com certeza vai amar. Café da manhã completo, também. Opções de quartos simples e com ar-condicionado (com visão para os morros do Capão). Ótimo atendimento. Mais ou menos 7 km da Vila.

A ALIMENTAÇÃO:

Dependendo do roteiro que você escolher, irá passar praticamente o dia todo nas trilhas. O café da manhã está incluso em todas as pousadas, ok. Agora você precisa pensar na sua comodidade para realizar as outras refeições, já que irá gastar muita energia e disposição curtindo os passeios. Confira a opção do roteiro que eu fiz com as refeições já inclusas:

1º dia – Aéreo (refeições livres).

2º dia – Café da manhã, Almoço, Jantar.

3º dia – Café da manhã e Almoço.

4º dia – Café da manhã e Lanche de Trilha.

5º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

6º dia – Café da manhã, Lanche de Trilha e Jantar.

7º dia – Café da manhã e Almoço.

8º dia – Café da manhã (dia de aéreo).

Todas as refeições citadas acima estavam inclusas no pacote. Os lanches de trilha eram completos: fruta, proteína, lanches, bolos, doces, barra de cereal, suco de fruta, etc. Dava para dividir entre almoço e lanche da tarde, por exemplo. Achei excelente. Os três almoços foram em restaurantes que ficam nos mesmos lugares dos passeios do dia. O primeiro, inclusive, foi na casa de uma nativa, com comida típica. Muito bom. Você chega com o guia e já está tudo pago, podendo comer a vontade. Apenas a bebida fica por sua conta. Os jantares são nas pousadas e também é permitido comer quanto quiser.

Nos dias que não têm determinadas refeições você pode conhecer os restaurantes da cidade em que estiver. Em Mucugê eu sugiro o Point da Chapada. A pizza e a moqueca são sensacionais. Vale experimentar. Porém, eu achei muito válida a ideia de já ter todas as refeições garantidas, pois tem dia que você chega tão cansado que não quer sair andar – mais do que já andou o dia todo. Poder comer e curtir a pousada sem se desgastar mais é uma ótima pedida. Portanto, fica a dica!

 

Valor total do roteiro “Volta ao Parque Nacional em 8 dias” com tudo o que foi citado acima: R$ 3.391 (para uma pessoa).

Incluso:

– Translados (durante toda a viagem);

– Hospedagens;

– Refeições mencionadas;

– Taxas (quando necessário);

– Guia;

– Seguro viagem.

* Aéreo não incluso.

2 – Escolhendo o roteiro:
Essa é uma das viagens mais procuradas do Brasil. Então, avalie bem os lugares que quer conhecer. Não leve em consideração apenas se o passeio é o mais visitado ou não. Analise o nível de dificuldade para chegar até ele e veja se condiz com seu preparo físico. Existem trilhas leves e pesadas. Nem todo mundo aguenta concluir todas. Não perca um dia de viagem. Monte um roteiro que você consiga concluir. E se você for daqueles iguais a mim, que encara tudo, opte pelos mais “uau” – pelo menos na primeira ida a Chapada. Uma semana por lá não é nada. Um mês não seria suficiente para conhecer tudo.
3 – O que levar:

COLOQUE NA MALA:
– Meias altas (as baixas podem causar bolhas nos seus pés);
– Protetor solar;
– Repelente;
– Capa de Chuva;
– Remédios para dor e alergia;
– Proteção para os pés (fitas adesivas);
– Cantil térmico (a água ferve na garrafa comum);
– Chapéu (você irá usar TODOS os dias);
– Bota de trilha (tênis comum escorrega muito);
– Calça confortável (de preferência aquelas larguinhas que viram shorts);
– Blusas de manga comprida e com proteção contra raios solares (especiais para isso);
– Bastão de trilha (ajuda demais nas subidas e principalmente nas decidas);
– Máquina fotográfica (invista em uma boa);
– Capinha de celular à prova d’Água (parece besteira, mas você vai querer uma lá);
– Roupas largas e confortáveis em geral;
– Roupa de banho;
– Lanterna;
– Chinelo;

– Uma blusa de frio.

 

4 – Sugestão a+:

Esqueça as noitadas, a Chapada é um destino de natureza. Você irá aproveitar muito mais o dia. À noite aproveite para descansar. Esqueça a dieta e experimente as comidas típicas da região. Desfrute dos guias, eles têm muitas histórias para compartilhar e muita informação sobre tudo. Converse, pergunte, absorva. Desencane de celular e tecnologias em geral (menos da sua máquina fotográfica). Olhe em volta, inspire a natureza.  Se for para Mucugê experimente a pizza do Point da Chapada.

