A indiferença matou antes do frio

“Mais um morador de rua morre de frio em SP – caso é o 5º registrado na cidade”. Após lermos essa frase ficamos perplexos, sentimos compaixão e… só! São poucos os que se mobilizam para realmente ajudar a amenizar um problema que nasceu lá atrás. Será que a culpa é só do governo? Quantos de nós abrimos as portas das nossas empresas e negócios para uma pessoa que está voltando para a sociedade? Se eles estão lá é por nossa culpa, também. A cada novo morador de rua que morre de frio se vai com ele um pouco da nossa humanidade.

Quantos de nós passamos todos os dias por pessoas invisíveis nas ruas e nem sequer damos bom dia? Se tornou normal conviver com esse problema e, atualmente, as pessoas não se importam mais. Afinal, eu não tenho nada a ver com isso. Esse problema não é meu. Errado! O bem estar de todos os seres que habitam o Planeta Terra é nossa responsabilidade. Virar as costas para quem precisa, seja um animal ou um ser humano, é egoísmo. A indiferença mata aos poucos. Perdemos a dignidade e a vontade de viver a cada não que recebemos e a cada olhar de desprezo que nos lançam.

Nossa rotina está cada dia mais turbulenta: trabalho, estudo, filhos, família, afazeres da casa, academia, curso de inglês, etc. Não temos mais tempo de olhar para o lado e enxergar nosso semelhante que sofre e que luta todos os dias para sobreviver em meio à selva de pedra. Estamos deixando de nos importar com as dores do outro. Não nos preocupamos em saber o que levou aquela pessoa às ruas. Pode ter sido o fim de um casamento, a demissão de um emprego, a depressão pela perda de um ente querido, dentre muitos outros problemas.

É muito mais fácil e reconfortante pensar que foi uma escolha própria morar na rua e que por esse motivo não precisamos nos mobilizar para ajudar. O ser humano tem o costume de julgar situações que ele não vive e que acredita que nunca irá viver. No entanto, o mundo é um moinho e não sabemos o dia de amanhã. Também não conhecemos o ontem do outro. Quantas histórias de vida não se escondem por trás dessas pessoas que caminham pelas madrugadas com seus cobertores à procura de um local quente para se abrigarem.

É muito mais fácil se reerguer quando se tem apoio, uma casa e condições morais. Quando se está nas ruas, sem higiene, as portas se fecham e as pessoas preferem fechar os olhos, também. O “EU” vem em primeiro lugar. Devemos fazer a nossa parte, nem que seja uma gota no oceano. Compartilhar uma notícia da morte de um morador de rua não irá mudar esse quadro. Cumprimente, ofereça alimentos, roupas limpas e um emprego, se for possível. Não dê audiência para tragédia, dê oportunidades de mudança. Se você não puder fazer algo concreto, ajude e incentive quem pode! Use a sua voz para algo que realmente faça a diferença. E não espalhe indiferença, ela mata!E se fosse você?

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