Ande com cuidado pelas montanhas e evite pequenos acidentes que podem estragar sua viagem. Se hidrate! Tome cuidado com o “maçarico baiano” (sol). Rs. Ninguém quer pegar uma insolação. Coma bem no café da manhã, pois o dia é longo e puxado. Preserve a natureza, recolha TODO o seu lixo.

Diário de Bordo: O que a Chapada Diamantina deixou em mim

Eu sempre tive dentro de mim a vontade de me aventurar. De viajar sozinha. De conhecer o desconhecido. E sempre amei a natureza – hoje muito mais. Quando decidi que era a hora de dar um passo diferente na minha vida, a Chapada Diamantina caiu no meu colo. De cara não foi a minha primeira escolha de destino. Mas sinto que tudo aconteceu como era para ser. Tinha que ser ela.

Quando eu comecei a pesquisar sobre o lugar e vi as fotos – me conhecendo bem – sabia que iria me emocionar. Mas não tinha ideia da dimensão dessa emoção. Os meus amigos que leem meu blog e são da minha cidade, sabem que lá é bonito demais. Estou acostumada com a natureza. E a ver paisagens. Porém, o sentimento é totalmente diferente. O deslumbramento é outro.

Acredito que estar sozinha contribuiu para que tudo fosse como foi. Eu estava livre. Nada do que ficou em Botucatu me prendia. Era eu e o novo: pessoas e lugares. E por que não sentimentos? Me permiti viver e sentir. Me mantive aberta para receber o que viesse. Quando você viaja com alguém que já faz parte do seu ciclo, acaba se fechando ao mundo particular de vocês. Já quando está sozinho se abre para o mundo de quem se aproximar de você. E isso é incrível!

Cada pessoa que eu convivi nesses sete dias deixou um pouquinho de si comigo. Conheci pessoas muito diferentes de mim e aprendi a lidar com isso. A respeitar. A ajudar! Aprendi que a coletividade é essencial, principalmente na montanha. Tive a sorte de viajar com um grupo de pessoas sensacional. O que fez toda a diferença na minha viagem. Me senti em casa!

Viajar sozinha é também uma viagem para dentro de si. Me conheci ainda mais: meus sonhos e sentimentos. Me emocionei diversas vezes sozinha. Sorri e agradeci sozinha. Só eu, o Universo e a Mãe Natureza. Quando você está acompanhada não vive só as suas emoções, mas as da outra pessoa, também. Quando está só, as sensações são puras. Exclusivamente suas. E isso não é egoísmo, é nosso direito. E dever!

Lá na Chapada tudo é imenso e intenso. Pelo menos a maioria dos lugares. Os que mais me deixaram extasiada eram imponentes. A natureza te mostra que você não é nada. E foi isso que me deixou sem fôlego a viagem toda. Mesmo nos meus sonhos mais profundos, eu não imaginaria que seria como foi. Tentei por diversas vezes transmitir para as pessoas tudo o que vi e senti, mas desisti. Não tem como. Acredito que nunca fui para um lugar que me trouxe tanta paz, como lá. Simplesmente amei! Foi minha melhor viagem até agora.

Diário de Bordo: Gruta da Lapa Doce, Pratinha e Morro do Pai Inácio

7:00 am

Café da manhã no Capão. Hora de arrumar a mala para o último passeio. O dia amanheceu com cara de segunda-feira. Rs. Estava com cara de despedida. Dessa vez o grupo estava completo. E às 8:30 partimos para as grutas. Alguns escolheram a gruta Torrinha e outros – inclusive eu – escolheram a da Lapa Doce. Eu optei por essa por ter uma dimensão maior. Queria sentir aquele “uau” com a grandiosidade.
Deixamos o pessoal na Torrinha e seguimos para a nossa. Chegando lá, recebemos uma lanterna cada um e descemos com o guia local. A gruta da Lapa Doce tem 42 km de extensão (mapeados), é a segunda maior do país. O Canal Off recentemente gravou um programa lá, que é possível acessar pela internet, no site deles.
Quando chegamos na entrada da gruta me senti minúscula. Atrás estava a luz e à frente um buraco negro. Era para lá que nós íamos. A entrada possui 72 m de altura. Seguimos caminhando. O chão era de areia, mas em alguns trechos víamos alguns montes de pedras. Segundo o guia, elas caíram do teto da gruta, devido a infiltração subterrânea. Pelo caminho fomos admirando as estalactites (no alto) e as estalagmites (no chão), que são como as “nuvens”, você consegue enxergar várias formas.
Para mim, a parte mais incrível foi quando chegamos no meio do trajeto e o guia pediu para desligarmos as lanternas. Eu nunca tinha visto aquilo na minha vida. Uma escuridão plena. Não enxergava absolutamente NADA. Nem um vulto. Nem a minha mão encostada no meu nariz. NADA! Todos ficaram em silêncio. Foi um momento assustador e encantador ao mesmo tempo. Foi como se eu tivesse mergulhado em uma tinta preta sólida, pois era isso que eu enxergava. Mil coisas passaram pela minha cabeça, uma delas, a vida de um cego. Imaginei perder a visão. E foi perturbador. Que experiência sensacional!
Acendemos as lanternas e seguimos. A saída estava logo à frente. Com as luzes desligadas eu também havia pensado se eu ou alguém se perdesse ali. Será IMPOSSÍVEL se mexer para tentar sair. Você perde a noção de tudo, de direção e de espaço. Quando andamos um pouco e avistamos a luz que apontava a saída, pensei: ela estava tão perto e não saberíamos nunca naquela escuridão. É, a natureza é mesmo poderosa!
14:30 pm
Almoçamos no restaurante da Lapa Doce. Sentei para comer embaixo de um umbuzeiro lindo. Sombra e brisa fresca. Que delícia! Todos alimentados, seguimos para a Fazenda da Pratinha. O lugar é como um parque. Tem tirolesa, flutuação, caiaque, pedalinho, etc. Você paga individualmente cada atividade, fora o valor da entrada. Eu fui só na tirolesa. Achei muito bonito o local, onde você cai é um lago de água cristalina. Visto de cima possui uma cor meio azul esverdeado. Porém, é de fácil acesso e tinha muita gente, principalmente por ser um sábado. Achei que perdeu o encanto. Vi pessoas tomando cerveja na água. Não curti. Virou um parque aquático, e na minha opinião, não é o intuito de quem está lá, né?!
16:30 pm
Partimos para o último passeio da trip. Não sei se eu estava feliz ou triste. Seguimos para o Morro do Pai Inácio. O tempo estava lindo. Para a nossa sorte. Chegando lá, comprei um suco de Mangaba – que eu conheci aqui na Chapada e amei – e uma cocada. Começamos a subir a montanha. Íngrime e cheia de pedras. Só para manter o padrão. Rs. Quando chegamos no topo soltei aquele “uau”de sempre. Rs. Pensa em uma visão 360ºC de todos os morros e vales em volta. Maravilhoso! Ventava absurdamente. Não dava para ficar “moscando”, por que uma rajada forte te derrubava. Lá de cima dava para ver o aeroporto. Bem pequenininho.
Esperamos para ver o pôr-do-sol lá de cima. E o Universo nos presenteou com um céu lindo. O incrível foi que só daquele lado o tempo estava bom, atrás de nós a chuva chegava sorrateira. Assistimos à despedida do astro Rei. E à nossa da Chapada Diamantina. Foi mágico!
Descemos correndo para o pé da montanha, pois a chuva estava chegando rápido. O tempo estava tão a nosso favor, que a água começou a cair assim que entramos no carro. Obrigada, Bahia! A partir dali seguimos de volta para Lençóis. Nosso ponto de chegada e partida. A vibe estava tão incrível que fomos todos cantando o trajeto todo.
18:40 pm
Chegamos em Lençóis. Ultima noite na Chapada. Eu saí apenas para comer um acarajé, que eu estava morta de vontade. Voltei rápido, pois estava chovendo. Inclusive foi o único dia que pegamos chuva. Acredito que ela veio para lavar a alma! Fiquei curtindo um pouco a pousada e depois dormi.
Fim de trip! 🙏🏼✈️
E nos vemos em breve. Até a próxima! 😘😊

Diário de Bordo: Pico da Cachoeira da Fumaça

7:00 am

Café da manhã na Pousada do Capão. Lugar lindo. O clima amanheceu gelado e úmido. Estava nublado para nossa alegria – aprendi que o sol é inimigo do trilheiro. Rs. Porém, na Bahia, o friozinho da manhã dura pouco. Bem pouco. Só as nuvens permaneceram para facilitar nossa trilha do dia.
8:30 am 
Partimos com apenas quatro dos nove integrantes do grupo. O restante preferiu fazer o plano B, pois a subida até a Cachoeira da Fumaça ia ser puxada. Fomos de van até o pé da montanha, o que demorou cerca de 20 min em estrada de chão. Para subir é preciso assinar um caderno, com seu nome, origem e o contato da sua pousada. Isso serve como controle, caso algum turista não retorne do pico.
Começamos a trilha. Logo de cara enfrentamos 2 km de subida íngreme. Pedra sob pedra – literalmente. Rs. Graças a Jah, o “maçarico baiano”, como diz nosso guia, não estava ligado e o céu permanecia nublado. O que facilitou muito, pois o sol desgasta demais. No caminho paramos em cinco mirantes para tomar água e recuperar o fôlego – e perdê-lo novamente ao avistar o horizonte. Rs.
Fim de subida. Os próximos 3 km (restantes) foram tranquilos. Apertamos o passo, mas o trajeto era mais plano, então não teve segredo. Fomos conversando sobre as histórias de aparições extraterrestres na Chapada. Durante nossas caminhadas – de todos os dias – recebemos muita informação dos nossos guias e de nós mesmos. Seria impossível transmitir tudo aqui. Algumas coisas só ficarão na mente. É muita bagagem intelectual.
Chegamos no pico da Fumaça, na parte de cima dela. Quando olhei para o horizonte já pensei: “Uau”. Estávamos em cima de um cânion. A cachoeira sai de um buraco no meio de um dos paredões (do que estávamos). Porém, o local da queda é tão alto que não dá tempo da água chegar nem na metade. O vento é tão forte que rebate a água para cima. Vez ou outra é possível sentir os pingos como se fossem da chuva. INCRÍVEL! Esse efeito das gotas subindo dá o efeito de uma fumaça mesmo, por isso o nome.
A parte mais surreal é deitar na pedra que parece um bico arredondado. Ela sai lá de cima do paredão e entra no meio do buraco do cânion em linha reta. Me arrastei até encostar minha mão na borda dela e conseguir olhar para baixo – enxergando o chão lá embaixo. Nesse momento, eu não tenho palavras para definir o turbilhão de sensações. É um misto de deslumbramento, adrenalina, medo, impotência… Enfim! Meu corpo tremia todo! As mãos suavam. Mas eu não queria sair dali de jeito nenhum. Mais uma vez fui surpreendida!
Quando você olha para baixo enxerga um pequeno – pelo menos visto lá de cima – lago rodeado por pedras em um tom de cinza escuro e muitas árvores. É uma imensidão. A queda da cachoeira possui 380 m de altitude. Então, eu calculo que a pedra em que deitamos deve ter cerca de 400 m. Venta demais. E o vento é muito forte. Meu óculos de sol quase saiu voando da minha cabeça quando eu estava em pé. É preciso ficar esperto, por que uma rajada pode até te derrubar.
Lá em cima tem vários mirantes em diferentes ângulos. Claro que essa pedra é a ” mais mais”. Paramos em mais alguns picos ali para contemplar e fotografar. Eu sentei “como índio” em uma pedra bem pertinho da lateral de um dos paredões. Ventava forte. Fechei meus olhos e agradeci por tudo o que estava vivenciando. Pela minha vida. Pela natureza. Agradeci por tudo o que não é material. Senti uma paz imensa invadir meu espírito. Aquele lugar é mágico. E não estou falando só do pico da Fumaça, mas da Chapada Diamantina inteira. Chorei novamente. De alegria e de satisfação. Me senti viva.
Porém, a permanência lá é rápida. Cerca de 1 hora mais ou menos. Pois são 4 horas de trilha, 2 para ir e 2 para voltar. Arriscar voltar à noite não é recomendado. Mas nós também queríamos visitar a cachoeira do Riachinho, então retornamos. Na decida o sol estava forte. Me dei conta disso quando vi que eu estava toda queimada. Com a marca do shorts, inclusive. Rs. Mas valeu cada esforço. Quando chegamos no “pé” da montanha, paramos para tomar caldo de cana. Delicioso.
Encontramos com o resto do grupo e fomos para o Riachinho. Lugar bonito e tranquilo. Ótimo para recuperar as energias da semana. Saindo de lá fomos para a Vila do Capão comer o tão famoso pastel de palmito de jaca. Eu detesto jaca, mas queria muito experimentar. Sempre ouvi falar que não tinha o gosto da fruta. Pensei: “Vamos ver qualé que é”. Paramos no Pastel da Dalva para comer e eu achei uma delicia. Realmente tem um gosto totalmente diferente. Bem temperadinho. Comi dois. Rs. E tomei uma Heineken. Comprei alguns presentes e fomos para a pousada.
20:00 pm
 
Jantamos comida típica na pousada mesmo. Eu estava exausta e dormi cedo. Foi a última noite no Capão. Lugar que ficará no meu coração.

Diário de Bordo: Travessia do Guiné ao Capão

6:00 am

Acordei em Mucugê. Na noite anterior já tinha deixado minha mochila arrumada, então tomei banho e café da manhã. Levantei mais cedo que o normal, pois queria pegar o Cemitério Bizantino aberto antes de partir para o Capão.
7:30 am
O cemitério – para minha sorte – ficava atrás da minha pousada. Atrás mesmo, de lá de dentro dava para vê-lo. Rs. Em 1855 houve uma epidemia de cólera em Mucugê e muitas pessoas faleceram. A igreja, por medo da contaminação, não permitiu que os corpos fossem enterrados no cemitério comum. Por isso, em cima de uma montanha, no fim da cidade, foram construídos novos túmulos. O interessante é que eles foram feitos em cima de rochas. Os grandes barões do garimpo trouxeram arquitetos estrangeiros para a construção.
Não é comum o turista querer conhecer o cemitério da cidade, mas esse tem uma história interessante. E os túmulos são muito bonitos. Alguns parecem igrejas. (Fotos no meu Instagram: ma_santos7). Os corpos também não eram enterrados inteiros, provavelmente eram depositados ali só os ossos. Fiquei uns 30 minutos lá dentro
8:20 am
Partimos rumo à comunidade do Guiné. A van nos levou até o pé da montanha, de onde sairíamos para a travessia até o Vale do Capão, em um trekking de 18 km – 7 horas caminhando. Andamos aproximadamente 1 hora de carro até o nosso destino. Eu não tinha ideia de como iria ser esse dia.
Chegando na montanha, o primeiro 1,5 km já foi uma subida. E não pense que é na reta, por que é íngreme e pedra sob pedra. Embaixo do sol e do calor da Bahia, meu rei. Rs. “Rapaaaiz”, achei que eu não ia dar conta, não. Rs. Paramos diversas vezes até chegarmos ao topo. O coração vai a mil. Além de tudo, as pedras são desniveladas, uma é super alta, outra é baixa e assim vai. A perna queima. E a mochila começa a pesar nas costas.
Superada a subidona, chegamos ao topo da primeira montanha, e a visão do horizonte começou a aparecer. Essa é uma das recompensas do trilheiro. Você está esgotado, mas quando alcança seu primeiro objetivo e visualiza aquele paraíso, nem lembra mais do cansaço. E foi assim o trekking inteiro. Cada hora era um “uau” diferente. Nós estávamos no topo de um morro (mais de um), avistando outras centenas deles, em uma visão de 360ºC. LINDO!
Andamos muito. Paramos em diversos mirantes, cada um com uma visão diferente. Avistamos o Vale do Pati – conhecido mundialmente pela sua travessia de 5 dias. Com o calor excessivo nossa água ficou “intomável”. Parecia que tinha sido esquentada no fogo. Horrível! Paramos no riacho das Galinhas para encher nossas garrafas. Aproveitamos para descansar um pouco também. O legal da montanha é que você enfrenta percursos muito diferentes. Subidas, descidas, retas… Mata, vales, pedras! Sombra, sol, vento. Rs.
A travessia é linda. Achei incrível andar e explorar as montanhas. É você e a natureza. Sem ter para onde correr. Rs. O esforço é grande, não é qualquer pessoa que aguenta, mas vale muito a pena. É uma superação física, mental e pessoal. E ver os outros integrantes do grupo se superando também é muito bom. A coletividade faz toda a diferença e isso você leva para a sua vida fora daqui.
Andamos, andamos, andamos… Por 7 horas! Chegamos no Vale do Capão. Essa é a parte mais recompensadora. Seu corpo está exausto, mas sua mente e seu espírito estão tinindo. Quem nos viu chegando na pousada disse que estávamos muito felizes. E sim, a trilha nos fez um bem danado. Eu não imaginava como seria. Se eu iria aguentar ou não. E concluir mais esse desafio foi sensacional. Me deu uma sensação maravilhosa por dentro. Ele te mostra que você é capaz, sim! E te faz sentir vivo.
 
19:30 pm 
Jantamos na pousada e depois curtimos um pouco a fogueira. Eu dormi cedo, pois estava mega cansada! Amanhã tem a trilha até o topo da Cachoeira da Fumaça!
Até breve! 😊